Notas de Imprensa

24 de Novembro de 2014

Comité de Política Monetária

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM) reuniu-se no dia 24 de Novembro, na sua trigésima oitava sessão ordinária, a décima primeira do ano de 2014. Tendo em vista a tomada de medidas de política monetária que concorram para a manutenção da estabilidade de preços na economia nacional, foi analisada a evolução da inflação, da economia real, das contas fiscais e monetárias, bem como a informação recente sobre a conjuntura económica internacional e dos países da SADC. A análise foi feita com base em informação referente ao mês de Outubro do ano corrente.

I.    DESENVOLVIMENTOS RECENTES DAS ECONOMIAS: INTERNACIONAL E REGIONAL

Recentemente, a OCDE divulgou novas previsões do crescimento mundial, apontando para uma variação positiva de 3,3% este ano contra os 3,1% em 2013, prevendo ainda que acelere para os 3,7% em 2015. Apesar de continuarem a registar maiores taxas de crescimento comparativamente às alcançadas pelas economias avançadas, as economias emergentes estão a perder força e, por esta razão, as previsões de crescimento destas economias têm sido revistas em baixa. De forma geral, a OCDE alerta para a falta de dinamismo no comércio, do crédito ao sector privado e, por consequência, do investimento privado, traduzindo-se num fraco crescimento económico. Tal como a OCDE, a Comissão Europeia divulgou as suas previsões económicas de Outono, apresentando resultados ligeiramente em baixa comparativamente às perspectivas anteriores.

Economias Desenvolvidas

As perspectivas para a economia norte-americana são bem mais favoráveis quando comparadas com as da Zona Euro. A Comissão Europeia prevê que o PIB dos EUA cresça 2,2% este ano e melhore significativamente em 2015 para os 3,1%. O menor agravamento fiscal e a prossecução de políticas monetárias acomodatícias poderão contribuir para acelerar a actividade económica norte-americana. Além disso, espera-se que o mercado de trabalho continue a recuperar de forma significativa. Os dados mais recentes registam uma taxa de desemprego de 5,8% em Outubro, estando actualmente abaixo da prevista pela instituição para 2014. Em relação à Zona Euro, a instituição prevê que a actividade cresça apenas 0,8% no final do ano, acelerando para os 1,1% em 2015. A taxa de inflação poderá acelerar para os 0,5% em 2014 e 0,8% em 2015, e a taxa de desemprego deverá continuar a apresentar uma tendência decrescente, embora lenta, alcançando 11,6% em 2014 e 11,3% em 2015. Os indicadores que poderão acelerar a actividade económica dizem respeito à procura interna e externa, uma maior consolidação do sector financeiro, a par dos efeitos das reformas estruturais recentemente aplicadas. No mercado cambial, o Dólar norte-americano voltou a fortalecer-se face às moedas das principais economias: Euro (0,80 p.p.), Libra (1,40 p.p.) e Iene (2,41 p.p.). Por fim, os bancos centrais deste grupo de países decidiram manter as suas taxas de juro de referência no mês de Outubro, todavia a Reserva Federal dos EUA anunciou o fim do seu programa de compras mensais de activos financeiros e o Banco do Japão manteve-o com vista a estimular a actividade económica.

Economias Emergentes

O crescimento económico da região foi recentemente revisto em baixa pela OCDE. Ainda assim, espera-se que a recuperação da actividade nas economias avançadas possa suportar o crescimento das exportações, efeito que poderá ser reduzido pela desaceleração do crescimento da China, pelo impacto da queda dos preços das commodities, condições de financiamento externo mais restritivas e constrangimentos do lado da oferta. Em Outubro de 2014, a inflação anual acelerou 0,30 p.p. na Rússia para os 8,30%, e desacelerou 0,16 p.p. no Brasil para os 6,59%, 0,94 p.p. na Índia para os 5,52%, tendo ficado inalterada na China nos 1,60%. Já no mercado cambial, o Dólar depreciou-se face à Rúpia indiana (0,64%) e ao Renminbi chinês (0,43%), mas apreciou face ao Rublo russo (8,26%) e ao Real brasileiro (1,25%). Relativamente ao mercado monetário, os bancos centrais deste grupo de países assumiram comportamentos distintos, tendo os do Brasil e Rússia decidido aumentar as suas taxas de juro de política em 0,25 p.b. e 1,5 p.b para os 11,25% e 9,50%, respectivamente, de modo a conter as pressões inflacionistas. Já os da China e da Índia mantiveram inalteradas as suas taxas de juro de referência, de 6,0% e 8,0%, respectivamente.

Economias da SADC

Tal como para as economias avançadas e emergentes, a OCDE reviu as perspectivas de crescimento potencial global para valores abaixo das previsões anteriores para 2014 e 2015. Relativamente à inflação, registou-se uma desaceleração na maioria das economias da SADC, tendo desacelerado no Botswana 4,34% (-0,16 p.p.), no Malawi 23,30% (-0,40 p.p.), nas Maurícias 1,90% (-1 p.p.), em Moçambique 2,12% (-0,11 p.p.), na Namíbia 5,00% (-0,30 p.p.), nas Seychelles 0,80% (+0,20 p.p.), na Tanzânia 5,9% (-0,70p.p.), no Zimbabwe 0,10% (-0,10 p.p.) e na Zâmbia 7,90% (+0,10 p.p.). No mercado cambial, o Dólar apreciou-se frente à maioria das moedas, exceptuando as moedas dos países da SACU, ilhas Maurícias e Seychelles. Por seu turno, os bancos centrais da SADC decidiram manter as suas taxas de juro de referência, com excepção do Malawi e de Moçambique.

Commodities

Em Outubro continuou-se a observar quedas nos preços nos mercados das commodities, não só nos preços no petróleo, onde os preços do Brent e do WTI caíram 11,31% para os 88,05 USD/barril e 9,79% para os 84,34 USD/barril, respectivamente, mas também nos preços de outras commodities como os produtos agrícolas, ouro, cobre, ferro, etc. Porém, apesar do carácter diverso dos preços afectados e de uma multiplicidade de factores causadores, alguns pontos comuns apontam como principais responsáveis por esta tendência, nomeadamente, a presente situação de excesso de oferta, especialmente no caso do petróleo, à qual o crescimento da procura não dá sinais de capacidade de resposta, em resultado do abrandamento da economia chinesa e da estagnação na Zona Euro.

Petróleo e Gás Natural

Concretamente, não existem expectativas de aumentos consideráveis no consumo de petróleo no curto e médio prazo, o que se traduz numa pressão decrescente nos preços petrolíferos. Já do lado da oferta, o aumento consistente da produção de xisto de petróleo nos EUA, onde foi alcançado este mês o nível de produção mais elevado nas últimas três décadas, contribuiu para a queda dos preços, com os EUA cada vez mais a aproximar-se de uma situação de independência energética, factor que é ampliado por parte da OPEP que ainda não começou a controlar os preços através do corte da produção. Em relação ao mercado do gás natural, este apresenta-se estável, sendo que apesar de existir pressão descendente proveniente do xisto norte-americano, este é compensada pelo aumento da importação japonesa.

Bens Alimentares

Em relação às commodities alimentares, o índice de preços de alimentos da FAO foi em média 192,3 pontos em Outubro de 2014, situando-se 0,21% abaixo do valor revisto em Setembro. Os preços internacionais dos óleos vegetais e, principalmente, do açúcar, foram compensados pela queda dos preços do leite e carne, enquanto os preços dos cereais mantiveram-se estáveis face ao valor relativamente baixo de Setembro. Especificamente, o índice de preços dos óleos vegetais da FAO subiu, interrompendo a tendência de queda iniciada em Abril de 2014. O óleo de palma contribuiu fortemente para a alteração da tendência devido, sobretudo, ao abrandamento da produção na Malásia e na Indonésia. Os preços das sementes de girassol também subiram, reflectindo as menores colheitas na região do Mar Negro. Comparativamente, o índice de preços do açúcar da FAO registou um aumento, associado a uma menor colheita de cana-de-açúcar do que o esperado em áreas afectadas pela seca no Brasil. No entanto, num contexto de elevada oferta, os preços internacionais do açúcar permanecem mais de 10% abaixo do seu nível em Outubro de 2013.

Contrariamente, o índice de preços dos lacticínios da FAO apresentou uma queda em relação a Setembro. Os preços da manteiga e leite desnatado em pó caíram, enquanto os preços do queijo mantiveram-se inalterados. Igualmente, o índice de preços da carne da FAO diminuiu em Outubro. Os preços da carne bovina e, principalmente, carne de porco caíram, enquanto os preços de carne de aves se mantiveram estáveis e os preços de carne de ovinos apresentaram-se um pouco mais fortes. Os preços da carne de porco têm mostrado sinais de queda desde Julho, com a produção a recuperar em alguns dos países afectados pelo surto de disenteria suína endémica. Além disso, o clima e os preços favoráveis estão a favorecer a melhoria dos bovinos na Austrália e, portanto, a disponibilidade de exportação. Entretanto, o índice de preços dos cereais da FAO manteve-se constante em Outubro após cinco meses de quedas íngremes, ao passo que os preços internacionais do trigo e grãos mantiveram-se estáveis em Outubro, suportado por atrasos das colheitas nos EUA (milho) e as perspectivas de deterioração na Austrália (trigo). Por outro lado, os preços do arroz tendem a abrandar a oferta e a desacelerar as vendas.


II.    DESENVOLVIMENTOS RECENTES DA ECONOMIA NACIONAL


Inflação

Em Outubro, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação foi de 0,68%, após uma variação inferior de 0,63% em Setembro. Igualmente, a inflação homóloga acelerou para 7,48%, tendo a Classe 01 – “Alimentação e Bebidas Não-Alcoólicas” sido determinante no comportamento da inflação no mês em análise, e contribuído com 0,22 p.p. (33,04%) para a inflação mensal observada, um valor inferior em 0,02 p.p. quando comparado com a contribuição do mês anterior. A carne de primeira, a fuba de bombó e o chá preto foram os produtos que mais contribuíram para a variação da Classe 01.

A inflação acumulada até ao mês de Outubro de 2014 situou-se em 6,13%, representando uma diminuição quando comparada com a taxa de 6,34% observada no mesmo período de 2013. Ainda de acordo com os índices de preços do INE, os produtos da cesta básica que mais variaram foram o sabão (1,47%), o óleo de palma (1,14%) e o sal (1,02%).

A Classe 07 – “Transportes”, com 1,63%, foi a que mais variou em Luanda, tendo sido igualmente a classe que mais variou nas demais províncias. Em Luanda, destacaram-se a seguir, as Classes 08 – Comunicações 10 – Educação não registaram variação durante o mês em análise.

No mesmo período, dentre as demais províncias, objecto de recolha oficial do nível geral de preços, por parte do Instituto Nacional de Estatística, a província de Benguela foi a que registou a taxa de inflação mais baixa, isto é, de 0,24%;


Contas Monetárias

No sector monetário, os dados relativos a Outubro de 2014 mostram que a Base Monetária em moeda nacional registou um saldo de Kz 851.099,46 milhões, que correspondeu a uma diminuição mensal de Kz 16.104,88 milhões (1,86%), reflectida na redução dos Depósitos dos Bancos Comerciais em moeda nacional em Kz 19.057,95 milhões (3,90%). Em termos acumulados, (Janeiro a Outubro de 2014), a Base Monetária em moeda nacional expandiu Kz 690,99 milhões (0,08%).

As contas monetárias de Outubro indicam uma expansão mensal dos depósitos totais do sistema bancário em cerca de Kz 156.839,22 milhões (3,54%), uma expansão do crédito à economia em Kz 144.657,02 milhões (4,50%) ao atingir o volume de Kz 3.358 mil milhões, do crédito do sector privado em Kz 144.325,66 milhões (4,61%) e expansão do crédito às empresas públicas em Kz 331,36 milhões (0,41%). Enquanto isso, o agregado monetário mais amplo (M3), composto pelas notas e moedas em circulação, pelos depósitos à ordem e a prazo e pelos outros instrumentos financeiros aumentou, no mês de Outubro, em Kz 164.685,00 milhões (3,45%), para Kz 4.934.173,28 milhões.

No Mercado Monetário, as taxas de juro médias ponderadas da subscrição dos Bilhetes do Tesouro (BT) com a maturidade de 91, 182 e 364 dias aumentaram em 12 p.b., 28 p.b., e em 12 p.b., atingindo 4,88%, 5,43% e 6,18%, respectivamente. Por sua vez, a taxa LUIBOR Overnight aumentou em 28 p.b. ao atingir 4,14% ao ano. Nas maturidades de 3 e 12 meses, as taxa fixaram-se em 7,49% e 9,54%, respectivamente.

No mês em análise, o stock de reservas internacionais brutas situou-se em USD 25.909,35 milhões, representando uma diminuição de 4,32% (USD 1.119,57 milhões), quando comparado com o mês anterior.
No período em referência, os bancos comerciais adquiriram divisas no valor de USD 3.103 milhões no mercado cambial, das quais USD 1.388 milhões ao BNA e o restante aos seus clientes.

A taxa de câmbio média de referência do Kwanza em relação ao Dólar norte-americano situou-se em 99,68 Kwanzas no final do mês de Outubro, representando uma desvalorização de 1,26% face ao mês anterior.


III.    DECISÕES DO COMITÉ DE POLÍTICA MONETÁRIA

Com base na análise efectuada à evolução dos principais indicadores macroeconómicos e a sua perspectiva de evolução, o Comité de Política Monetária (CPM) decidiu manter: 
  • A Taxa Básica de Juro - Taxa BNA - em 9% ao ano;
  • A Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 9,75% ao ano;
  • A Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 1,75% ao ano.
Como medida complementar, e visando garantir a estabilidade de preços, o CPM decidiu ajustar, com efeito a partir de 1 de Janeiro de 2015, o coeficiente das Reservas Obrigatórias em Moeda Nacional, passando o mesmo de 12,5% para 15%, sendo dedutíveis os activos representativos dos desembolsos de crédito concedido aos Sectores da Agricultura e das Pescas.


A próxima reunião ordinária do Comité de Política Monetária terá lugar no dia 22 de Dezembro de 2014.