Notas de Imprensa

28 de Agosto de 2015

Comité de Política Monetária

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM/BNA) reuniu-se no dia 28 de Agosto, na sua quadragésima sétima sessão ordinária, a sétima do ano de 2015. Com vista à tomada de medidas de política monetária que concorram para a manutenção da estabilidade de preços na economia nacional, foi analisada a evolução da inflação, da economia real, das contas fiscais e monetárias, bem como a informação recente sobre a conjuntura económica internacional e dos países da região da SADC. A análise foi feita com base em informação referente a Julho do ano corrente.

I.    DESENVOLVIMENTOS RECENTES DAS ECONOMIAS: INTERNACIONAL E REGIONAL

Segundo o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicado em Julho de 2015, a economia mundial crescerá a um ritmo mais lento relativamente aos dois anos anteriores, prevendo-se um crescimento de 3,3% em 2015, o que compara com os 3,4% verificados em 2013 e 2014. Em 2015, as economias mais desenvolvidas irão crescer 2,1% (+0,3 p.p em relação ao ano anterior), enquanto as economias emergentes crescerão 4,2%. (- 0,4 p.p em relação ao ano anterior) Para 2016, o FMI aponta para um crescimento do PIB mundial de 3,8%, com as economias mais desenvolvidas a crescer 2,4% e as economias emergentes a crescer 4,7%.

Economias Desenvolvidas

Em Julho, começaram a ser divulgadas as primeiras estimativas do PIB do segundo trimestre de 2015, que apontam um forte crescimento nos EUA (2,3%), depois de registar um fraco crescimento no primeiro trimestre do ano (cerca de 0,6% de acordo com o último valor publicado), impulsionado pelo aumento do consumo privado em termos homólogos, o crescimento foi de 2,3% nos EUA contra 2,9% nos primeiros três meses do ano. A conjugação do forte crescimento económico e a melhoria dos dados do mercado de trabalho na economia norte-americana, poderão constituir argumentos de suporte a um aumento das taxas de juro pela Fed em Setembro de 2015.

Na Zona Euro o crescimento foi de 0,3%, tendo a Alemanha, a Itália e a Holanda registado um crescimento abaixo das expectativas e a França estagnado. Já o Japão contraiu 0,4% no segundo trimestre de 2015, impulsionado pelo declínio do consumo privado e das exportações. Em termos homólogos, na Zona Euro cresceu 1,2% e o Japão contraiu 1,60% no contra um crescimento de 1% e 4,5%, respectivamente no primeiro trimestre de 2015.

Relativamente à taxa de inflação, em Julho, a taxa foi de 0,2% na Zona Euro o mesmo valor de Junho e acelerou em 0,01 p.p. no Reino Unido e nos EUA para 0,1% e para os 0,2% respectivamente. Contudo, no Japão a inflação continuou a desacelerar, tendo em Junho sido de 0,4% (-0,01 p.p. em relação ao mês de Maio).

No mercado cambial o sétimo mês do ano ficou marcado pela apreciação do Dólar norte-americano face ao Euro, Iene e Libra, depois da divulgação de dados optimistas sobre a economia norte-americana, nomeadamente: o desempenho satisfatório do PIB no segundo trimestre e do PMI de serviços em Julho, do aumento da confiança do consumidor em Junho, gerando a expectativa de anúncio de uma subida da taxa de juros por parte da Fed na reunião de Setembro.

As políticas monetárias dos principais bancos centrais (BCE, FED, BoE e BoJ) não sofreram qualquer alteração em relação ao mês anterior, todavia, o BCE decidiu aumentar em 900 milhões de euros, a Emergency Liquidity Assistance (ELA) à Grécia, que se encontrava fixada em 89 mil milhões de euros desde o final de Junho.

Economias Emergentes

Nas economias emergentes, no mês de Julho, foram divulgadas as taxas de crescimento do PIB no segundo trimestre de 2015 que mostraram um crescimento de 7% na China e uma contracção de 4,6% na Rússia, em termos homólogos.

O PIB russo continua a ser penalizado pela crise cambial, em que o país está mergulhado desde o ano passado e pelos efeitos causados pelas sanções impostas em função da tensão com a Ucrânia, que fechou o acesso aos mercados de capitais e estão a pressionar a taxa de inflação que em Julho retomou a trajectória ascendente.

Em Julho, a inflação acelerou no Brasil 0,67 p.p. para os 9,56%; na Rússia 0,30 p.p. para os 15,60% e China 0,2 p.p. para os 1,6%, desacelerando na Índia 1,70 p.p. para os 3,90%.

As moedas chinesa, brasileira, russa e indiana depreciaram-se em relação ao Dólar. A apreciação do dólar deve-se aos receios em torno da situação das economias da Grécia, da China, da Rússia, a expectativa de aumento da taxa de juro da Fed, a redução dos preços das commodities e as preocupações com a situação fiscal no Brasil.

Neste contexto, o Banco Central do Brasil elevou a taxa directora para os 14,75%, (+1 p.p.) contrariamente, o Banco central russo reduziu a taxa em 0,50 p.p. para 11%, enquanto os Bancos centrais da Índia e na China, mantiveram as suas taxas nos 7,25% e 4,85%, respectivamente.

Economias da SADC

De acordo com o FMI, a África Subsariana cresceu 5,0% em 2014 e deverá desacelerar para os 4,4% em 2015 e crescer 5,1% em 2016, representando uma desaceleração comparativamente a 2014 (4,6%) e 2013 (5%), penalizada pela evolução desfavorável com o preço das commodities, pressão agravada pelo fraco crescimento da China que é o principal parceiro comercial de vários países africanos.

Em Julho de 2015, o nível geral dos preços na região da SADC aceleraram em alguns países, situando-se nos 3,30% na Namíbia, nos 1,50% em Moçambique (+0,14 p.p.), nos 22,20% no Malawi (+ 0,90 p.p.), nos 6,40% na Tanzânia, nos 0,6% nas Ilhas Maurícias (+0,10 p.p.), mantendo-se nos 7,10% na Zâmbia e nos 3,10% no Botswana. Nas Ilhas Seychelles, a inflação desacelerou para 4,20% (+0,10 p.p.).

Em Julho, os Bancos Centrais da região da SADC mantiveram as suas taxas de juro de referência, à excepção do BNA, SARB (Banco Central da África do Sul) que elevaram as suas taxas para 10,25% (+0,50 p.p)e 6% (+0,25 p.p.), respectivamente, manifestando as preocupações dos Bancos Centrais com a tendência de aceleração da inflação.

Já no mercado cambial, o Dólar Norte Americano apreciou-se frente às principais moedas da SADC, à excepção das moedas de Moçambique, RDC e das Seychelles.

Mercado das Commodities

Permanece o cenário de oferta sem constrangimentos e uma procura globalmente estável, o que favorece o movimento de queda dos preços do petróleo e de outras commodities incluindo as alimentares e metais preciosos, como Ouro, que atingiu seus níveis mais baixos desde 2003.

Petróleo

No mercado energético, os preços continuaram em declínio, influenciados não só pela ampla oferta mas também pela conjuntura económica desfavorável na China e na Grécia, tendo em Julho, os preços futuros do petróleo Brent e WTI atingido os 56,80 USD/barril e 51,19 USD/barril, representando em termos mensais uma queda de 10,9% e de 14,4%, respectivamente.

 A oferta excedentária global, levou ao aumento dos stocks, que associadas às crises financeiras na Grécia e na China, o acordo sobre o programa nuclear entre o Irão e as principais potências, o que culminou com o fim das sanções e um aumento das exportações iranianas de petróleo bruto e o aumento do número de sondas em funcionamento nos EUA, levaram a queda dos preços.

Bens Alimentares

A FAO divulgou novos dados relativos ao seu índice de preços alimentares que foi em média 164,6 pontos em Julho de 2015, o que representa uma queda de 1,80 pontos (ou -1,08%) face aos dados revistos do mês de Junho e 39,68 pontos (-19,42%) abaixo do mês correspondente do ano passado. Os produtos lácteos e os óleos e gorduras foram os responsáveis pela queda do mês de Julho.

A redução da importação de produtos lácteos por parte da China, do Oriente Médio e do Norte da África, além da redução dos preços dos fabricantes de leite na Nova Zelândia numa tentativa de reduzir os stocks, o elevado nível de produção de leite da União Europeia, aumento da produção de óleo de palma no Sudeste Asiático, pelas amplas disponibilidades para exportação de óleo de soja na América do Sul pela perspectiva favorável para o abastecimento de óleo de soja a nível global em 2015/16, e contínua redução dos preços do petróleo, que também pesou sobre o complexo de óleo vegetal, determinaram a quedas dos preços.

II.    DESENVOLVIMENTOS RECENTES DA ECONOMIA NACIONAL

Inflação

Em Julho, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação foi de 1,35%, após uma variação inferior, de 1,25% em Junho. Assim, a inflação homóloga acelerou para 10,41%, tendo a Classe 0 – “Alimentação e Bebidas Não-Alcoólicas”, sido determinante no comportamento da inflação no mês em análise e contribuído com 0,55 p.p. (43,61%) na inflação mensal observada, um valor superior em 0,67 p.p. quando comparado com a contribuição do mês anterior. O Arroz Agulha, Coxas de Frango, Miudezas de Vaca, Tomate e Leite em Pó foram os produtos que mais contribuíram para a Classe 01.
 
Em termos de variação, a Classe 02 - “Bebidas Alcoólicas e Tabaco”, registou a maior variação de preços (1,93%).

A inflação acumulada até ao mês de Julho de 2015 é de 6,97%, um aumento quando comparada com os 4,13% observados no mesmo período de 2014. Ainda de acordo com os índices de preços do INE, os produtos que mais variaram foram a Passagem Nacional de Avião (3,80%), o Arroz agulha (3,59%), e o leite em Pó (2,76%).

Contas Monetárias

No sector monetário, dados relativos a Julho de 2015 mostram que a Base Monetária Restrita, excluindo a Reserva Bancária em Moeda Externa (ME), registou um saldo de Kz 1.439.228,27 milhões, que correspondeu a um aumento mensal de Kz 180.653,13 milhões (14,35%), reflectido no aumento dos Depósitos dos Bancos Comerciais em MN Kz 157.458,20 milhões (18,27%) e das Notas e Moedas em Circulação em Kz 23.194,93 milhões (5,85%). Em termos acumulados, a Base Monetária Restrita, excluindo a Reserva Bancária em Moeda Externa (ME), expandiu em Kz 508.705,12 milhões (54,67%).

As contas monetárias de Julho indicam uma expansão mensal dos depósitos totais do sistema bancário em cerca de Kz 83.070,49 milhões (1,68%), uma expansão do crédito à economia em Kz 83.139,50 milhões (2,67%), uma expansão do crédito do sector privado em Kz 78.991,57 milhões (2,63%) e do crédito às empresas públicas em Kz 3.078,27 milhões (4,07%). Enquanto isso, o agregado monetário mais amplo (M3), composto pelas notas e moedas em circulação, pelos depósitos à ordem e a prazo e pelos outros instrumentos financeiros, aumentou no mês de Julho, em Kz 107.296,04 milhões (ou 2,05%), para Kz 5.350.001,93 milhões, o que traduz num aumento anual de 4,69%.    
 
No Mercado Monetário, as taxas de juros médias ponderadas da subscrição dos Bilhetes do Tesouro (BT’s) com a maturidade de 91 dias diminuíram em 0,10 p.b., ao passo que para a maturidade de 364 dias, aumentaram na ordem de 1,46 p.b., atingindo os 4,40% e 7,00%, respectivamente. Por sua vez, a taxa LUIBOR Overnight aumentou, tendo atingido 12,77% ao ano, e 10,87% e 11,14% nas maturidades de 3 e 12 meses.

No mês em análise, o stock das reservas internacionais brutas reduziram, passando de 25.244,61 Milhões de dólares param os 24.444,72 milhões de dólares, o que representa uma diminuição de 3,17% em termos mensais.

Em Julho, os bancos comerciais adquiriram divisas no valor de USD 1.760 milhões no mercado cambial.

A taxa de câmbio média de referência do Kwanza em relação ao Dólar norte-americano situou-se em 125,776 Kwanzas no final do mês de Julho de 2015.

III.     DECISÕES DO COMITÉ DE POLÍTICA MONETÁRIA

O Comité de Política Monetária (CPM), tendo analisado a evolução dos factores que determinam o comportamento do nível geral de preços, decidiu: 

?    Aumentar a Taxa Básica de Juro - Taxa BNA – de 10,25% para 10,50% ao ano;
?    Aumentar a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez de 11,0% para 12,0% ao ano;
?    Manter a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 0% ao ano.


A próxima reunião ordinária do Comité de Política Monetária terá lugar no dia 28 de Setembro de 2015.