Notas de Imprensa

26 de Maio de 2014

Comité de Política Monetária

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM/BNA) reuniu-se no dia 26 de Maio, na sua trigésima segunda sessão ordinária, a quinta do ano de 2014. Com vista à tomada de medidas de política monetária que concorram para a manutenção da estabilidade de preços na economia nacional, foi analisada a evolução da inflação, da economia real, das contas fiscais e monetárias, bem como a informação recente sobre a conjuntura económica internacional e dos países da SADC. A análise foi feita com base em informação referente ao mês de Abril do ano corrente.

I.    DESENVOLVIMENTOS RECENTES DAS ECONOMIAS: INTERNACIONAL E REGIONAL

Em Abril de 2014, o Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou as suas previsões tendo revisto, ligeiramente em baixa o crescimento económico mundial para 3,6% em 2014 (menos 0,10 p.p. relativamente a Janeiro de 2014), mantendo o crescimento da actividade para 2015 em 3,9%, assente no desempenho abaixo das expectativas nas principais economias emergentes. Na mesma senda, em Maio, a OCDE prevê que em 2014 a economia mundial cresça 3,4% (mais 0,2 p.p. relativamente às previsões anteriores) e que o crescimento acelere para 3,9% em 2015, enquanto que nos 34 países membros da organização, se espera um crescimento do PIB de 2,2% para este ano e 2,8% em 2015.

Economias Desenvolvidas


Em Maio, foi divulgado o crescimento do PIB referente ao 1.º trimestre de 2014, que aponta para taxas de crescimento de 2,3%, 0,9%, 3,1% e 3,0% para os EUA, Zona Euro, Reino Unido e Japão, respectivamente. De acordo com os dados apresentados, apenas a economia inglesa e japonesa registaram aceleração no ritmo da actividade económica (em 0,4 p.p. e 0,5 p.p., respectivamente), tendo o crescimento nos EUA e na Zona Euro ficado aquém das expectativas.

Os dados económicos de Abril indicam que relativamente à inflação dos últimos 12 meses, se observou uma aceleração na Zona Euro em 0,2 p.p. (para 0,7%), nos EUA em 0,5 p.p. (para 2,0%) e no Reino Unido 0,2 p.p. (para 1,8%). Já no mercado cambial, o dólar norte-americano depreciou-se no mês face ao Euro (0,68%) e Libra esterlina (1,14%) e apreciou-se face ao Iene (0,91%).

Os Bancos Centrais das economias avançadas decidiram manter as suas taxas de juro de referência, tendo, no entanto, a Reserva Federal Norte-americana (Fed) voltado a reduzir os estímulos económicos em 10 mil milhões de dólares para os 45 mil milhões de dólares. Por outro lado, o Banco Central Europeu (BCE) estuda a implementação de um programa semelhante ao iniciado por Ben Bernanke em 2009. O BCE poderia comprar todos os meses pelo menos 75 mil milhões de euros em dívida do sector privado e público (40 mil milhões em obrigações soberanas).

Economias Emergentes

Nas economias emergentes, no mês de Maio, foram também divulgadas as estatísticas referentes ao crescimento económico no 1º trimestre de 2014 na China, Brasil e Rússia. Na China, Brasil e Rússia, o crescimento económico foi de 7,4%, 2,1% e 0,9%, respectivamente.

Em Abril 2014, a inflação anual acelerou no Brasil, Rússia e na Índia para 6,28%, 7,30%, 8,59% respectivamente. Contrariamente, na China verificou-se uma desaceleração de 0,6 p.p. para 1,80%. No mercado cambial, o dólar norte-americano apreciou-se face à Rúpia da Índia (0,74%), ao Rublo da Rússia (1,39%) e ao Renminbi da China (0,63%), e depreciou-se em relação ao Real Brasileiro (1,76%).

Dois bancos centrais deste grupo de economias decidiram, manter as suas taxas de juro directoras, enquanto o Banco Central do Brasil e da Rússia decidiram aumentar as suas taxas de juros de referência para 11,0% (mais 0,25 p.p.) e 7,5% (mais 0,50 p.p.), respectivamente.

Economias da SADC

Em 2014 espera-se que o investimento em recursos naturais (sobretudo minerais) e a procura interna mantenham a actividade económica da região da África Subsariana robusta. Segundo as projecções de Abril de 2014 do FMI, o PIB dos países da região deverá crescer 8,7% na República Democrática do Congo, 8,1% em Moçambique, 7,3% na Zâmbia, 7,2% na Tanzânia, 7,1% na Nigéria, 2,3% na África do Sul, 4,1% no Botswana, 3,7% nas Ilhas Maurícias e Seychelles, 4,3% na Namíbia, 2,1% na Suazilândia e 5,6% no Lesoto.

Em Abril de 2014, a taxa de inflação desacelerou na maior parte dos países, com excepção da Namíbia e Tanzânia (+0,2 p.p.), África do Sul e Zâmbia (+0,1 p.p.) e Zimbabwe (+0,65 p.p.). Neste contexto, a taxa de inflação abrandou para 7,22% em Angola, 4,50% no Botswana, 4,20% nas Maurícias, 23,90% no Malawi e 2,87% em Moçambique, e manteve-se constante, na República Democrática do Congo (1,29%) e Seychelles (2,20%).

No período em análise, o dólar depreciou-se face a moedas de quatro países nomeadamente, República Democrática do Congo (0,30%), Malawi (4,87%), Maurícias (0,10%) e Seychelles (1,16%); e apreciou-se face às restantes moedas dos países que compõem a região da SADC: Angola (0,02%), África do Sul, Lesoto, Namíbia e Suazilândia (0,08%), Botswana (0,17%), Moçambique (0,16%), Tanzânia (0,73%) e Zâmbia (2,49%).

Os bancos centrais da SADC decidiram manter as suas taxas de juro de referência, à excepção da Zâmbia que aumentou para 12%, uma subida de 1,75 p.p face ao mês anterior.

Commodities:

O mercado das commodities, no mês de Abril do corrente ano, ficou marcado pela preocupação da instabilidade política na Ucrânia , pela depreciação do Dólar norte-americano, pela redução da procura da China e da Rússia, pelo fim do período da manutenção de algumas refinarias a nível mundial (que conduziram a um aumento dos preços do petróleo, gás natural, dos metais, etc.) e pela queda do índice geral dos preços dos alimentos da FAO.

Petróleo

Em relação ao mercado de derivados de petróleo, os preços médios do crude registaram um aumento quando comparados com o mês anterior, tendo o Brent se situado em 108,18 dólares por barril, (+0,38%), e o WTI passado de 100,49 para 102,06 dólares por barril (+1,55%). A subida dos preços do petróleo foi impulsionada pelo aumento das margens, pelo fim do período de manutenção das refinarias, redução das reservas petrolíferas nos EUA (devido à forte procura por gasolina), por dados económicos positivos dos EUA e pela escalada das tensões entre Moscovo e Kiev (que contribuíram para aumentar o prémio de risco).

Bens Alimentares


No que respeita os bens alimentares, a FAO divulgou o seu Índice de Preços de Alimentos para Abril, que foi de 209,30 pontos em termos médios (menos 3,48 pontos ou 1,6%), face a Março. A queda do índice foi impulsionada pela redução dos Índice de preços dos Lacticínios, dos Óleos e Gorduras e dos Açúcares.
A queda dos preços dos Lacticínios deveu-se à redução das importações da China (o maior importador de leite em pó e desnatado) e da Rússia (o maior importador de manteiga) e ao aumento da oferta (face à extensão da boa colheita na Nova Zelândia e bom início de colheita no Hemisfério Norte), enquanto que os preços dos Óleos e Gorduras, foram influenciados pela redução dos preços do óleo de palma, face à perspectiva de uma fraca procura por parte da União Europeia (U.E.) e ao aumento da exportação da Malásia por força da depreciação da moeda local.

Os preços do Açúcar também registaram uma tendência de queda, sendo esta resultante do aumento da oferta da Tailândia, da Índia e da Austrália, uma vez que o nível de sacarose, geralmente, aumenta em clima seco na maior parte dos países produtores, afectando os preços.

Contrariamente, os preços das Carnes e dos Cereais aumentaram, suportados pelas condições climáticas desfavoráveis que afectaram a Austrália (nomeadamente a produção de carne bovina) e nos EUA (nomeadamente a produção de carnes bovina e cereais), pela epidemia suína nos EUA e pelas tensões na Ucrânia (produtor de cereais). Todavia, os aumentos dos preços dos cereais foram menores quando comparados com o mês de Março, existindo a perspectiva de que os preços do arroz reduzam nos diversos segmentos de mercado nos próximos meses.

II.    DESENVOLVIMENTOS RECENTES DA ECONOMIA NACIONAL


Inflação

Em Abril, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação foi de 0,51%, após uma variação igual de 0,51% em Março. Ainda assim, a inflação homóloga retrocedeu para 7,22%, tendo a Classe 01 – “Alimentação e Bebidas Não-Alcoólicas”, sido determinante no comportamento da inflação no mês em análise e contribuído com 0,21 p.p. (42,20%) para a inflação mensal observada, um valor superior em 0,01 p.p. quando comparado com a contribuição do mês anterior. O Tomate, a Carne de Primeira, o Chá Preto e as Miudezas de vaca foram os produtos que mais contribuíram para a Classe 01.

Em termos de variação, a Classe 12 - “Bens e Serviços Diversos” registou a maior variação de preços (1,04%).

A inflação acumulada até ao mês de Abril de 2014 é de 2,28%, uma diminuição quando comparada com 2,72% observados no mesmo período de 2013. Ainda de acordo com os índices de preços do INE, os produtos da cesta básica que mais variaram foram a Carne Seca de Vaca (0,85%), a Fuba de Milho (0,65%) e a Farinha de Trigo (0,58%).

Contas Monetárias

No sector monetário, dados relativos a Abril de 2014 mostram que a Base Monetária em moeda nacional registou um saldo de Kz 813.714,39 milhões, que correspondeu a um aumento mensal de Kz 2.231,72 milhões (0,28%), reflectido no aumento das Notas e Moedas em Circulação Kz 4.223,24 milhões (1,16%), já que os Depósitos nos bancos comerciais em moeda nacional diminuíram em Kz 1.991,52 milhões (0,44%). Em termos acumulados, a Base Monetária em moeda nacional contraiu em Kz 36.695,08 milhões (4,31%).

As contas monetárias de Abril indicam uma expansão mensal dos depósitos totais do sistema bancário em cerca de Kz 266.621,20 milhões (6,18%), uma expansão do crédito à economia em Kz 67.943,97 milhões (2,25%), do crédito do sector privado em Kz 59.326,42 milhões (2,03%) e do crédito às empresas públicas em Kz 8.617,55 milhões (9,41%). Enquanto isso, o agregado monetário mais amplo (M3), composto pelas notas e moedas em circulação, pelos depósitos à ordem e a prazo e pelos outros instrumentos financeiros, aumentou no mês de Abril, em Kz 253.661,78 milhões (ou 5,46%), para Kz 4.896.158,99 milhões, o que traduz num aumento anual de 10,48%.

No Mercado Monetário, as taxas de juros médias ponderadas da subscrição dos Bilhetes do Tesouro (BT’s) com a maturidade de 91 dias aumentaram em 0,50 p.b., ao passo que para a maturidade de 364 dias, diminuíram na ordem de 19,25 p.b., atingindo os 3,83% e 4,88%, respectivamente. Por sua vez, a taxa LUIBOR Overnight diminuiu em 21 p.b. ao atingir 3,10% ao ano, e em 7,43% e 9,53% nas maturidades de 3 e 12 meses.

No mês em análise, o stock de reservas internacionais brutas situou-se em USD 30.378,92 milhões, representando uma diminuição de 1,49% (USD 458,30 milhões), quando comparado com o mês anterior.

Em Abril, os bancos comerciais adquiriram divisas no valor de USD 2.076 milhões no mercado cambial.

A taxa de câmbio média de referência do Kwanza em relação ao Dólar norte-americano situou-se em 97,88 Kwanzas no final do mês de Abril.


III.     DECISÕES DO COMITÉ DE POLÍTICA MONETÁRIA

Da análise efectuada à evolução recente e às perspectivas para a economia angolana, o Comité de Política Monetária, com o propósito de continuar a influenciar a redução dos custos de intermediação financeira, em particular das taxas de juro do crédito à economia, decidiu:
  • Manter a Taxa Básica de Juro - Taxa BNA – em 9,25% ao ano;
  • Manter a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 10% ao ano;
  • Aumentar a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez de 1,50% para 1,75% ao ano.
A próxima reunião do Comité de Política Monetária terá lugar no dia 23 de Junho de 2014.