Notas de Imprensa

27 de Outubro de 2014

Comité de Política Monetária

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM) reuniu-se no dia 27 de Outubro, na sua trigésima sétima sessão ordinária, a décima do ano de 2014. Tendo em vista a tomada de medidas de política monetária que concorram para a manutenção da estabilidade de preços na economia nacional, foi analisada a evolução da inflação, da economia real, das contas fiscais e monetárias, bem como a informação recente sobre a conjuntura económica internacional e dos países da SADC. A análise foi feita com base em informação referente ao mês de Setembro do ano corrente

I.    DESENVOLVIMENTOS RECENTES DAS ECONOMIAS: INTERNACIONAL E REGIONAL

Em Outubro de 2014, o Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou o seu World Economic Outlook(WEO), que reviu em baixa as expectativas de crescimento da economia mundial para os anos de 2014 e de 2015, tal como tinha acontecido na actualização do WEO publicada em Julho. O FMI estima que a economia mundial poderá crescer em 2014, em média 3,3%, contra  3,4% estimado anteriormente. Para 2015, a instituição também reduziu as suas estimativas para o crescimento da economia mundial, apontando agora para um crescimento do PIB de 3,8%, o que corresponde a uma descida de 0,20 p.p. face à anterior publicação. Segundo o FMI, o ritmo de crescimento deverá ser diferente entre as economias mais desenvolvidas e as emergentes. Com efeito, as previsões de crescimento do PIB para as economias mais desenvolvidas são de 1,8% e de 2,3% em 2014 e 2015, respectivamente. Para as economias emergentes, a taxa de crescimento prevista é de 4,4% e 5% para 2014 e 2015 respectivamente.

Economias Desenvolvidas

O contexto económico internacional voltou, em Setembro, a dar sinais de agravamento dos riscos  de recuperação da economia global. No que concerne às economias mais desenvolvidas destaca-se a revisão em baixa das estimativas do crescimento económico na Zona Euro, que deverá apresentar uma taxa de crescimento de 0,8% em 2014, correspondendo a uma descida de 0,30 p.p. face às estimativas anteriores; e no Japão, que deverá registar uma taxa de crescimento de 0,9% em igual período. Enquanto os EUA deverão apresentar uma revisão em alta das estimativas em cerca de 0,50 p.p. para  2,2%. Em Setembro, observou-se uma tendência generalizada de abrandamento do nível geral de preços neste grupo de economias. De acordo com o Eurostat, na Zona Euro a inflação homóloga medida pelo IHPC situou-se em 0,3% em Setembro de 2014, face a 0,4% em Agosto. No mercado cambial, há registo de fortalecimento do Dólar norte-americano e consequente aceleração dos níveis de ganhos nominais anuais em relação ao Euro e ao Iene e redução das perdas nominais em relação à Libra. No que diz respeito à política monetária, com  excepção da Zona do Euro que reduziu as suas taxas de juro de referência para  0,05%, os restantes Bancos Centrais (Fed, BoE e BoJ) optaram pela manutenção das suas taxas de juro directoras. O BCE, na reunião de 4 de Setembro, decidiu reduzir as suas taxas directoras. Assim, a taxa associada às operações principais de refinanciamento desceu em 0,10 pontos percentuais para  0,05%, o que corresponde a um novo mínimo histórico para esta taxa de referência. A taxa para a facilidade permanente de cedência de liquidez, que estava em 0,40%, desceu para  0,30%, enquanto a taxa para a facilidade de depósitos desceu de -0,10% para  -0,20%.

Economias Emergentes

Para as economias dos BRIC, o WEO prevê que em 2014, a taxa de crescimento do PIB seja de 7,40% na China, 5,60% na Índia, 0,30% no Brasil e 0,20% na Rússia, acelerando em 2015 para 6,40% na Índia 1,40% no Brasil e mantendo-se no mesmo patamar na Rússia. Em 2015, espera-se que a economia chinesa desacelere para 7,10% (-0,30 p.p.). Nas economias emergentes, a informação referente ao mês de Setembro revela que a inflação desacelerou na Índia para 6,46% (-1,27 p.p.) e na China para 1,60% (-0,40 p.p.), acelerando na Rússia para 8,0% (+0,40 p.p.) e no Brasil para 6,75% (+0,24 p.p.). No mercado cambial, as moedas de Brasil, Índia e Rússia registaram depreciações face ao Dólar norte-americano, contrariamente a moeda chinesa que apreciou-se face à moeda norte-americana em 0,07% para  6,14 USD/Renminbi. Todos os bancos centrais deste grupo de países decidiram, sem excepção, em Setembro, manter as suas taxas de juro directoras.

Economias da SADC

O crescimento económico da região da SADC deverá manter-se moderadamente robusto, 3,2% em 2014 e 4,1% 2015, suportado em parte por fluxos de capitais estrangeiros orientados para sectores de exploração de recursos naturais e para o desenvolvimento de infra-estruturas, assim como por um melhor contexto externo que deverá beneficiar as exportações da região. Contudo, as perspectivas têm sido revistas em baixa, reflectindo uma trajectória menos favorável na África do Sul, onde os constrangimentos no mercado de trabalho continuam a pesar. No entanto, é de destacar o crescimento do PIB na RDC com 8,6% em 2014 e 8,5% em 2015. Em Setembro, o comportamento da inflação nos países da região, acelerou apenas em Angola 0,14 p.p. para  7,19%, e desacelerou para as restantes economias: Botswana 0,10 p.p. para  4,5%, Malawi 0,80 p.p. para  23,7%, Maurícias 0,90 p.p. para  2,9%, Moçambique 0,41 p.p. para  2,23%, Namíbia 0,10 p.p. para  5,3%, Seychelles 0,20 p.p. para  0,6%, Tanzânia 0,10 p.p. para  6,6%, Zâmbia 0,20 p.p. para  7,8% e Zimbabwé 0,10 p.p. para  0,10%. Ainda em Setembro, todas as moedas da região observaram perdas nominais face ao Dólar norte-americano, com destaque para a taxa de câmbio do Rand sul-africano face ao Dólar que registou a maior variação ao depreciar-se 5,74%. Finalmente, os Bancos Centrais da SADC decidiram manter as suas taxas de juro de referência.

Commodities

Os preços das commodities apresentaram um declínio significativo em Setembro. Os preços das commodities energéticas caíram, sobretudo assente na queda dos preços de petróleo bruto. Os preços das commodities não-energéticas também caíram, com os metais e agricultura a exibirem quedas de preço entre a maioria das suas componentes. As perspectivas de colheitas abundantes continuam a baixar os preços agrícolas, que atingiram mínimos de vários anos.

Petróleo e Gás Natural

Em Setembro, os preços médios de petróleo registaram uma queda quando comparado com o mês anterior, tendo o Brent se situado em 98,78 dólares por barril, (-4,57%), e o WTI passado  para 93,01 dólares por barril (- 3,24%). A fraca procura e o excesso de oferta, particularmente na bacia do Atlântico, os dados desanimadores das economias europeias, o fraco crescimento da produção industrial chinesa, os dados negativos da produção industrial dos EUA, a apreciação do dólar e o prolongado período de manutenção das refinarias e queda dos preços da gasolina, estão a pressionar negativamente os preços. O preço do gás natural aumentou 1,37%, influenciado pelo aumento da procura na reposição dos stocks, devido a temperaturas mais quentes comparativamente aos últimos 30 anos, o que leva a maior consumo de gás.

Bens Alimentares

O Índice de Preços de Alimentos da FAO foi em média de 191,5 pontos em Setembro de 2014, uma queda de 5,2 pontos (2,6%) face a Agosto de 2014. A descida de Setembro, que representou a sexta queda mensal consecutiva, trouxe o valor do índice para o menor nível desde Agosto de 2010. A queda em Setembro é considerada a queda contínua mais longa desde o final da década de 1990. Entre os sub-índices, o açúcar e os lacticínios foram os que registaram maiores quedas, seguido dos cereais e óleos, enquanto a carne manteve-se constante. Concretamente, os preços dos produtos lácteos que integram o sub-índice caíram, especialmente o leite em pó desnatado. O contínuo declínio nos preços reflecte as abundantes disponibilidades exportadas, sobretudo na Oceânia. Além disso, as sanções económicas da União Europeia (UE) impostas à Rússia, resultou no aumento da produção de manteiga e de leite em pó desnatado na UE. Por outro lado, a queda nos preços do leite desnatado tem estimulado a produção de leite em pó integral. Nos últimos meses, grandes perspectivas na oferta e expectativas de que a produção mundial em 2014/15 exceda o consumo continuaram a pôr pressão sobre os preços internacionais do açúcar, provocando uma queda nos preços médios em Setembro para o menor nível desde Janeiro. Por fim, os preços da carne estão em níveis historicamente altos e a ausência de variação este mês pode indicar que, em geral, eles atingiram um pico. Enquanto os preços de carne bovina continuam elevados, reflectindo principalmente um aumento dos preços de exportação da Austrália, o preço médio para as aves permaneceu estável, enquanto os preços de carne ovina caíram ligeiramente.

II.    DESENVOLVIMENTOS RECENTES DA ECONOMIA NACIONAL

Inflação

Em Setembro, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação foi de 0,63%, após uma variação inferior de 0,60% em Agosto. Igualmente a inflação homóloga acelerou para 7,19%, tendo a Classe 01 – “Alimentação e Bebidas Não-Alcoólicas”, sido determinante no comportamento da inflação no mês em análise, e contribuído com 0,24 p.p. (37,31%) para a inflação mensal observada, um valor inferior em 0,01 p.p. quando comparado com a contribuição do mês anterior. As miudezas de vaca, a carne de primeira e o carapau fresco ou congelado foram os produtos que mais contribuíram para a variação da Classe 01.

Em termos de variação, a Classe 03 - “Vestuário e Calçado”, registou a maior variação de preços (1,23%). As Classes 08 – Comunicações 10 – Educação não registaram variação durante o mês em análise.

A inflação acumulada até ao mês de Setembro de 2014 situou-se em 5,42%, uma diminuição quando comparada com 5,91% observada no mesmo período de 2013. Ainda de acordo com os índices de preços do INE, os produtos da cesta básica que mais variaram foram a fuba de milho (0,78%), a massa alimentar (0,66%) e o sabão (0,65%).

Contas Monetárias

No sector monetário, dados relativos a Setembro de 2014 mostram que a Base Monetária em moeda nacional registou um saldo de Kz 867.204,34 milhões, que correspondeu a um aumento mensal de Kz 23.257,21 milhões (2,76%), reflectida no aumento dos Depósitos dos Bancos Comerciais em moeda nacional em Kz 34.319,49 milhões (7,56%). Em 2014 (Janeiro – Setembro), a Base Monetária em moeda nacional expandiu em Kz 16.795,87 milhões (1,98%).

As contas monetárias de Setembro indicam uma contracção mensal dos depósitos totais do sistema bancário em cerca de Kz 61.642,14 milhões (1,36%), uma contracção do crédito à economia em Kz 91.187,71 milhões (2,76%), do crédito do sector privado em Kz 87.964,70 milhões (2,73%) e contracção do crédito às empresas públicas em Kz 3.223,01 milhões (3,83%). Enquanto isso, o agregado monetário mais amplo (M3), composto pelas notas e moedas em circulação, pelos depósitos à ordem e a prazo e pelos outros instrumentos financeiros, diminuiu no mês de Setembro, em Kz 75.047,95 milhões (1,54%), para Kz 4.791.249,84 milhões.

No Mercado Monetário, as taxas de juro médias ponderadas da subscrição dos Bilhetes do Tesouro (BT’s) com a maturidade de 91, 182 e 364 dias aumentaram em 50 p.b., 51 p.b., e em 18 p.b., atingindo 4,76%, 5,15% e 6,06%, respectivamente. Por sua vez, a taxa LUIBOR Overnight aumentou em 23 p.b. ao atingir 3,86% ao ano. Nas maturidades de 3 e 12 meses, a taxa fixou-se em 7,32% e 9,52%, respectivamente.

No mês em análise, o stock de reservas internacionais brutas situou-se em USD 28.769,15 milhões, representando uma diminuição de 0,20% (USD 59,08 milhões), quando comparado com o mês anterior.

A taxa de câmbio média de referência do Kwanza em relação ao Dólar norte-americano situou-se em 98,32 Kwanzas no final do mês de Setembro.

III.    DECISÕES DO COMITÉ DE POLÍTICA MONETÁRIA

Depois de analisada a evolução dos principais indicadores macroeconómicos, o Comité de Política Monetária concluiu que deve implementar medidas de política monetária de forma a atenuar  a alta dos preços relativos da economia. Sendo assim, decidiu: 
  • Aumentar a Taxa Básica de Juro - Taxa BNA - de 8,75% ao ano para 9% ao ano;
  • Manter a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 9,75% ao ano;
  • Manter a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 1,75% ao ano.
A próxima reunião ordinária do Comité de Política Monetária terá lugar no dia 24 de Novembro de 2014.