Notas de Imprensa

28 de Junho de 2013

Comité de Política Monetária

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM) reuniu-se no dia 28 de Junho de 2013, na sua vigésima primeira sessão ordinária. Com vista à tomada de medidas de política monetária que concorram para a estabilidade de preços na economia nacional, foi analisada a evolução da inflação, do produto interno bruto, das contas fiscais e monetárias, bem como a informação recente sobre a conjuntura económica internacional e regional. 

I. DESENVOLVIMENTOS RECENTES DAS ECONOMIAS: INTERNACIONAL E REGIONAL

Os desenvolvimentos recentes da economia mundial desde a última sessão do Comité de Política Monetária, indicam que o desempenho das economias da Zona Euro e da China continuam a abrandar. Os principais acontecimentos que marcaram este período foram (i) a divulgação de indicadores abaixo das expectativas referentes ao crescimento da economia da Zona Euro no I trimestre de 2013, (ii) o aumento da taxa de desemprego nos EUA, (iii) o aumento da taxa de juro de referência no Brasil e na Índia e (iv) a desaceleração da actividade industrial na China. Relativamente à previsão de crescimento das economias, mantêm-se os dados publicados pelo FMI em Abril, que apontam para uma taxa de crescimento do PIB mundial para 2013, de 3,3% contra os 3,2% registados em 2012.

Os dados referentes ao grupo das economias avançadas indicam uma projecção de crescimento económico de 1,2% em 2013, à semelhança do ano de 2012, com os Estados Unidos da América e Japão a crescerem 1,9% e 1,6% respectivamente e a Zona Euro a contrair em 0,3%. 
Relativamente ao desempenho da economia dos EUA, destaca-se o aumento da taxa de desemprego de 7,5% para 7,6% em Maio e a redução do índice da produção industrial. Porém, foram igualmente divulgados indicadores positivos do sector imobiliário, o aumento dos preços das casas, e o aumento do índice de confiança do consumidor, que de acordo com uma leitura preliminar subiu para 83,7 comparativamente aos 76,4 em Abril. Diante deste cenário, a Reserva Federal dos EUA voltou a sinalizar a possibilidade de até ao final do ano, interromper as operações de injecção de liquidez no sistema financeiro, caso os indicadores económicos estejam dentro dos limites pretendidos (taxa de desemprego de 6,5% e inflação abaixo dos 2,0%). No mês de Maio, a inflação foi de 1,4%, representando uma redução de 0,3 pontos percentuais relativamente ao mês anterior. 

Na Zona Euro, após redução da taxa de juro de referência do Banco Central Europeu no início de Maio, foram divulgados os indicadores económicos referentes ao primeiro trimestre do ano em curso, que indicam que o PIB contraiu 0,2% na Zona Euro e em França, e cresceu 0,1% na Alemanha, valores que estiveram abaixo das expectativas dos analistas. Foi igualmente divulgada a taxa de desemprego do bloco europeu para o primeiro trimestre que situou-se em 12,2%.  
A inflação da Zona Euro, no mês de Maio, foi de 1,4%, inferior em 0,2 pontos percentuais quando comparada ao mês anterior. Apesar dos indicadores desanimadores, o presidente do BCE sinalizou que continua a acreditar na recuperação gradual da economia da região, que deverá ocorrer no final deste ano, factor que levou à manutenção da taxa de referência do BCE em 0,5%, na última reunião do Comité de Política Monetária do BCE, realizada no início do mês de Junho. 

No Japão, o Governo reviu em alta o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país do primeiro trimestre de 2013, para 4,1%, face aos 3,5%, previstos em Maio. A revisão em alta do PIB japonês, mostra uma aceleração mais rápida do que o esperado e é um indicador de que as medidas de estímulo do Governo começam a gerar resultados. Em Maio, o país registou uma taxa de deflação de 0,20%, superior em 0,4% pontos percentuais quando comparada ao mês anterior.

Do lado das economias emergentes, mantém-se a previsão de crescimento do FMI de 5,3% em 2013, superior a 5,1% registados em 2012. Contudo, a evolução económica dos países deste grupo, está ser afectada pelo desempenho dos BRIC que tem demostrado sinais de abrandamento, face à contínua desaceleração da economia chinesa e o fraco crescimento e as altas taxas de inflação no Brasil. Face ao cenário inflacionista, em Maio, o Comité de Política Monetária do Banco Central do Brasil voltou a aumentar a taxa Selic para 8,0%, tendo a taxa de inflação no final do mês acelerado para 6,5%.

O crescimento da economia chinesa continuou a apresentar sinais de desaceleração. O Purchasing Managers' Index  (PMI), apresentado pelo Banco HSBC (uma influente referência usada pelos mercados para medir o vigor da actividade económica), caiu para 49,6, pontos em Maio, demostrando uma queda nas encomendas das fábricas. No entanto, a taxa de inflação da China desacelerou para 2,1% no mês de Maio, após situar-se em 2,4% em Abril de 2013.

No que concerne à previsão de crescimento económico da região da SADC, espera-se que a taxa de crescimento do PIB seja de 5,2% em 2013, sendo este valor superior ao registado em 2012 (4,8%) e a previsão apresentada em Fevereiro de 2013 (5,1%). Destacam-se as taxas de crescimento do PIB da República Democrática do Congo (7,9%), da Tanzânia (7,2%), de Angola (7,1%), de Moçambique e do Zimbabwe (7%).

A inflação da economia regional registou uma desaceleração na maior parte dos países da região subsariana. A informação disponível indica uma inflação de 5,6% para a África do Sul, 6,1% para o Botswana, 3,7% para as Ilhas Maurícias, 4,9% para Moçambique, 6,1% para Namíbia, 3,7% para as Seychelles, 8,3% para a Tanzânia, 7,0% para a Zâmbia e 2,2% para o Zimbabwe.

O preço do petróleo (Brent) no mercado internacional, principal produto de exportação de Angola, e maior contribuinte na sua balança de pagamentos reduziu durante o mês de Maio, situando-se em média num patamar de USD 103,28 por barril.

II. DESENVOLVIMENTOS RECENTES DA ECONOMIA NACIONAL 

Actividade Económica

As estimativas do Executivo angolano apontam para uma perspectiva de crescimento real do Produto Interno Bruto na ordem de 7,1% em 2013, face aos 7,4% observados em 2012, com ênfase para o contínuo crescimento da economia não-petrolífera.

Inflação

Em Maio, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação variou em 0,87%, após uma variação de 0,60% em Abril. A Classe 09 - “Lazer, Recreação e Cultura” foi a que registou maior variação de preços, com 1,39%, sendo a Classe 01 – “Alimentação e Bebidas Não-Alcoólicas” a que mais contribuiu para a inflação do mês com 0,43 pontos percentuais ou 49,16%.

A inflação acumulada dos cinco primeiros meses do ano é de 3,62%, um aumento quando comparado com os 3,41% observados no mesmo período de 2012. Ainda de acordo com os índices do INE, os produtos da cesta básica que mais variaram foram o Sabão (2,11%), a Fuba de Milho (1,51%) e a Fuba de Bombó (1,28%).

Contas Monetárias

No sector monetário, dados preliminares de Maio de 2013 indicam uma expansão mensal dos depósitos do sistema bancário, de 0,60%. As taxas de juro dos títulos públicos registaram uma queda em todas as maturidades. A LUIBOR seguiu estável e o crédito à economia cresceu 1,54%, no mês de Maio. 

No mês em análise, o stock de reservas internacionais brutas situou-se em USD 34.385,44 milhões, representando uma expansão de 4,21% em termos relativos e de USD 1.387,80 milhões em termos absolutos, quando comparado ao mês imediatamente precedente.

No mercado cambial primário, a taxa média de câmbio de referência do Kwanza face ao Dólar dos EUA fixou-se em 96,168 Kwanzas em finais de Maio de 2013, tendo-se depreciado em apenas 0,128%.

III. EVOLUÇÃO A PRAZO DO CONTEXTO ECONÓMICO EXTERNO E INTERNO

No cenário internacional, não obstante aos sinais de melhoria do comércio mundial e ao optimismo relativamente à recuperação do Japão persistem os sinais de fragilidade nas economias da Europa, China e Brasil, o que revitaliza a incerteza quanto à evolução da economia mundial nos próximos meses.
 
No contexto interno, deverá assistir-se a um incremento na execução fiscal durante o terceiro trimestre do ano, conforme previsto na Programação Financeira do Tesouro, com especial ênfase para a execução das despesas de capital.

III. DECISÕES DO COMITÉ DE POLÍTICA MONETÁRIA

Tendo presente a análise efectuada aos indicadores macroeconómicos, que inclui a evolução recente e as perspectivas para as economias angolana, da região SADC e internacional;

Perseguindo o curso da estabilidade dos preços, o Comité de Política Monetária decidiu manter: 
  • A Taxa Básica de Juro - Taxa BNA - em 10% ao ano;
  • A Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 11,25% ao ano; 
  • A Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 1% ao ano.
Por último, o Comité de Política Monetária ao apreciar o actual nível dos coeficientes das reservas obrigatórias em moeda nacional e estrangeira e após concertação com os demais órgãos de coordenação económica, procedeu à redução do coeficiente de reservas obrigatórias que incide sobre os depósitos dos bancos comerciais em moeda nacional, de 20% para 15%. 

Com tal medida, o Banco Nacional de Angola procura induzir a redução dos custos de imobilização de liquidez e influenciar a redução do custo de capital incorrido pelos agentes económicos na contratação de operações de crédito junto da banca comercial. 

A próxima reunião do Comité de Política Monetária terá lugar no dia 29 de Julho de 2013.

Luanda, 28 de Junho de 2013