Notas de Imprensa

29 de Setembro de 2015

Comité de Política Monetária

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM/BNA) reuniu-se nos dias 28 e 29 de Setembro, na sua quadragésima oitava sessão ordinária, a oitava do ano de 2015. Com vista à tomada de medidas de política monetária que concorram para a manutenção da estabilidade de preços na economia nacional, foi analisada a evolução da inflação, da economia real, das contas fiscais e monetárias, bem como a informação recente sobre a conjuntura económica internacional e dos países da região da SADC. A análise foi feita com base em informação referente a Agosto do ano corrente.

I. DESENVOLVIMENTOS RECENTES DAS ECONOMIAS: INTERNACIONAL E REGIONAL

Os desenvolvimentos ocorridos na economia chinesa no mês de Agosto, inicialmente no mercado accionista e em seguida no mercado cambial, geraram temores de que a segunda maior economia mundial desacelere acima do esperado, aumentando assim a volatilidade de todos os mercados, incluindo o mercado das commodities. Durante o oitavo mês do ano, os preços das commodities registaram fortes quedas, tanto a nível dos preços dos produtos energéticos como dos alimentares. Em função destes acontecimentos, alguns bancos centrais iniciaram já a revisão em baixa do crescimento das suas economias, como é o caso do Banco Central Russo e do Banco Central do Brasil. Por outro lado, a OPEP reviu em baixa o crescimento mundial, apontando para um crescimento de 3,1% no ano em curso e um crescimento de 3,4% em 2016, menos 0,1 p.p. em relação à previsão anterior.

Economias Desenvolvidas

Em Agosto de 2015, o crescimento da economia dos EUA relativo ao 2.º trimestre foi revisto em alta de 2,3% para 3,7%, demonstrando uma procura interna sólida, impulsionada pelos preços baixos do combustível, pela solidez do mercado de trabalho e pela subida dos preços das habitações. Já na Europa, as estimativas do PIB da Zona Euro foram reafirmadas, tendo o PIB expandiu 1,5% em termos homólogos, enquanto no Reino Unido as perspectivas de crescimento mantêm-se satisfatórias, apesar da redução dos PMIs . No Japão, apesar da redução das exportações e da preocupação com a desaceleração da China, os indicadores de PMI continuaram a indicar expansão dos sectores da indústria e dos serviços.


Relativamente à taxa de inflação, os preços da Zona Euro em Agosto subiram apenas 0,1%, menos 0,1 p.p. em relação ao mês de Julho. Para o Reino Unido a taxa de inflação foi nula, menos 0,1% face ao mês de Julho. Nos EUA, a taxa de inflação manteve-se igual a do mês anterior (0,2%). Já os últimos dados do Japão, referentes aos preços dizem respeito a Julho de 2015, tenho nesse mês os preços crescido apenas 0,2%, uma diminuição de 0,2 p.p. face a Junho.


Apesar da revisão em alta do crescimento dos EUA, o Dólar apreciou-se apenas frente à Libra, depreciando frente ao Euro e ao Iene. O optimismo em relação à economia japonesa e à manutenção da sua política monetária em Agosto, a decepção em relação às decisões de política monetária do Banco de Inglaterra e a aprovação de mais um resgate a Grécia, determinaram o comportamento das moedas.


Economias Emergentes


Nas economias emergentes, a economia chinesa voltou a destacar-se pela negativa diante da turbulência que a mesma gerou nos mercados financeiros internacionais, depois de ter emitido sinais de contracção do sector industrial através da divulgação do seu PMI e de ter surpreendido o mercado com a desvalorização da moeda local por parte do Banco Popular da China, criando temores de que o país estaria a enveredar para uma “guerra cambial”.


Em relação às restantes economias, destaca-se a ligeira desaceleração do PIB na Índia para os 7,0% (-0,5 p.p.) o agravamento da contracção económica no Brasil (o PIB voltou a contrair em termos homólogos pelo 2.º trimestre consecutivo, desta vez em 2,6%) e a revisão em baixa do crescimento do PIB da Rússia, numa altura em que o PMI medido pela Markit indica contracção do sector industrial pelo oitavo mês consecutivo.


Quanto à taxa de inflação, em Agosto, observou-se uma aceleração na Rússia para os 15,8% (+0,2 p.p.) e na China para os 2,0% (+0,4 p.p.) e uma desaceleração no Brasil para 9,53% e na Índia para 3,66%, (-0,03 p.p. em ambos os países). A taxa de inflação na Índia relativa ao mês de Agosto ainda não foi divulgada, tendo a inflação de Julho se situado nos 3,80%.


A deterioração do cenário económico e político no Brasil, a desvalorização inesperada da moeda chinesa, num contexto de queda dos preços do petróleo e a expectativa de aumento da taxa de juro nos EUA, levou a que as moedas dos países que compõem o bloco dos BRIC se depreciassem em relação ao Dólar. Neste contexto, o Banco Popular da China reduziu a taxa directora para os 4,6%, (-0,25 p.p.), contrariamente aos restantes bancos centrais que mantiveram as suas taxas nos 11,0% no caso da Rússia, 7,25% no caso da Índia e 14,25% no caso do Brasil.


Economias da SADC


De um forma geral, o crescimento económico da região da SADC continua fragilizado e abaixo da meta definida no âmbito da convergência macroeconómica, tendo em Agosto sido divulgados fracos dados económicos na África do Sul (PIB de 1,2% no 2.º trimestre) e Botswana (PIB de 4,3%no 1.º trimestre), boas prespectivas económicas na Namíbia e nas Seychelles e algum dinamismo na Zâmbia, com o aumento do crédito interno e redução do défice da balança de pagamento, apesar das reduzidas exportações, mas que não será suficiente para evitar a desaceleração do PIB, dada a queda dos preços do cobre, a principal commodity exportada.


Em Agosto de 2015, o nível geral dos preços na região da SADC acelerou em alguns países, situando-se nos 7,30% na Zâmbia (+0,20 p.p.), nos 2,28% em Moçambique (+0,78 p.p.), nos 3,10% no Botswana (+0,10 p.p.), nas Ilhas Seychelles para os 4,60% (+0,40 p.p.), nas Maurícias para os 1,10% (+0,50 p.p.), mantendo-se nos 6,40% na Tanzânia.


Já no mercado cambial, o Dólar apreciou-se frente às moedas da SADC, com excepcão das moedas das Ilhas Seychelles, Maurícias e Madagáscar. As depreciações das moedas estão associadas a ofertas limitadas de divisas, num ambiente onde a procura se manteve, dado o forte peso das importações nas balanças comerciais dos países. No caso da África do Sul, o comportamento da moeda reflecte não só a tensão no mercado de trabalho do sector minero como o facto de o contexto externo ser desfavorável, sobretudo provocado pela desaceleração da economia chinesa e a possível subida das taxas de juro norte-americanas.


No que toca às taxas de juro de referência de política monetária, em Agosto, as taxas de juro mantiveram-se na maioria dos países da SADC, com excepção do Botswana que reduziu a sua taxa de referência de 6,5% para 6,0%.


Mercado das Commodities


Apesar de se antecipar uma queda dos preços das commodities no final do ano de 2015, em Agosto, esta tendência agravou-se consideravelmente, tendo os preços das commodities energéticas reduzido para os valores mais baixos do ano e dos últimos seis anos e do índice de Preços dos Alimentos da FAO ter atingido o seu valor mensal mais baixo desde Maio de 2009.


Petróleo


Em Agosto de 2015, os preços futuros do petróleo do Brent e WTI situaram-se nos 48,21USD/bbl e nos 42,89 USD/bbl, representando uma queda de 15,10% e de 16,2%, respectivamente, influenciados não só pelo excesso de oferta mas também pela conjuntura económica desfavorável na China. Os analistas do Emerging Markets e do Grupo Goldman Sachs prevêm agora uma recuperação mais lenta, devendo só ocorrer apenas em 2017 e 2018.


A oferta excedentária global, a turbulência nos mercados cambial e accionista chinês, a reduzida procura devido início do período de manutenção das grandes das refinarias europeias e asiáticas, a expectativa de aumento das exportações iranianas, com o fim das sanções impostas pelas principais potências, influenciaram a queda dos preços.


Bens Alimentares


O Índice de Preços dos Alimentos da FAO foi em média 155,7 pontos em Agosto de 2015, menos 8,5 pontos (5,2%) em relação ao mês anterior. Além do excesso de oferta, uma série de outros factores contribuíram para a redução, incluindo a queda dos preços da energia e as preocupações com a desaceleração económica chinesa e os seus efeitos negativos sobre a economia global e os mercados financeiros. A queda afectou todas as commodities integradas no índice, exceptuando o índice de preços da carne, que se manteve estável.


A redução da importação de produtos lácteos por parte da China, do Médio Oriente e do Norte de África; a queda dos preços do trigo e milho; o aumento da produção de óleo de palma e de soja nos mercados internacionais, diante das expectativas de um elevado nível oferta global de soja em 2015/16 e preocupações sobre a desaceleração económica na China; continuaram a pesar sobre o índice geral de preços dos alimentos. Os preços internacionais da carne bovina subiram, enquanto os de outros tipos de carne mantiveram-se estáveis.


II. DESENVOLVIMENTOS RECENTES DA ECONOMIA NACIONAL 


Inflação


Em Agosto, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação da Cidade de Luanda foi de 1,15%, após uma variação superior, de 1,35% em Julho. Assim, a inflação homóloga acelerou para 11,01%, tendo a Classe 01 – “Alimentação e Bebidas Não-Alcoólicas”, sido determinante no comportamento da inflação no mês em análise e contribuído com 0,53 p.p. (46,61%) na inflação mensal observada, um valor inferior em 0,02 p.p. quando comparado com a contribuição do mês anterior. As Coxas de Frango, as Miudezas de Vaca, o Frango Congelado, o Arroz Agulha e a Carne de Primeira foram os produtos que mais contribuíram para a Classe 01.

 

Em termos de variação, a Classe 07 - “Transportes”, registou a maior variação de preços (1,72%).


A inflação acumulada até ao mês de Agosto de 2015 é de 8,20%, um aumento quando comparada com os 4,75% observados no mesmo período de 2014. Ainda de acordo com os índices de preços do INE, os produtos da cesta básica que mais variaram foram o Sabão (2,80 p.p.), a Carne Seca de Vaca (1,84%) e a Farinha de Trigo (1,32%).


Contas Monetárias


No sector monetário, dados relativos a Agosto de 2015 mostram que a Base Monetária Restrita, excluindo a Reserva Bancária em Moeda Externa (ME), registou um saldo de Kz 1.479.128,36 milhões, que correspondeu a um aumento mensal de Kz 39.900,09 milhões (2,77%), reflectido no aumento das Notas e Moedas em Circulação em Kz 28.103,07 milhões (6,69%) e dos Depósitos dos Bancos Comerciais em MN Kz 11.797,01 milhões (1,16%). Em termos acumulados, a Base Monetária Restrita, excluindo a Reserva Bancária em Moeda Externa (ME), expandiu em Kz 548.605,20 milhões (58,96%). 


As contas monetárias de Agosto indicam uma expansão mensal dos depósitos totais do sistema bancário em cerca de Kz 15.940,76 milhões (0,32%), uma expansão do crédito à economia em Kz 21.363,98 milhões (0,67%), uma expansão do crédito do sector privado em Kz 25.067,00 milhões (0,81%) e contracção do crédito às empresas públicas em Kz 5.471,39 milhões (6,96%). Enquanto isso, o agregado monetário mais amplo (M3), composto pelas notas e moedas em circulação, pelos depósitos à ordem e a prazo e pelos outros instrumentos financeiros, aumentou no mês de Agosto, em Kz 35.846,79 milhões (ou 0,67%), para Kz 5.385.848,72 milhões, o que traduz num aumento anual de 5,40%.

 

No Mercado Monetário, as taxas de juros médias ponderadas da subscrição dos Bilhetes do Tesouro (BT’s) com a maturidade de 91 dias aumentaram em 2,44 p.b., ao passo que para a maturidade de 364 dias, aumentaram na ordem de 0,31 p.b., atingindo os 6,84% e 7,31%, respectivamente. Por sua vez, a taxa LUIBOR Overnight aumentou, tendo atingido 13,26% ao ano, e 11,45% e 11,27% nas maturidades de 3 e 12 meses.


No mês em análise, o stock das reservas internacionais brutas reduziram, passando de 24.444,72 Milhões de dólares param os 24.771,61 milhões de dólares, o que representa um aumento de 1,34% em termos mensais.

 

Em Agosto, os bancos comerciais adquiriram divisas no valor de USD 1.299 milhões no mercado cambial.


A taxa de câmbio média de referência do Kwanza em relação ao Dólar norte-americano situou-se em 125,783 Kwanzas no final do mês de Agosto de 2015.


De 01 a 16 de Setembro, a Base Monetária Ampla contraiu 7,20%, o que corresponde a uma diminuição em valor absoluto de Kz 129,22 Mil Milhões. Esta contracção resultou da diminuição dos AIL, devido principalmente à redução do Crédito às OIFM em Kz 189,80 Mil Milhões (30,55%). Por seu turno, o AIL apresentou um efeito expansionista na Base Monetária em Kz 153,67 Mil Milhões (4,96%). Esta expansão deveu-se sobretudo ao efeito da depreciação cambial ocorrido até 16 de Setembro. 

Neste período, a taxa de câmbio do Kwanza face ao Dólar dos Estados Unidos depreciou cerca de 7,56%, ao passar de 125,783 (AKZ/USD) para 135,295 (AKZ/USD). No dia 25 de Setembro, a taxa de câmbio foi de 135,300 (AKZ/USD). No mesmo período, a Base Monetária MN contraiu em 10,46%, devido ao efeito contraccionista provocado pelas operações cambiais e pelas operações de redesconto.


III. DECISÕES DO COMITÉ DE POLÍTICA MONETÁRIA


O Comité de Política Monetária (CPM), tendo analisado a evolução dos factores que determinam o comportamento do nível geral de preços, decidiu manter:  


  • A Taxa Básica de Juro - Taxa BNA em 10,50% ao ano; 
  • A Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 12,5% ao ano;
  • A Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 1,75% ao ano.

A próxima reunião ordinária do Comité de Política Monetária terá lugar no dia 27 de Outubro de 2015.