Notas de Imprensa

29 de Setembro de 2014

Comité de Política Monetária

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM) reuniu-se no dia 29 de Setembro, na sua trigésima sexta sessão ordinária, a nona do ano de 2014. Tendo em vista a tomada de medidas de política monetária que concorram para a manutenção da estabilidade de preços na economia nacional, foi analisada a evolução da inflação, da economia real, das contas fiscais e monetárias, bem como a informação recente sobre a conjuntura económica internacional e dos países da SADC. A análise foi feita com base em informação referente ao mês de Agosto do ano corrente.

I. DESENVOLVIMENTOS RECENTES DAS ECONOMIAS: INTERNACIONAL E REGIONAL

Em Setembro, a OCDE, reviu as  previsões de crescimento para as principais economias mundiais, onde o grupo composto pelas economias da OCDE deverá crescer 1,8% este ano e 2,0% no ano de 2015. O modesto crescimento projectado para 2014, é atribuído às questões geopolíticas, alteração da política monetária nos EUA, consubstanciada no fim das medidas de estímulos monetárias de carácter extraordinário , em conjunto com o aumento das taxas de juros, que pode causar uma fuga de capitais nas economias emergentes para mercados mais seguros (economias desenvolvidas) e a redução do consumo mundial.

Economias Desenvolvidas

Depois de ter recuperado de uma queda no 1.º trimestre e uma nova redução da taxa de desemprego em Agosto de 6,20% para  6,10%, a OCDE prevê que o PIB dos EUA cresça 2,1% em 2014 e 3,1% em 2015. Já o Japão, que está a sofrer um impacto negativo maior do que o esperado, devido ao aumento dos impostos sobre as vendas em Abril, deverá crescer apenas 0,9% em 2014 e 1,10% em 2015. Na Zona Euro, o crescimento económico continua lento prevendo-se apenas 0,8% no final deste ano e 1,10% em 2015. A lenta melhoria do mercado de trabalho, o risco de deflação e as necessidades de recapitalização do sector bancário, continuarão a condicionar o crescimento da Zona Euro em 2015, estando previsto que ele seja ligeiramente superior a 1,1%. No mês de Agosto, a inflação acelerou para  1,70% (-0,30.p.p) nos EUA, voltou a situar-se em 0,40% na Zona Euro e 1,50% no Reino Unido (-0,10 p.p.). No mercado cambial, em Agosto, o Dólar dos EUA registou uma apreciação em relação à Libra, Iene e  Euro e os bancos centrais mantiveram as suas taxas directoras. No entanto no início de Setembro, o BCE decidiu reduzir a sua taxa directora em 10 p.b., para  0,05%.

O relatório mais recente da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) indica que, para os países emergentes, as perspectivas de crescimento foram revistas, prevendo-se para a China uma taxa de crescimento do PIB de 7,40% para este ano e de 7,30% em 2015; para o Brasil um crescimento de 0,30% em 2014 e de 1,40% em 2015 e para a Índia um crescimento de 5,7% neste ano e de 5,9% em 2015. Em Agosto 2014, a inflação anual acelerou no Brasil (0,01 p.p.) para  6,51%, Rússia (0,10 p.p.) para  7,60%, e desacelerou na Índia (-0,16 p.p.) para  7,80% e na China (-0,30 p.p.) para  2,00%. No mercado cambial, o Dólar norte-americano depreciou-se face à Rúpia Indiana (0,07%), ao Renminbi Chinês (0,49%) e ao Real Brasileiro (1,23%), mas apreciou-se face ao Rublo Russo (3,93%). Já os bancos centrais deste grupo de economias decidiram manter as suas taxas de juro directoras.

Economias da SADC

Em Agosto, nas economias da SADC, a inflação acelerou em Angola (7,05%), no Botswana (4,60%), no Malawi (24,50%), nas Maurícias (3,80%), na África do Sul (6,40%), na Tanzânia (6,70%) e na Zâmbia (8,0%), tendo desacelerado na Namíbia (5,40%); Zimbabué (0,20%); Seychelles (0,80%), Moçambique (2,63%). Relativamente ao mercado cambial, registou-se no geral, uma depreciação anual das moedas das economias da região face ao Dólar norte-americano, com excepção das moedas da SACU, Zâmbia e RDC.

Os bancos centrais da região decidiram manter inalteradas as suas taxas directoras, com excepção da Namíbia e Suazilândia que elevaram as suas taxas directoras em 0,25 p.p para 6% e 5,75% respectivamente.

Commodities

Petróleo e Gás Natural


Em Agosto, os preços médios de petróleo registaram um aumento quando comparado com o mês anterior, tendo o Brent se situado em 103,4 dólares por barril, (-4,52%); as Ramas angolanas nos 98,17 dólares por barril; e o WTI passou para 96,08 dólares por barril (-2,65%). A queda dos preços futuros do petróleo foi causada pela reduzida procura global de petróleo ao longo dos últimos meses, numa altura em que a oferta é excedentária no Oeste Africano, nos mercados europeus e nos asiáticos e espera-se ainda por um aumento da oferta, com a retoma da produção da Líbia.

Para além disso, observou-se um atenuar das tensões geopolíticas no Médio Oriente e na Ucrânia e foi divulgado uma desaceleração do sector de serviços da China em Julho, menor nível em quase nove anos, indicando que a recuperação da economia como um todo é ainda frágil e pode necessitar de mais apoio do Governo chinês.
Os preços do gás natural aumentaram em Agosto (5,67%), influenciados pela proximidade do mês de Setembro e início da época fria em várias regiões do hemisfério norte.

Bens Alimentares

O índice dos preços dos alimentos da FAO foi em média 196,6 pontos em Agosto de 2014, o menor nível desde Setembro de 2010. Em Agosto, o índice registou a sua quinta queda consecutiva mensal, inferior em 7,3 pontos (ou 3,6%) em relação a Julho e 7,9 pontos (ou 3,9%) desde Agosto 2013. Excepto em relação à carne, todos os outros sub-índices de alimentos caíram acentuadamente em Agosto, com os produtos lácteos a apresentarem a maior queda, seguido dos óleos e do açúcar. O índice de preços dos cereais está a cair continuamente desde Maio, em grande parte, devido a excelentes perspectivas de colheitas e ofertas abundantes de trigo. A produção mundial pesou sobre os preços internacionais de trigo que deslizaram em Agosto, para o seu valor mais baixo desde Julho de 2010.

O declínio do preço dos produtos lácteos reflecte tanto o aumento das exportações como a redução das importações. As exportações aumentaram na UE e as condições são favoráveis para a nova temporada na Oceânia. A tendência predominante para uma queda dos preços foi ainda potenciada pela proibição na Federação Russa, no início do mês, de importação de produtos lácteos de vários países. Por seu turno, o índice de preços dos óleos vegetais reduziu, reflectindo o comportamento de preços de óleo de palma, que diminuíram devido ao efeito combinado de melhores perspectivas de produção no Sudeste Asiático e por uma diminuição da procura, principalmente da China e da Índia.

A queda do índice de preços do açúcar foi provocada pela melhoria das perspectivas de produção na Índia, o segundo maior produtor de açúcar do mundo, bem como na UE e na Federação Russa. Além disso, informações de que as importações foram menores do que as esperadas na China pesaram negativamente sobre os preços internacionais. Por fim, o aumento do índice de preços da carne reflectiu principalmente uma forte subida dos preços da carne bovina na Austrália, tendo registado uma redução das exportações e um nível elevado de importações provenientes na China.

II.    DESENVOLVIMENTOS RECENTES DA ECONOMIA NACIONAL

Inflação

Em Agosto, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação foi de 0,60%, após uma variação superior de 0,61% em Julho. Igualmente a inflação homóloga acelerou para 7,05%, tendo a Classe 01 – “Alimentação e Bebidas Não-Alcoólicas”, sido determinante no comportamento da inflação no mês em análise, e contribuído com 0,25 p.p. (41,78%) para a inflação mensal observada, um valor superior em 0,05 p.p. quando comparado com a contribuição do mês anterior. As miudezas de vaca, a carne de primeira e o Frango congelado foram os produtos que mais contribuíram para a variação da Classe 01.

Em termos de variação, a Classe 03 - “Vestuário e Calçado”, registou a maior variação de preços (1,41%). As classes que menos variaram foram a Classe 08 – Comunicações (0,00%) e a Classe 10 – Educação.

A inflação acumulada até ao mês de Agosto de 2014 situou-se em 4,75%, uma diminuição quando comparada com 5,38% observada no mesmo período de 2013. Ainda de acordo com os índices de preços do INE, os produtos da cesta básica que mais variaram foram o sabão (1,53%), o açúcar (1,15%) e a massa alimentar (0,97%).

Contas Monetárias


No sector monetário, dados relativos a Agosto de 2014 mostram que a Base Monetária em moeda nacional registou um saldo de Kz 843.947,13 milhões, que correspondeu a uma diminuição mensal de Kz 9.602,14 milhões (1,12%), reflectida na diminuição das Notas e Moedas em Circulação em Kz 1.612,30 milhões (0,41%) e dos Depósitos dos Bancos Comerciais em moeda nacional em Kz 7.989,84 milhões (1,73%). Em 2014 (Janeiro – Agosto), a Base Monetária em moeda nacional contraiu em Kz 6.461,34 milhões (0,76%).

As contas monetárias de Agosto indicam uma expansão mensal dos depósitos totais do sistema bancário em cerca de Kz 109.014,59 milhões (2,47%), uma expansão do crédito à economia em Kz 9.550,28 milhões (0,29%), do crédito do sector privado em Kz 73.585,03 milhões (2,34%) e contracção do crédito às empresas públicas em Kz 64.034,75 milhões (43,21%). Enquanto isso, o agregado monetário mais amplo (M3), composto pelas notas e moedas em circulação, pelos depósitos à ordem e a prazo e pelos outros instrumentos financeiros, aumentou, no mês de Agosto, em Kz 103.442,79 milhões (2,17%), para Kz 4.866.382,45 milhões.

No Mercado Monetário, as taxas de juro médias ponderadas da subscrição dos Bilhetes do Tesouro (BT’s) com a maturidade de 91, 182 e 364 dias aumentaram em 12 p.b., 22 p.b., e em 02 p.b., atingindo 4,27%, 4,64% e 5,89%, respectivamente. Por sua vez, a taxa LUIBOR Overnight aumentou em 32 p.b. ao atingir 3,63% ao ano. Nas maturidades de 3 e 12 meses, a taxa fixou-se em 7,24% e 9,52%, respectivamente.

No mês em análise, o stock de reservas internacionais brutas situou-se em USD 28.828,23 milhões, representando uma diminuição de 5,41% (USD 1.649,37 milhões), quando comparado com o mês anterior.

A taxa de câmbio média de referência do Kwanza em relação ao Dólar norte-americano situou-se em 97,61 Kwanzas no final do mês de Agosto.

III.    DECISÕES DO COMITÉ DE POLÍTICA MONETÁRIA


Com base na análise efectuada à evolução dos principais indicadores macroeconómicos e a sua perspectiva de evolução, o Comité de Política Monetária decidiu manter: 
  • A Taxa Básica de Juro - Taxa BNA - em 8,75% ao ano;
  • A Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 9,75% ao ano;
  • A Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 1,75% ao ano.

A próxima reunião ordinária do Comité de Política Monetária terá lugar no dia 27 de Outubro de 2014.


Luanda, 29 de Setembro 2014.