Notas de Imprensa

2 de Julho de 2021

Comité de Política Monetária

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM) reuniu hoje, dia 02 de Julho de 2021, em sessão ordinária, para analisar o comportamento recente e as perspectivas dos principais indicadores económicos. A reunião inicialmente agendada para 29 de Julho, foi antecipada devido à recente evolução da inflação que tornou essencial uma apreciação mais imediata da situação com vista à avaliação da necessidade de se tomar medidas correctivas.

No cenário internacional, os efeitos positivos dos estímulos fiscais e monetários em alguns países desenvolvidos, assim como os progressos registados na vacinação das populações apontam para uma recuperação robusta da actividade económica. Todavia, pairam, igualmente, riscos de subida dos preços das commodities energéticas e não energéticas nos mercados. As pressões inflacionistas resultam das incertezas que prevalecem e da forte procura agregada, animada fundamentalmente pelo aumento do consumo. Os bancos centrais dos países emergentes iniciaram o processo de alteração da orientação da política monetária para restritiva, antecipando o que poderá vir a ser a actuação dos bancos centrais dos países desenvolvidos, criando assim as condições para a absorção de um possível choque.  

A nível nacional, as pressões inflacionistas persistem e revelam-se maiores que o esperado, apesar de medidas terem sido tomadas para minimizar o choque da oferta registado, essencialmente, no primeiro trimestre do ano em curso. A variação mensal do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) continua acima dos 2%, sem sinal de abrandamento, impulsionada, fundamentalmente, pela classe de Alimentação e Bebidas não-alcoólicas com uma contribuição média, nos cinco primeiros meses do ano, que ronda 70% da inflação total.  

A variação do IPCN acumulada até Maio de 2021 atingiu 9,84%. A inflação a nível nacional nos últimos 12 meses situou-se em 24,94%, e as indicações referentes à primeira quinzena de Junho apontam para a manutenção da tendência desfavorável de evolução dos preços.

O núcleo de inflação, isto é, a inflação total, sem a contribuição dos preços administrados e voláteis, tem apresentado uma trajectória incompatível com o objectivo de inflação, tanto no curto, como no médio e longo prazo.

Apesar do dinamismo dos programas de incentivo à produção nacional, a oferta de bens alimentares de produção nacional permanece condicionada por factores estruturais, agravada por condições climatéricas menos favoráveis em regiões tradicionalmente produtivas. 

No âmbito do Aviso n.º 10/2020, de 03 de Abril, que promove a concessão de crédito ao sector real da economia, foram aprovados financiamentos para 233 projectos, no valor de 506,97 mil milhões de Kwanzas até 31 Maio de 2021, correspondente a 284,77% do valor mínimo a conceder até final do presente exercício económico.

Do lado dos bens importados, condicionalismos logísticos e aumento da procura em função da redução dos níveis de confinamento nas economias mais avançadas tem resultado num crescimento acelerado da procura mundial, com impacto no aumento dos preços nos mercados internacionais.

Em Maio, a moeda nacional apreciou cerca de 0,43% em relação ao dólar norte-americano, elevando a apreciação acumulada desde o início do ano para 0,94%. O stock de Reservas Internacionais Brutas situou-se em 14,09 mil milhões de dólares norte-americanos, contra 14,59 mil milhões do mês de Abril, assegurando a cobertura de importações de bens e serviços de aproximadamente 11 meses.

A morosidade na normalização das condições da oferta de bens alimentares conjugada com a inelasticidade da sua procura, apontam para uma perspectiva de manutenção de níveis de inflação elevados, não obstante o quadro de estabilidade cambial, colocando em risco o objectivo estabelecido para a inflação de 19,5% no final do ano. 
 
No início de 2018, o Banco Nacional de Angola definiu a base monetária como principal variável da política monetária, e as medidas de controlo dessa variável resultaram na redução da inflação de 22,72% em Janeiro de 2018 para 16,90% em Dezembro de 2019. Entretanto, desde o início de 2020, coincidente com a ocorrência da pandemia, tem-se verificado um aumento persistente da inflação que exige a tomada de medidas adicionais. 

Nesse sentido, o CPM analisou o enquadramento da taxa BNA no actual cenário, também uma das variáveis da política monetária e, considerando que o intervalo entre essa taxa e a taxa de inflação tem-se alargado de modo negativo, urge a necessidade do seu ajustamento, com vista a tornar mais eficaz a sua transmissão.

Considerando o exposto, o CPM decidiu:
  • Aumentar a taxa básica de Juro (Taxa BNA) de 15,5% para 20%;
  • Aumentar a taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez de 19,88% para 25%;
  • Aumentar a taxa de Juro da facilidade Permanente de Absorção de Liquidez de 7 dias de 12% para 15%;
  • Manter inalterados os coeficientes das reservas obrigatórias, em moeda nacional e moeda estrangeira, em 22%;
  • Manter inalterados os termos e condições de estímulo ao crédito ao sector real da economia por via do Aviso n.º 10/20.
Com estas medidas, pretende-se:

  • Inverter a trajectória da inflação de forma a atingir o objectivo estabelecido para o final de 2021;
  • Reduzir as distorções existentes no corredor da política monetária, colocando a taxa directora a um nível intermédio das facilidades de cedência e de absorção de liquidez;
  • Melhorar as condições monetárias para uma actividade de intermediação financeira mais eficiente, estimulando a poupança e a estabilidade cambial, sem colocar em risco o investimento e a actividade creditícia, principalmente de apoio ao sector real da economia.

A próxima reunião ordinária do Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola realizar-se-á no dia 27 de Setembro de 2021.