Notas de Imprensa

25 de Junho de 2014

Comité de Política Monetária

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM) reuniu-se no dia 24 de Junho, na sua trigésima terceira sessão ordinária, a sexta do ano de 2014.

Com vista à tomada de medidas de política monetária que concorram para a manutenção da estabilidade de preços na economia nacional, foi analisada a evolução da inflação, da economia real, das contas fiscais e monetárias, bem como a informação recente sobre a conjuntura económica internacional, incluindo a da região SADC. A análise foi feita com base em informação referente ao mês de Maio de 2014.

I.    DESENVOLVIMENTOS RECENTES DAS ECONOMIAS: INTERNACIONAL E REGIONAL

O Banco Mundial (BM) reduziu, em Junho, as previsões de crescimento para a economia mundial em 2014. As condições climatéricas adversas nos EUA no início do ano que penalizaram o crescimento económico no 1.º trimestre de 2014, e a desaceleração do crescimento económico impulsionaram esta revisão. A nova previsão de crescimento da economia mundial para 2014 é de 2,8% (contra 3,2% apontados em Janeiro), seguida de avanços de 3,4% e 3,5% nos anos seguintes, de acordo com o comunicado de imprensa relativo ao "Global Economic Prospects" divulgado a  10 de Junho. As economias mais avançadas vão contribuir com cerca de metade do crescimento global em 2015 e 2016, percentagem inferior em 40% relativamente a 2013.

Economias Desenvolvidas

A economia norte-americana contraiu mais do que o esperado no 1.º trimestre de 2014 (de 2,3% para 2,0%). Contudo os novos dados sugerem que, no 2.º trimestre, o crescimento económico poderá ser mais forte. Entretanto na Zona Euro, o crescimento do produto no 1.º trimestre foi decepcionante, tendo registado um crescimento de 0,2% em cadeia e 0,9% face ao período homólogo do ano anterior. Já no Reino Unido e no Japão, o PIB real registou um crescimento de 3,1% e 3,0% no 1.º trimestre de 2014 face ao período homólogo. No primeiro caso, o Reino Unido apresentou o ritmo mais elevado desde 2007, assente numa aceleração do investimento empresarial, enquanto no segundo caso, a economia japonesa beneficiou da aceleração do consumo, em antecipação ao aumento da taxa de imposto sobre o consumo de 5% para 8%.

No mês de Maio, apenas o iene se valorizou perante o dólar norte-americano, tendo o euro registado uma perda em relação a esta última moeda, e a inflação acelerado para  2,10% (+0,1.p.p) nos EUA, desacelerado na Zona Euro para  0,5% (-0,2 p.p.) e Reino Unido para  1,5% (-0,3 p.p.).

No período em análise, os bancos centrais das economias avançadas mantiveram as suas taxas de juro de referência. Entretanto, no início de Junho, o BCE decidiu reduzir a sua taxa directora em 10 p.b. para  0,15%. A autoridade monetária também decidiu colocar a taxa de depósitos em -0,10% querendo isto dizer que os bancos que depositem dinheiro junto do BCE passam a pagar juros, em vez de receberem. Com esta medida o BCE tenta incentivar as instituições financeiras a retirarem o dinheiro da autoridade e financiarem a economia. O BCE vai ainda apresentar outras medidas, que podem passar por estímulos ao crédito às PME.

Economias Emergentes

No mês de Junho, foram divulgadas as estatísticas referentes ao crescimento no 1.º trimestre de 2014 do Brasil e da Índia, apresentando taxas de 1,90% e 4,60% respectivamente. Na China e na Rússia mantém-se a preocupação com o crescimento económico, uma vez que o PMI industrial e de serviços continua abaixo dos 50 pontos.

Em Maio de 2014, a inflação anual acelerou no Brasil, Rússia e China para  6,37% (+0,09 p.p), 7,60% (0,30 p.p.) e 2,50% (+0,70 p.p.), respectivamente, enquanto que os preços desaceleraram na Índia 0,31 p.p. para  8,28%.

No mercado cambial, o Dólar norte-americano depreciou-se face à Rúpia indiana, ao Rublo russo e ao Renminbi chinês, e apreciou-se face  ao Real brasileiro. O movimento de depreciação do Real foi resultado do fraco crescimento do PIB no 1º trimestre de 2014, da menor intervenção do Banco Central do Brasil, da queda de confiança do consumidor medido pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), que caiu 3,3% em Maio, atingindo o menor nível desde Abril de 2009.

No mês em análise, os bancos centrais mantiveram as taxas de referência, em 11% para o Brasil, 7,5% para a Rússia, 8,0% para a Índia e 6,0% para a China. Contudo, a China anunciou medidas de política monetária que visam aumentar a oferta de moeda. Em Junho de 2014, a Reserva Federal da Índia reduziu o montante exigido dos valores em títulos do governo que os bancos comerciais deviam manter no Banco Central - a Reserva Estatutária de Liquidez foi reduzida em 50 p.b. para  22,5%, com o objectivo de aumentar o crédito bancário e reduzir a liquidez cedida ao abrigo do mecanismo de refinanciamento de crédito à exportação de 50% para 32%.

Economias da SADC

Em Maio de 2014, de acordo com  dados disponíveis, a taxa de inflação teve um comportamento misto na região da SADC: desacelerou 0,80 p.p nas Ilhas Maurícias para  3,40% e Seychelles para  1,40%, Angola 0,27 p.p. para  6,95% e Malawi 1,30 p.p. para  22,60%. Por outro lado, acelerou na África do Sul 0,5 p.p. para  6,60%, Moçambique 0,04 p.p. para  2,91%, Namíbia 0,20 p.p. para  6,10% e Tanzânia 0,20 para  6,5%; e não variou no Botswana (4,50%) e na Zâmbia (7,80%).

No mesmo período de análise, as taxas de câmbio das principais moedas dos países da SADC depreciaram-se face  ao Dólar norte-americano, devido à expectativa de que os capitais continuem a voltar para a economia dos EUA, gerando uma redução da oferta de dólares, que aliada à queda das exportações em alguns países e à dependência das importações, elevou a liquidez nas moedas nacionais.

No geral, os bancos centrais dos países da região mantiveram as suas taxas de juros directoras e a política monetária manteve-se inalterada.

Commodities

O mercado das commodities, no mês de Maio do corrente ano, ficou marcado pelas tensões na Líbia, pela apreciação do Dólar norte-americano, pelo crescimento do sector industrial da China, pela desaceleração da economia mundial, pelo elevado nível dos stocks dos EUA no Golfe do México, também pelo alívio do conflito entre a Ucrânia e a Rússia e pela queda do Índice Geral dos preços dos Alimentos da FAO, impulsionada pela redução do Índice de preços dos Lacticínios, Óleos e Gorduras e dos Cereais.

Petróleo

Em Maio, os preços médios de petróleo registaram um aumento quando comparado com o mês anterior, tendo o Brent e as Ramas angolanas se situado em 109,15 e 108,06 dólares por barril, mais 0,91% e 1,68%, respectivamente; e o WTI passou a 101,72  dólares por barril (-0,33%).

A subida do preço do Brent foi impulsionada por rupturas de abastecimento na Líbia e pelos dados do sector industrial que acelerou no final do mês de Maio, particularmente na China.
Em sentido oposto, os preços do WTI caíram ligeiramente, devido à desaceleração da economia global (revisão em baixa dos dados dos EUA), pelo alto nível dos stocks dos EUA na Costa do Golfe (USGC) e também pela diminuição da tensão geopolítica na Ucrânia. O acordo internacional celebrado em Genebra com vista a uma solução pacífica para a crise ucraniana atenuou a escalada dos preços do ouro negro.

Registou-se um relativo sucesso das negociações entre a Ucrânia e a Rússia no que respeita ao pagamento da dívida do fornecimento de gás, nomeadamente em relação ao preço a praticar por cada unidade de gás russo consumido pelos ucranianos, e que implicaria o pagamento imediato de 2 mil milhões de dólares. Todavia, o preço do gás natural fechou em queda comparativamente com o mês de Abril. No final do mês o preço gás natural caiu para  4,54 MMbut/dólares, correspondendo a uma queda de 5,77%.

Bens Alimentares

O Índice de Preços dos Alimentos da FAO caiu pelo segundo mês consecutivo, situando-se em média em 207,8 pontos em Maio de 2014, uma queda de 2,5 pontos (ou 1,2%) face ao mês de Abril, e quase 7 pontos, ou 3,2% em relação a Maio de 2013. A queda do índice foi impulsionada pelas reduções dos Índice de Preços dos Lacticínios (-5,13%), dos Óleos e Gorduras (-1,87%) e dos Cereais (-1,17%).

A queda dos preços dos Lacticínios deveu-se à melhoria das perspectivas de produção e redução das compras, uma vez que os compradores estão a adquirir apenas para as necessidades imediatas, aguardando por novas quedas nos preços.

Os preços dos Óleos e Gorduras caíram devido ao aumento da produção no Sudeste Asiático e à apreciação da moeda malaia (que afectaram o preço do óleo de palma), assim como a queda do preço do óleo de soja causada pela melhoria das previsões de produção de soja para 2014/15, pelo aumento das disponibilidades globais de exportação e pela perspectiva de uma produção record na União Europeia.

A queda dos preços dos Cereais em Maio foi principalmente desencadeada pela queda dos preços do milho, em resposta a condições favoráveis de produção e a boas perspectivas de colheita em 2014/15; além da redução dos preços do trigo (que estavam em alta no início da Primavera nos EUA e devido às tensões na Ucrânia, mas diminuíram durante a segunda metade do mês) com as condições meteorológicas a melhorarem nos EUA.

O índice de preço do Açúcar aumentou (3,7%) por via das previsões de uma possível queda de produção, devido a factores climáticos (El Niño). O preço da Carne ficou quase inalterado em Maio: a preocupação de que a exportação de carne suína continue a ser restringida por um surto de vírus suíno nos EUA, fez com que os preços de carne suína subissem. Os preços da carne ovina subiram sazonalmente.

II.    DESENVOLVIMENTOS RECENTES DA ECONOMIA NACIONAL


Inflação

Em Maio, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação foi de 0,62%, após uma variação inferior de 0,51% em Abril. Ainda assim, a inflação homóloga retrocedeu para 6,95%, tendo a Classe 01 – “Alimentação e Bebidas Não-Alcoólicas”, sido determinante no comportamento da inflação no mês em análise, e contribuído com 0,24 p.p. (39,00%) para a inflação mensal observada, um valor inferior em 0,03 p.p. quando comparado com a contribuição do mês anterior. A Coxa de Frango, o Carapau seco e as Miudezas de vaca foram os produtos que mais contribuíram para a Classe 01.

Em termos de variação, a Classe 12 - “Bens e Serviços Diversos” registou a maior variação de preços (1,72%).

A inflação acumulada até ao mês de Maio de 2014 situou-se em 2,91%, uma diminuição quando comparada com 3,62% observado no mesmo período de 2013. Ainda de acordo com os índices de preços do INE, os produtos da cesta básica que mais variaram foram a Carne seca de vaca (2,02%), o Sabão (1,05%) e o Açúcar branco (0,44%).

Contas Monetárias

No sector monetário, dados relativos a Maio de 2014 mostram que a Base Monetária em moeda nacional registou um saldo de Kz 840.785,60 milhões, que correspondeu a um aumento mensal de Kz 27.071,21 milhões (3,33%), reflectido no aumento das Notas e Moedas em Circulação Kz 2.775,47 milhões (0,76%) e nos Depósitos dos Bancos Comerciais em moeda nacional que aumentaram em Kz 24.295,74 milhões (5,44%). Em termos acumulados, a Base Monetária em moeda nacional contraiu em Kz 9.622,87 milhões (1,13%).

As contas monetárias de Maio indicam uma contracção mensal dos depósitos totais do sistema bancário em cerca de Kz 21.852,32 milhões (0,48%), uma expansão do crédito à economia em Kz 37.678,97 milhões (1,22%), do crédito do sector privado em Kz 36.458,94 milhões (1,22%) e do crédito às empresas públicas em Kz 1.220,03 milhões (1,22%). Enquanto isso, o agregado monetário mais amplo (M3), composto pelas notas e moedas em circulação, pelos depósitos à ordem e a prazo e pelos outros instrumentos financeiros, diminuiu, no mês de Maio, em Kz 14.322,07 milhões (0,29%), para Kz 4.882.331,29 milhões.

No Mercado Monetário, as taxas de juros médias ponderadas da subscrição dos Bilhetes do Tesouro (BT’s) com a maturidade de 91 dias diminuíram em 12 p.b., ao passo que para a maturidade de 364 dias diminuíram em 04 p.b., atingindo  3,71% e 4,84%, respectivamente. Por sua vez, a taxa LUIBOR Overnight diminuiu em 10 p.b. ao atingir 2,96% ao ano. Nas maturidades de 3 e 12 meses, a taxa fixou-se em 7,33% e 9,60%, respectivamente.

No mês em análise, o stock de reservas internacionais brutas situou-se em USD 32.098,82 milhões, representando uma diminuição de 0,79% (USD 257,11 milhões), quando comparado com o mês anterior.

Em Maio, os bancos comerciais adquiriram divisas no valor de USD 2.861 milhões no mercado cambial.

A taxa de câmbio média de referência do Kwanza em relação ao Dólar norte-americano situou-se em 97,66 Kwanzas no final do mês de Maio.

III.     DECISÕES DO COMITÉ DE POLÍTICA MONETÁRIA


Da análise efectuada, o Comité de Política Monetária, decidiu manter:
  • A Taxa Básica de Juro - Taxa BNA – em 9,25% ao ano;
  • A Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 10% ao ano;
  • A Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 1,75% ao ano.
A próxima reunião do Comité de Política Monetária terá lugar no dia 28 de Julho de 2014.