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9 de Julho de 2019

Nota de Esclarecimento sobre o Indicador Mensal de Actividade Económica

Na edição n.º 531, de 05 de Julho de 2019, o Semanário Expansão publicou um artigo com o título “Recessão, PIB volta a cair em 2019”, tendo-se baseado nos dados do Indicador da Actividade Económica divulgados pelo Banco Nacional de Angola (BNA) no seu Boletim Económico referente ao mês de Abril de 2019.

No referido Boletim, não se fez nenhuma abordagem previsional do Produto Interno Bruto (PIB) para o ano de 2019, apresentando-se apenas o desempenho, no período em análise, de alguns sectores da economia recorrendo ao Indicador Mensal de Actividade Económica compilado pelo Banco Nacional de Angola.

Para efeitos de esclarecimento, elaborou-se a presente nota com vista a apresentar os aspectos conceituais desse indicador, bem como a relevância do seu uso para o Banco Nacional de Angola. 

O IMAE é uma ferramenta essencial usada pelo BNA para acompanhar, mensalmente, a dinâmica da actividade económica. Matematicamente, é um índice de quantidade de Laspeyres que mede as mudanças na actividade económica, descrevendo o comportamento do valor acrescentado dos diferentes ramos ou sectores da economia. 

Trata-se de um indicador coincidente que espelha o desempenho da actividade económica num determinado período de tempo e não se trata da estatística do Produto Interno Bruto (PIB) nem tampouco da sua previsão. De um modo geral, o IMAE é um indicador da tendência do desempenho de alguns sectores da economia. 

O cálculo do IMAE é baseado na média ponderada dos índices por sector de actividade económica. O ponderador de cada sector é definido em função do seu peso no PIB, tendo 2010 como ano base.

Os sectores de actividade económica incluídos no IMAE e os respectivos ponderadores ajustados são:

a) Extracção de Petróleo Bruto e Gás Natural (66,94%);
b) Diamantes (1,48%); 
c) Intermediação Financeira (3,17%);
d) Fabricação de Cimento e Clinkers (1,14%);
e) Fabricação de Produtos Petrolíferos Refinados (5,70%); 
f) Electricidade (1,32%);
g) Comércio (12,59%);
h) Agricultura (6,97%); 
i) Produção de Bebidas (0,68%).

A criação do IMAE surgiu da necessidade do Comité de Política Monetária do BNA dispor de informações sobre o desempenho de curto prazo do sector real da economia angolana.

A condução da política monetária é realizada com base numa análise dupla, isto é, a económica e monetária. A primeira tem como objectivo identificar as pressões inflacionistas de curto e longo prazos, caracterizando a conjuntura e as perspectivas macroeconómicas, utilizando indicadores do sector real (inflação, crescimento económico, etc.); enquanto a segunda assenta na relação entre a inflação e a evolução da massa monetária a médio e longo prazos.

Face à ausência de informação de alta frequência (mensal) sobre o Produto Interno Bruto, e por ser este um dos indicadores que tem relação directa com a procura da moeda, a maioria dos Bancos Centrais desenvolveu e utiliza os indicadores coincidentes para colmatar esse vazio.

À semelhança dos seus homólogos, o BNA concebeu, em 2012, o Indicador Mensal de Actividade Económica que tem uma cobertura de 61,4% do PIB de Angola.

Assim, o IMAE é apenas um indicador coincidente que acompanha mensalmente o desempenho de alguns sectores da economia e não deve ser considerado como uma estatística das contas nacionais, particularmente do PIB.

Luanda, 09 de Julho de 2019