Notas de Imprensa

27 de Janeiro de 2014

Comité de Política Monetária

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM) reuniu-se no dia 27 de Janeiro, na sua vigésima oitava sessão ordinária, a primeira do ano de 2014. Com vista à tomada de medidas de política monetária que concorram para a manutenção da estabilidade de preços na economia nacional, foi analisada a evolução da inflação, da economia real, das contas fiscais e monetárias, bem como a informação recente sobre a conjuntura económica internacional e da região da SADC. A análise foi feita com base em informação referente ao mês de Dezembro de 2013.

I.    DESENVOLVIMENTOS RECENTES DAS ECONOMIAS: INTERNACIONAL E REGIONAL

Recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI), no “World Economic Outlook” de Janeiro, reviu em alta ligeira as suas previsões de crescimento da economia mundial para o ano de 2014, mas alertando que os riscos se mantêm e que os bancos centrais - em especial o BCE, terão que se esforçar mais para garantir que os actuais sinais de retoma económica sejam sustentáveis. As novas previsões apontam para um crescimento do produto mundial de 3,7%, elevado em uma décima, bem acima dos 3,2% calculados pelo Banco Mundial. Em 2015, o FMI projecta um crescimento para o PIB mundial de 3,9%. Os novos dados do FMI, que actualizam parcialmente os divulgados em Outubro último, reflectem o maior dinamismo das economias denominadas como “avançadas”, especialmente para os EUA onde agora é esperado que o PIB cresça este ano 2,8%, no Japão 1,4% e que no Reino Unido  acelere para 2,4%. No caso da Zona Euro, as perspectivas de crescimento são mais moderadas. Agora, o FMI prevê uma ligeira aceleração da taxa de crescimento de 1,0% para 2014 e 1,4% para 2015.

Apesar desta melhoria das previsões, o Fundo mostrou que é a Zona Euro que continua a apresentar debilidades e além disso, a melhoria de condições não será homogénea em todos os Estados Membros. Os níveis de inflação baixos fazem com que o FMI considere a deflação como um dos riscos mais significativos para o bloco económico, numa altura em que a política monetária está limitada pelas taxas de juro próximas de zero. Neste contexto, o FMI recomenda ao BCE, a continuação de uma política monetária expansionista, sugerindo que se apliquem medidas adicionais.

Em relação às economias emergentes, as previsões também sofreram poucas alterações, com uma revisão em alta ligeira do crescimento na China e em baixa no Brasil, Rússia e Índia. Segundo o FMI, o principal risco para estas economias será o impacto que a redução das políticas expansionistas da Reserva Federal norte-americana, nomeadamente o tappering, pode vir a ter nos fluxos de capitais desses países. Isto poderá constituir um risco para o equilíbrio global, dada a importância que estas economias representam a nível mundial. Em Dezembro, a inflação desacelerou 0,5 p.p. na China para os 2,50% e acelerou no Brasil para os 5,90%.

A taxa de câmbio do dólar norte-americano apreciou-se em relação ao Real brasileiro (1,11%), e Nayra nigeriano (1,34%), mas depreciou-se face ao Renminbi chinês (-0,65%), Rublo russo (-0,76%) e Rúpia indiano (-1,04%). Por sua vez, no mercado monetário, os bancos centrais das economias pertencentes aos BRIC decidiram, manter o nível das  taxas de juro directoras.

O crescimento económico da África Subsaariana mantém-se robusto e elevado, apesar de constrangimentos internos em vários países. A África Subsaariana deverá crescer 5,0% em 2013 devido ao aumento das exportações de petróleo (6,1%). Em geral, a região ficou marcada pela queda da produção de petróleo da Nigéria e pelo aumento da insegurança na República Centro-Africana. Por outro lado, a maior economia da região, África do Sul, continua restringida por factores estruturais do lado da oferta (rede de infra-estruturas) e também por factores cíclicos (redução do investimento privado, devido à deterioração do contexto externo e redução dos estímulos nos EUA) e à desaceleração do crescimento do rendimento das famílias, afectando assim o consumo interno. A região é relativamente insensível ao aumento das taxas de juros globais, mas muito vulnerável a possíveis quedas nos preços das commodities e a riscos internos relacionados com choques agrícolas e políticos.

Em relação ao Bloco da SADC, não existem novos dados para o crescimento económico, mantendo-se a taxa de crescimento do produto de 5,07% em 2013 e 5,70% em 2014. No mês de Dezembro, a inflação registou uma aceleração na maioria dos países da SADC. Contudo, os preços desaceleraram no Zimbabué (0,33%) e Moçambique (3,54%). Enquanto que, no Botswana (4,10%), Ilhas Maurícias (3,50%) e Seychelles (3,40%) se registou houve uma manutenção dos níveis de inflação. Todavia, este ano as pressões inflacionistas deverão abrandar, em consequência da quebra dos preços das commodities energéticas, alimentares e pela prossecução de políticas monetárias restritivas. O Banco Central do Botswana foi a única autoridade monetária a reduzir a sua taxa de referência em 50 p.b. (7,50%). No que toca ao mercado cambial registou-se uma depreciação da maior parte das moedas dos países da SADC. Contudo, quatro países experimentaram apreciações das suas moedas, tais como a República Democrática Congo (-0,46%), Ilhas Maurícias (-1,16%), Seychelles (-0,25%) e Tanzânia (-1,50%).

Na área da energia, o preço do crude exibiu uma trajectória positiva. Em Dezembro, os preços reverteram a situação de queda do mês anterior, tendo os valores médios mensais dos contratos do Brent, WTI e Ramas angolanas se situado nos 110,70 dólares/barril (+2,54%), 97,89 dólares/barril (+4,23%) e 109,40 dólares/barril (1,28%), respectivamente, devido às interrupções de produção no Mar do Norte por causa das temperaturas, e mudança de pessoal de algumas plataformas devido à forte tempestade que assolou a Europa na quadra natalícia. Por outro lado, os dados económicos positivos nos EUA (queda da taxa de desemprego para  6,7%) e da China (as exportações cresceram bem acima das previsões de Novembro, elevando-se 12,7%) sinalizam algum crescimento económico.

No que toca aos bens alimentares, o Índice de Preços dos Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) encontrou-se em termos médios nos 206,7 pontos em Dezembro de 2013, quase inalterado fase a Novembro, registando um aumento acentuado nos preços dos lacticínios (+5,2%), uma forte queda nas cotações do açúcar (-6,3%), dos cereais (-1,4%) e dos óleos (-1,3%), e uma estabilidade dos preços da carne (+0,8%). Ao longo do ano de 2013, o Índice da FAO em termos médios foi de 209,9 pontos, uma queda de 1,6% em relação a 2012, mas ainda assim o terceiro maior valor anual já registado. A elevada oferta global pressionou negativamente os preços do trigo e milho (com excepção do arroz), óleos e açúcar. No entanto, os preços dos lacticínios e carnes atingiram valores recordes.

II.    DESENVOLVIMENTOS RECENTES DA ECONOMIA NACIONAL

Actividade Económica

As últimas estimativas do Executivo angolano apontam para um crescimento real do Produto Interno Bruto na ordem de 7,4% em 2013, face aos 5,2% observados em 2012, com ênfase para o contínuo crescimento da economia não-petrolífera.

Inflação

Em Dezembro, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação foi de 0,75%, após uma variação de 0,52% em Novembro. Assim, a inflação homóloga retrocedeu para 7,69%, tendo a Classe 01 – “Alimentação e Bebidas Não-Alcoólicas”, sido determinante no comportamento da inflação no mês em análise e contribuído com 0,34 pontos percentuais, (45,28% da inflação mensal observada). Esta contribuição reflecte essencialmente o impacto do aumento dos preços da Espada Fresca, Cacusso Fresco, Couve, Corvina Fresca, Ovos de Galinha, Carne de Cabrito e da Manteiga.

Em termos de variação, a Classe 12 - “Bens e Serviços Diversos” registou a maior variação de preços (1,80%).

A inflação acumulada a 30 de Dezembro de 2013 é de 7,69%, uma diminuição quando comparada com os 9,02% observados no mesmo período de 2012. Ainda de acordo com os índices do INE, os produtos da cesta básica que mais variaram foram o Esparguete (1,44%), o Óleo de Palma (0,45%), e o Sal (0,38%).

Contas Monetárias

No sector monetário, dados relativos a Dezembro de 2013 mostram que a Base Monetária em moeda nacional registou um saldo de Kz 850.183,89 milhões, que correspondeu a um aumento mensal de Kz 58.020,04 milhões (7,32%), reflectido no aumento das notas e moedas em circulação de cerca de Kz 35.238,79 milhões (9,40%) e das reservas bancárias em moeda nacional de Kz 22.781,25 milhões (5,46%). Em termos acumulados, a Base Monetária em moeda nacional expandiu em Kz 122.947,54 milhões (16,91%).

As contas monetárias de Dezembro indicam uma expansão mensal dos depósitos totais do sistema bancário em cerca de Kz 45.098,45 milhões (1,11%), do crédito à economia em Kz 66.431,57 milhões (2,33%) e do crédito do sector privado em Kz 69.044,00 milhões (2,50%). O crescimento do crédito ao sector privado corresponde a uma variação acumulada de 10,26% e homóloga de 24,21%. Realça-se o crescimento do crédito à economia em moeda nacional na ordem dos 20,54% contra uma contracção daquele denominado em moeda estrangeira, de 5,38%. Enquanto isso, o agregado monetário mais amplo (M3), composto pelas notas e moedas em circulação, pelos depósitos à ordem e a Prazo e pelos outros instrumentos financeiros, aumentou no mês de Dezembro, em Kz 49.360,67 milhões (1,12%), para Kz 4.439.761,54 milhões, o que traduz uma variação anual de 14,55%.

No Mercado Monetário, as taxas de juros médias ponderadas da subscrição dos Bilhetes do Tesouro com as maturidades de 91 dias e 182 dias, aumentaram em 0,02 e 1,40 pontos base (pb) respectivamente, ao passo que na maturidade de 364 dias diminuíram em 0,01 pb, atingindo 3,64%, 4,60% e 5,74%. Por sua vez, a taxa LUIBOR Overnight diminuiu em 0,49 pb, ao atingir 4,71%.

No mês em análise, o stock de reservas internacionais brutas situou-se em USD 33.176,02 milhões, representando uma diminuição de 5,73% (USD 1.955,64 milhões), quando comparado ao mês imediatamente precedente.

No mês de Dezembro, o mercado cambial transaccionou um total de USD 3.264,61 milhões, dos quais USD 1.550,00 milhões provenientes do mercado primário (BNA) e o restante do mercado secundário. 

A taxa de câmbio média de referência do Kwanza em relação ao Dólar americano situou-se em 97,62 Kwanzas no final do mês de Dezembro.

III.     DECISÕES DO COMITÉ DE POLÍTICA MONETÁRIA

Da análise efectuada à evolução recente e as perspectivas para a economia angolana, por um lado, e para as economias internacional e regional, por outro, o Comité de Política Monetária decidiu:
  • Manter a Taxa Básica de Juro - Taxa BNA – em 9,25% ao ano, a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 10,25% ao ano, e a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 0,75% ao ano.
Visando aumentar os recursos financeiros disponíveis para o crédito à economia, assim como continuar a influenciar a redução dos custos de intermediação financeira, o Comité de Política Monetária do BNA decidiu ainda reduzir o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional, de 15% para 12,5%. O coeficiente de reservas obrigatórias em moeda estrangeira mantém-se inalterado em 15%.

A próxima reunião do Comité de Política Monetária terá lugar no dia 24 de Fevereiro de 2014.