Notas de Imprensa

21 de Dezembro de 2015

Comité de Política Monetária

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM) reuniu-se no dia 21 de Dezembro de 2015, na sua quinquagésima primeira sessão ordinária.

O CPM analisou a evolução da taxa de inflação e da taxa de câmbio, bem como os indicadores das contas fiscais, monetárias, externas e do sector real, tendo constatado o agravamento das condições monetárias na economia. O CPM analisou igualmente, os últimos desenvolvimentos nos mercados financeiros internacionais e nos das commodities, com vista à tomada de medidas de política monetária. 

I. DESENVOLVIMENTOS RECENTES DAS ECONOMIAS: INTERNACIONAL E REGIONAL

De acordo com os dados do FMI*, a economia global tem crescido moderadamente em 2015, esperando-se atingir uma taxa de crescimento de cerca de 3,1% até ao final ano. Em termos gerais, a dinâmica de crescimento tem sido menor em do que o que se esperava, com destaque para alguns desenvolvimentos económicos importantes que têm marcado o presente ano, como o facto de algumas das principais economias emergentes estarem a crescer muito menos, havendo assim o risco de revisão em baixa das perspectivas económicas. Para 2016, o FMI espera que a economia mundial cresça cerca de 3,6%.

Segundo a OCDE** , a previsão para o crescimento mundial é de 2,9% em 2015 e de aumento para os 3,3% em 2016. Entretanto, a referida organização reviu o crescimento do seu Bloco Económico*** em torno dos 2% (2,0% e 2,1% em 2015 e 2016, respectivamente). 

No que toca às economias dos BRIC****, de acordo com dados oficiais dos seus Países, o destaque foi para a Índia que até Setembro de 2015 registou um crescimento em termos homólogos de 2014, mais forte do que o esperado (7,4%), enquanto a China apresentou um crescimento moderado (6,9%) e os outros dois países (Rússia e o Brasil) experimentaram contracções em torno dos 4%.

*Fundo Monetário Internacional
**Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico. 
***Bloco económico das OCDE composto por 34 países.
****Bloco económico composto por Brasil, Rússia, Índia e China.

Economias Desenvolvidas

A economia norte americana volta a dar sinais positivos, com os dados do mercado de trabalho a apontarem para um crescimento acima do valor inicialmente estimado, que associados ao bom desempenho do sector de vendas de automóveis e de habitações, assim como aos níveis moderados de consumo, relevam o balanço do III trimestre de 2015 à uma dinâmica melhor, e por conseguinte, à uma revisão em alta do PIB*****  para os 2,1% em 2015; isto é, 0,6 p.p. acima da primeira estimativa, entretanto, abaixo do verificado no II trimestre (3,9%). Em termos homólogos a taxa de crescimento foi revista de 2% para 2,2%.
*****Produto Interno Bruto

No Japão, o crescimento económico foi igualmente revisto em alta de -0,8% para 1% em termos trimestrais, e de 0,7% para 1,6% em termos homólogos de 2014, reflectindo um incremento das despesas de capital. Na Zona Euro e no Reino Unido, foram confirmadas as taxas de crescimento do PIB do 3º trimestre de 2015, divulgadas no mês de Outubro (em termos homólogos, cerca de 1,6% e 2,3%, respectivamente), o que reforça a ideia de que as economias europeias continuam fragilizadas não obstante os estímulos económicos dos bancos centrais.

Quanto ao nível geral de preços, em Novembro de 2015, a taxa de inflação homóloga (doze meses) foi de 0,20% na Zona Euro (0,10 p.p. acima em relação ao valor homólogo do mês anterior) e de 0,10% no Reino Unido (contra -0,1% no valor homólogo do mês anterior). Nos Estados Unidos da América, a taxa de inflação homóloga (doze meses) foi de 0,50% depois de em Outubro ter sido de 0,2%. No Japão, os últimos dados relativamente à inflação dizem respeito a Outubro de 2015 (0,3% em termos homólogos de 2014). 

Depois da recente queda do comércio internacional e da divulgação de dados que continuam a mostrar a desaceleração económica nos países emergentes, principalmente da China, no mercado cambial, o Dólar continuou a ser a moeda escolhida pelos investidores e operadores de mercado, perante as demais moedas (Euro, a Libra e Iene). Neste contexto, apesar de no futuro a Zona Euro continuar a beneficiar de eventos favoráveis, actualmente enfrenta novos desafios como a desaceleração económica das economias emergentes, o aumento da incerteza global e as persistentes tensões geopolíticas. Por outro lado, a expectativa de que o Reserva Federal norte americana aumentaria em Dezembro, as suas taxas de juro de referência, o que acabou por se concretizar, contribuiu igualmente para a apreciação do dólar.


Economias Emergentes

Nas economias emergentes o cenário económico é decepcionante sobretudo no Brasil e na Rússia. No entanto, as principais atenções estiveram centradas na desaceleração da china e nas decisões da reunião de final de ano do Comité de política monetária da Reserva Federal norte-americana (FOMC). Quanto a taxa de inflação homóloga de 2014, em Novembro, a variação do IPC foi de 15% na Rússia (menos 0,60 p.p. em relação à homóloga do mês anterior) e 1,50% na China (mais 0,20 p.p. em relação à homóloga do mês anterior), 10,48% no Brasil (mais 0,55 p.p. em relação à homóloga do mês anterior) e 5,00% na Índia (mais 0,41 p.p. em relação à homóloga do mês anterior).

No mercado cambial, o Dólar apreciou-se frente às principais moedas emergentes (russa, indiana, chinesa e brasileira), com a expectativa de subida das taxas de juro da Reserva Federal, para além da intervenção do Banco Popular da China.

Os principais Bancos Centrais do BRIC mantiveram as suas taxas de juro de referência, em 14,25%, 11%, 6,75% e 4,35%, no Brasil, na Rússia, na Índia, e na China, respectivamente. 

Economias da SADC****** 

O crescimento da África Subsariana poderá desacelerar para 3,8% em 2015, contra os 5,0% em 2014, o que representa uma revisão em baixa de 0,6 p.p. em relação às estimativas anteriores. O abrandamento da actividade económica foi em grande parte por conta da queda dos preços do petróleo, bem como de outras commodities não-petrolíferas. As tensões geopolíticas e domésticas em alguns países também contribuíram para esta revisão em baixa. Todavia, a contínua queda dos preços dos bens alimentares a nível internacional poderá continuar a ajudar os restantes países da região a reduzir a factura de importações e aliviar as pressões inflacionistas, pese embora a questão da depreciação generalizada das moedas da região em relação ao dólar americano esteja a afectar os preços internamente.

Neste contexto, em Novembro de 2015, o nível geral dos preços na região da SADC acelerou em alguns países, em relação a inflação homóloga do mês anterior, situando-se em 4,8% na África do Sul (mais 0,1 p.p.), nos 19% na Zâmbia (mais 5,20 p.p.), nos 6,27% em Moçambique (mais 1,5 p.p.), na Tanzânia para os 6,60% (mais 0,30 p.p.). Entretanto, ainda no período em análise, o mesmo indicador reduziu no Botswana para os 2,90% (menos 0,20 p.p.), nas Ilhas Seychelles para os 4% (menos 0,4 p.p.) e nas Maurícias para 1% (menos 0,5 p.p.). 

Entretanto, ainda no período em análise, o mesmo indicador reduziu em alguns Países da SADC, como no Botswana para os 2,90%, nas Ilhas Seychelles para os 4%, e nas Maurícias para 1%, isto é menos 0,20 p.p., 0,4 p.p. e 0,5 p.p., respectivamente.  

Relativamente ao mercado cambial, o Dólar continuou a apreciar-se frente às moedas da SADC, devido a redução das entradas de divisas. No caso da África do Sul, o comportamento da moeda reflecte por um lado, a preocupação dos investidores em relação ao cenário internacional, mais especificamente em relação à expectativa de aumento das taxas de juro dos Estados Unidos da América. Por outro lado, reflecte o contexto interno, como consequência da divulgação das expectativas do mercado, bem como do aumento do défice comercial da África do Sul para cerca de 21,39 mil milhões de Rands em Outubro de 2015, valor acima dos 1,26 milhões de Rands verificados no mês anterior. Importa referir, que foi o maior défice comercial desde Janeiro deste ano, em que as exportações caíram 6,0%, e as importações aumentaram 15,7%.

******Comunidade para Desenvolvimento dos Países da África Austral

Mercado das Commodities

Os preços médios das matérias-primas diminuíram em Novembro, com um recuo em todos os principais grupos de commodities. No grupo de commodities energéticas, a queda fez-se sentir mais nos preços do petróleo bruto e de gás natural. No grupo de produtos não-energéticos, os metais experimentaram uma queda devido ao abrandamento da actividade industrial na China, enquanto os preços agrícolas também foram geralmente baixos. Em síntese as commodities registaram a sua maior queda desde o ano de 2013, o que pode ser resultado das expectativas de aumento das taxas de juro nos EUA, das expectativas de menor crescimento da economia mundial e de aumento da oferta em termos gerais.

Petróleo

Em Novembro, os preços futuros do Brent e do WTI*******  situaram-se em 45,96 USD/barril e 42,95 USD/barril, respectivamente, representando aumentos de 6,71% para o primeiro e de 7,14%, para o segundo. A justificar o ambiente actual do mercado, estiveram alguns factores, como: (i) as perspectivas do aumento das reservas nos Estados Unidos da América, (ii) os receios que rodeiam o comportamento da economia global; (iii), a divulgação da contracção no sector industrial chinês em Outubro; (iv) as dúvidas sobre a saúde da economia global que alimentaram as preocupações de que um excesso de oferta mundial pode durar mais tempo do que o previsto. A produção mundial de petróleo está a superar a procura após um crescimento da produção de óleo de xisto dos Estados Unidos da América e após à decisão da OPEP********  durante o ano passado em não diminuir a sua produção.
*******West Texas Intermdiate
********Organização dos Países Exportadores de Petróleo

Bens Alimentares

O Índice de Preços dos Alimentos da FAO*********  registou em média 156,7 pontos em Novembro de 2015, representando uma variação mensal de 1,65%, isto é, menos 2,6 pontos em relação a Outubro. Exceptuando os preços do açúcar, que aumentaram pelo terceiro mês consecutivo, todas as outras commodities incluídas no índice de alimentos da FAO viram os seus preços cair, pressionadas por um Dólar americano mais forte e por um excesso de oferta. Comparativamente ao mês de Novembro de 2014, o Índice de Preços dos Alimentos da FAO caiu 17,06%, com os valores da carne a agravarem a queda (21,34%), seguido dos cereais e óleos, que caíram 17,98% e 15,03%, dos lacticínios em 14,12% e, finalmente, o açúcar, que apesar de ganhos recentes continuaram a cair em termos anuais, desta feita, cerca de 5%.

A queda mensal dos preços dos Cereais foi em grande parte impulsionada pela existência de boas condições de colheitas e pelo excesso de oferta nos Estados Unidos da América, maior produtor e exportador de milho do mundo. Por outro lado, também importa referir, factores adicionais como o excesso de oferta de trigo a nível global e a fraca procura internacional, que também afectaram a queda dos preços dos cereais. 

Em relação aos óleos e gorduras, observou-se uma redução dos seus preços, em resultado da lenta procura global que coincidiu com uma maior produção de óleo de palma do que o antecipado no Sudeste Asiático. Quanto ao óleo de soja, os preços caíram em resposta às revisões em alta das perspectivas de produção de soja nos Estados Unidos da América e à melhoria das condições de plantação na América do Sul. 

A queda dos preços dos produtos lácteos foi causada pela procura bastante limitada, tendo em conta à conjuntura internacional. Por sua vez, o enfraquecimento do preço das carnes é reflexo de um excesso de oferta na União Europeia.
*********Organização das Nações Unidas para alimentação e agricultura- Food and Agriculture Organization of United Nations

II. DESENVOLVIMENTOS RECENTES DA ECONOMIA NACIONAL 

Inflação

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em Novembro, a taxa de inflação atingiu cerca de 1,33%, isto é 0,02 p.p. abaixo em relação ao mês de Outubro (1,35%). A Classe 01 – “Alimentação e Bebidas Não-Alcoólicas” contribuiu com 0,64 p.p. (48,38%) na inflação mensal observada, superior em 7,83 p.p. quando comparada com a contribuição do mês anterior. A Carne de primeira, as Miudezas de Vaca e o Frango Congelado foram os produtos que mais contribuíram para a variação da referida Classe.
 
Em termos de variação, a Classe 12 - “Bens e Serviços Diversos”, registou a maior variação de preços (2,17%).

A inflação acumulada até ao mês de Novembro de 2015 atingiu cerca de 12,47%, um aumento significativo, quando comparada com os 6,69% observados no mesmo período de 2014. Ainda de acordo com os índices de preços do INE, os produtos da cesta básica que mais variaram foram o Sabão (3,60%), o Leite em Pó (1,72%) e a Carne Seca de Vaca (1,58%). 

Assim, a inflação homóloga acelerou para 13,29%, quando comparada com os 12,40%, observados no período anterior.

Contas Monetárias

Os dados referentes ao Balanço do BNA de Novembro de 2015 mostram que a Base Monetária Restrita, excluindo a Reserva Bancária em Moeda Externa (ME), registou um saldo de Kz 1.282.716,83 milhões, que correspondeu a um aumento no período de Kz 107.282,81 milhões (9,13%), reflectido no aumento de Kz 102.612,94 milhões (13,84%) dos Depósitos dos Bancos Comerciais em MN e de Kz 4.669,86 milhões (1,08%) da Circulação Monetária. Em termos acumulados, a Base Monetária Restrita, excluindo a Reserva Bancária em Moeda Externa (ME), expandiu Kz 352.189,14 milhões (37,85%).

A informação preliminar das Contas Monetárias de Novembro de 2015 indica uma expansão mensal de cerca de Kz 16.818,61 milhões (0,33%) dos depósitos totais do sistema bancário, de Kz 22.559,06 milhões (0,68%) do crédito à economia, de Kz 17.971,72 milhões (0,57%) do crédito do sector privado e de Kz 1.028,71 milhões (1,32%) do crédito às empresas públicas. Enquanto isso, o agregado monetário mais amplo (M3), que constitui o passivo do panorama monetário e composto pelas notas e moedas em circulação, pelos depósitos à ordem e a prazo e pelos outros instrumentos financeiros, aumentou no mês em análise, em Kz 27.543,25 milhões (0,51%), tendo atingido Kz 5.470.823,95 milhões, e em termos anuais registou um aumento de 7,06%. 
 
No Mercado Monetário, as taxas de juro médias ponderadas da subscrição dos Bilhete do Tesouro (BT) com as maturidades de 91, 182 e 364 dias aumentaram em Novembro, cerca de 1,65 p.b., 2,66 p.b. e 1,84 p.b., respectivamente. Assim, no mês em análise, os BT à 91 dias situaram-se em 11,26% enquanto os BT à 182 e 364 dias atingiram os 12,01%. Por sua vez, a taxa LUIBOR Overnight diminuiu, tendo atingido 11,53% ao ano. Nas maturidades de 3 e 12 meses aumentaram fixando-se em 11,56% e 12,00%. 

No mês em análise, o stock das reservas internacionais brutas aumentou, passando de USD 23.664,13 Milhões de dólares para USD 25.090,17 milhões de dólares, o que representa um aumento de 6,03% em termos mensais.

Em Novembro, os bancos comerciais adquiriram divisas no valor de USD 1.246,00 milhões no mercado cambial.

A taxa de câmbio média de referência do Kwanza em relação ao Dólar norte-americano situou-se em 135,312 Kwanzas no final do mês de Novembro de 2015.

III. DECISÕES DO COMITÉ DE POLÍTICA MONETÁRIA

O Comité de Política Monetária (CPM), tendo analisado a evolução dos principais indicadores macroeconómicos, incluindo o nível geral de preços, decidiu:  

  • Aumentar a Taxa Básica de Juro - Taxa BNA - de 10,50% para 11% ao ano; 
  • Aumentar a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 12,5% para 13% ao ano;
  • Reduzir a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez overnight de 1,75% para 0% ao ano;
  • Instituir uma Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez com maturidade de sete dias, fixando a taxa de juro em 1,75% ao ano.   
A próxima reunião ordinária do Comité de Política Monetária terá lugar no dia 25 de Janeiro de 2016.