Notas de Imprensa

25 de Novembro de 2013

Comité de Política Monetária

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM) reuniu-se no dia 25 de Novembro, na sua vigésima sexta sessão ordinária, a décima primeira do ano de 2013. Com vista a tomada de medidas de política monetária que concorram para a manutenção da estabilidade de preços na economia nacional, foi analisada a evolução da inflação, da economia real, das contas fiscais e monetárias, bem como a informação recente sobre a conjuntura económica internacional e da região da SADC. A análise foi feita com base em informação referente ao mês de Outubro de 2013.

 I.    DESENVOLVIMENTOS RECENTES DAS ECONOMIAS: INTERNACIONAL E REGIONAL

As expectativas económicas estão presentemente enfraquecidas, depois da divulgação de dados económicos modestos relativamente aos principais blocos comerciais e de uma situação de mau estar criado pela situação orçamental norte-americana. O FMI estima um crescimento de 2,9% para economia mundial em 2013, acelerando para 3,6% em 2014.

 As estimativas confirmam que a recuperação da actividade económica mundial será suportada pelo crescimento das economias avançadas em 0,90% (em 2013) e 2,0% (em 2014), contrariamente ao abrandamento do crescimento das economias emergentes; no entanto estas continuam a ter importância significativa para a actividade económica mundial. A actividade económica em 2013 ficou limitada por condições menos favoráveis, devido, por exemplo, à queda do preço das commodities e a constrangimentos ao nível das infra-estruturas existentes. Para 2014 as perspectivas são optimistas, na medida em que os respectivos sectores exportadores tenderão a expandir a actividade, beneficiando de maior procura por parte das economias desenvolvidas.

O comportamento do PIB no III trimestre de 2013 face a igual período do ano anterior em várias economias avançadas transmite sinais de melhoria, nomeadamente na Zona Euro, Reino Unido e Japão (mais 0,4 p.p., 0,6 p.p. e 0,6 p.p., respectivamente), embora gradual, pois ainda existem riscos significativos. O Banco Central Europeu (BCE) e o Banco de Inglaterra, manterão a sua política monetária acomodatícia durante período de tempo alargado, enquanto o desemprego permanecer elevado. Já no Japão, o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe adoptou um conjunto de medidas ultra-expansionistas para dinamizar a economia, cuja sustentabilidade tem sido questionada.

Nas economias dos BRIC e Nigéria, a ênfase vai para a melhoria do crescimento anual do PIB em termos reais na China e na Rússia, no III trimestre, para os 7,70% e 2,15%, respectivamente, e na manutenção na Índia, em 4,40%. Em Outubro, a inflação desacelerou no Brasil para 5,80% e na Nigéria 7,80%, tendo, no entanto, acelerado na China, Índia e Rússia, para os 3,20% e 10,10% e 6,30%, respectivamente. A taxa de câmbio do dólar norte-americano apreciou-se apenas em relação ao Real brasileiro (1,02%), mas depreciou-se face ao Renminbi chinês (-0,44%), Rublo russo (-0,93%), Rúpia indiano (-1,81%) e Nayra nigeriano (-4,10%). No período em análise, os bancos centrais deste conjunto de economias decidiram, no geral, pela manutenção das suas taxas de juro base, à excepção dos do Brasil e da Índia, que decidiram aumentar as suas taxas de juro em 50 p.b. e 25 p.b., para 9,50% e 7,75%, respectivamente.

De acordo com o Regional Economic Outlook (FMI, Outubro de 2013), o crescimento real da região da SADC foi revisto moderadamente em baixa e está abaixo da média da região (África Subsaariana) que é de 5,70%. Espera-se que esta região económica cresça 2,20% este ano e 3,00% no próximo ano. Neste contexto, este fraco crescimento reflecte o baixo crescimento do sector petrolífero e gás de Angola, da República Democrática do Congo (RDC) e de Moçambique. Por sua vez, dados sobre a inflação relativos ao mês de Outubro indicam que a taxa de inflação no bloco tem tido uma tendência descendente desde o início de 2012, facilitada por uma desaceleração e reversão ocasional dos preços dos alimentos e da manutenção de políticas monetárias restritivas em algumas economias anteriormente com elevadas taxas de inflação.

No entanto, apenas o Malawi permanece com uma inflação de dois dígitos (21,27% em Outubro), reflectindo um conjunto diversificado de circunstâncias, incluindo falta de infra-estruturas de transporte em países vizinhos, o crescimento dos agregados monetários (impulsionado pelo crédito ao sector privado) e desvalorização da moeda. No mercado cambial, registou-se uma depreciação do dólar norte-americano em relação à maior parte das moedas das economias da SADC, com excepção do Kwacha do Malawi e da Zâmbia, com 8,72% e 2,69%, respectivamente. Ainda em Outubro, os governadores dos bancos centrais da região mantiveram as suas taxas de juro de referência, à excepção de Moçambique que decidiu reduzir em 50 p.b., para 8,25%.

No mercado energético, o preço do crude e do gás natural mostram sinais de queda. No geral os preços voltaram a cair em Outubro, depois de ter atingido máximos em Agosto, os valores médios mensais dos contractos do Brent e WTI situaram-se nos 109,44 dólares (-1,63%) e 100,55 dólares (-0,62%) por barril, respectivamente, devido o alívio dos receios sobre o incumprimento da dívida norte-americana e sinais positivos sobre as negociações entre o Irão e as grandes potencias, referentes ao programa nuclear do Irão; também devido à previsão feita pela Agência Internacional da Energia (AIE) que espelha um forte aumento da produção de petróleo em 2014 nos países não membros da OPEP e, finalmente, a diminuição do consumo na Índia e no Japão. Quanto ao gás natural, as condições climatéricas adversas não trouxeram para já consumo adicional e os preços permaneceram baixos, nos 3,581 dólares/MMBut (ou 0,59%).

No que concerne os bens alimentares, o índice de preços dos alimentos da FAO situou-se em termos médios nos 205,8 pontos em Outubro, uma subida de 2,7 pontos (+1,3%) em relação ao mês de Setembro, impulsionado em grande parte por um aumento nos preços do açúcar (7,4%), por causa das condições climáticas desfavoráveis na região Centro-Sul do Brasil, embora os preços dos outros grupos de commodities também tenham subido.

II.    DESENVOLVIMENTOS RECENTES DA ECONOMIA NACIONAL

Actividade Económica

As estimativas do Executivo angolano apontam para um crescimento real do Produto Interno Bruto na ordem de 5,1% em 2013, face aos 5,2% observados em 2012, com ênfase para o contínuo crescimento da economia não-petrolífera cuja perspectiva de crescimento para 2013 é de 6,5% face aos 5,6% registados em 2012.

Inflação

Em Outubro, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação variou 0,41%, após uma variação de 0,50% em Setembro. Com esta variação a inflação homóloga retrocedeu para 8,38%. A Classe 01 – “Alimentação e Bebidas Não-Alcoólicas”, continua a ser determinante no comportamento da inflação no mês em análise, contribuindo com 0,20 pontos percentuais, o que representa 49,58% da inflação mensal observada. Esta contribuição reflecte essencialmente o impacto do aumento dos preços da Mandioca Fresca, Chá Preto, Água Mineral, Conserva de Atum, Bagre fumado, Café Instantâneo e da Kisaca. De notar que no mês em análise a redução dos preços da Batata Rena Azeite de Oliveira, Cebola e Tomate, ajudaram a atenuar a variação dos preços dos produto alimentar.

Em termos de variação, destaca-se a Classe 05 - “Mobiliário, Equipamento Doméstico e Manutenção” que registou maior variação de preços de 0,95%.

A inflação acumulada dos dez primeiros meses do ano é de 6,34%, uma diminuição quando comparada aos 6,97% observados no mesmo período de 2012. Ainda de acordo com os índices do INE, os produtos da cesta básica que mais variaram foram o Esparguete (0,99%), o Óleo de Palma (0,96%), e a Carne Seca de Vaca (0,55%).

Contas Monetárias

No sector monetário, dados relativos a Outubro de 2013 mostram que a Base Monetária em moeda nacional registou um saldo de Kz 739.247,26 milhões. Este saldo correspondeu a um aumento mensal de Kz 26.511,97 milhões (3,72%), reflectido num aumento nas notas e moedas em circulação de cerca de Kz 13.751,82 milhões (4,18%) e nas reservas bancárias em moeda nacional de Kz 12.760,15 milhões (3,33%). Em termos acumulados, a Base Monetária em moeda nacional expandiu em Kz 12.010,91 milhões (1,65%), ao passo que em termos homólogos contraiu Kz 827,64 milhões (0,12%), respectivamente.

Dados das contas monetárias de Outubro indicam uma expansão mensal dos depósitos totais do sistema bancário em cerca de Kz 50.115,27 milhões (1,30%), do crédito à economia em Kz 2.206,56 milhões (0,08%) e do crédito do sector privado em Kz 35.957,05 milhões (1,34%), fixando-se em Kz 2.727.247,33 milhões. O crescimento do crédito ao sector privado corresponde a uma variação acumulada de 6,42% e homóloga de 17,09%. Enquanto isso, o agregado mais amplo de moeda, o agregado (M3), composto pelas notas e moedas em circulação, pelos depósitos à ordem e a Prazo e pelos outros instrumentos financeiros, aumentou, no mês de Outubro, em Kz 49.256,13 milhões (1,18%), para Kz 4.219.369,00 milhões, o que traduz uma variação anual de 8,86%.

No Mercado Monetário, as taxas de juros médias ponderadas da subscrição dos Bilhetes do Tesouro com as maturidades de 91 dias, diminuíram em 0,39 pontos base (pb), ao passo que nas maturidades de 182 dias e 364 dias aumentaram em 0,03 pb e 0,79 pb respectivamente, passando para 2,07%, 2,97% e 4,76%, respectivamente. A taxa LUIBOR Overnight, por sua vez, diminuiu em 0,10 pb, para 5,37%.

No mês em análise, o stock de reservas internacionais brutas situou-se em USD 35.866,42 milhões, representando uma diminuição de 0,53% em termos relativos e de USD 189,18 milhões em termos absolutos, quando comparado ao mês imediatamente precedente.

No mês de Outubro, o mercado cambial transaccionou um total de USD 3.020,57 milhões, dos quais USD 1.905,17 milhões provenientes do mercado primário (BNA) e o restante do mercado secundário. 

A taxa de câmbio média de referência do Kwanza em relação ao Dólar americano situou-se em 97,024 Kwanzas no final do mês de Outubro, representando uma apreciação de 0,38% comparativamente ao mês anterior.

III.     DECISÕES DO COMITÉ DE POLÍTICA MONETÁRIA

A trajectória descendente da taxa de inflação, verificada ao longo dos últimos anos, assim como a perspectiva de manutenção dessa tendência, propiciam a redução das taxas de juro na economia.

Nesse sentido, e tendo presente a análise efectuada aos indicadores macroeconómicos, que inclui a evolução recente e as perspectivas para as economias angolana, internacional e regional, o Comité de Política Monetária decidiu:
  • Reduzir a Taxa Básica de Juro - Taxa BNA – de 9,75% para 9,25% ao ano;
  • Reduzir a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez de 11% para 10,25% ao ano; 
  • Manter a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 0,75% ao ano.

O Comité de Política Monetária do BNA mantém a recomendação que os agentes económicos tenham a LUIBOR, como taxa de juro de referência na contratação de crédito bancário.

A próxima reunião do Comité de Política Monetária terá lugar no dia 23 de Dezembro de 2013.