Notas de Imprensa

30 de Setembro de 2013

Comité de Política Monetária

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM) reuniu-se no dia 30 de Setembro, na sua vigésima quarta sessão ordinária, a nona do ano de 2013. Com vista à tomada de medidas de política monetária que concorram para a manutenção da estabilidade de preços na economia nacional, foi analisada a evolução da inflação, da economia real, das contas fiscais e monetárias, bem como a informação recente sobre a conjuntura económica internacional e da região SADC. A análise foi feita com base em informação referente ao mês de Agosto de 2013.

 I.     DESENVOLVIMENTOS RECENTES DAS ECONOMIAS: INTERNACIONAL E REGIONAL

Os desenvolvimentos mais recentes da economia mundial indicam sinais de recuperação económica moderada das economias desenvolvidas. Assim, para as economias avançadas, perspectiva-se um crescimento de 1,2%, em 2013, destacando-se crescimentos de 1,7%, 1,6% e 1,5%, para os E.U.A, Japão e Reino Unido, respectivamente. Na Zona Euro, os indicadores do sector real revelaram a manutenção da taxa de desemprego nos 12,1% em Agosto, contudo o número de desempregados reduziu em Julho. Ainda assim, as previsões do FMI, para o crescimento mundial (3,1%) no trimestre, foram inferiores às de Abril em 0,2 p.p.

Os factores relevantes na base dos principais acontecimentos económicos de Setembro foram os seguintes: (i) sinais positivos na economia norte-americana, a possibilidade de redução do programa de estímulos pelo FED que deverá iniciar no IV trimestre de 2013, (ii) aumento dos preços do petróleo face aos receios de uma redução da oferta, fruto da tensão geopolítica no médio-oriente; (iii) sinais positivos da economia chinesa e optimismo quanto à evolução da economia japonesa, e (iv) receios em relação a um agravamento da situação da Grécia.

Para as economias de mercado emergentes e em desenvolvimento prevê-se um crescimento de 5,0%. No bloco dos BRICS, destaca-se a China, considerada a segunda maior economia do mundo, cuja produção industrial voltou a crescer num valor superior ao registado em Julho (9,7%), tendo o seu Purchasing Managers Index (PMI) subido para 50,1 pontos em Agosto. Relativamente às restantes economias do bloco, destacam-se a redução da taxa de desemprego na Rússia para 5,2% em Julho face ao mês de Junho e uma desaceleração do crescimento no Brasil para 0,89% face a 1,1% no trimestre anterior.

No II trimestre, a inflação dessas economias desacelerou na generalidade. Em Agosto, observou-se uma desaceleração da inflação no Brasil e na Índia, situando-se em 6,2% e 9,5%, respectivamente, enquanto na Rússia a taxa de inflação manteve-se nos 6,5%. Os bancos centrais desses países optaram pelo efeito do estabilizador automático, mantendo as suas taxas de referência estáveis, exceptuando o Brasil, que aumentou a sua taxa em 50 p.b. para 9,0%, tendo em vista o controlo da inflação.

Na região da SADC, mantem-se a previsão de crescimento económico, onde se destacam as taxas de crescimento do PIB das economias de Moçambique (8,4%), República Democrática do Congo (7,9%), Tanzânia (7,2%), e Zâmbia (7%), cumprindo os critérios de integração regional (=7%). A inflação da economia regional registou uma desaceleração na maior parte dos países desta região subsariana, com excepção das Ilhas Seychelles, Namíbia e Suazilândia, cujas taxas se situaram em 3,7%, 6% e 5,9%, respectivamente.

Durante o mês de Agosto, nos mercados internacionais, os preços médios das principais commodities, com potencial para influenciar o comportamento da balança de pagamentos de Angola, registaram tendências opostas. O preço do Brent aumentou em 3,95%, impulsionado pelas tensões geopolíticas no médio-oriente e pelos dados positivos do PIB dos EUA. Por outro lado, o preço do gás natural esteve em queda. Em relação ao índice de preços dos alimentos da FAO, este atingiu 201,8 pontos em Agosto de 2013, quatro pontos abaixo do valor revisto para Julho, influenciado pela queda dos preços internacionais dos cereais e dos óleos e gorduras.

 II.     DESENVOLVIMENTOS RECENTES DA ECONOMIA NACIONAL

 Actividade Económica

As estimativas do Executivo angolano apontam uma perspectiva de crescimento real do Produto Interno Bruto na ordem de 5,1% em 2013, face aos 5,2% observados em 2012, com ênfase para o contínuo crescimento da economia não-petrolífera cuja perspectiva de crescimento para 2013 é de 6,5% face aos 5,6% registados em 2012.

Inflação

Em Agosto, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação variou 0,54%, após uma variação de 0,52% em Julho. Com esta variação a inflação homóloga retrocedeu para 8,97%. A Classe 01 – “Alimentação e Bebidas Não-Alcoólicas”, continuou a ser determinante no comportamento da inflação no mês em análise, contribuindo com 0,23 pontos percentuais, o que representa 43,22% da inflação mensal observada. Esta contribuição reflecte essencialmente o impacto do aumento dos preços da Cacusso Fresco, Kisaca, Carne seca de vaca, Coxas de frango, Fumbua, Bolo e Carapau fresco. Por outro lado, registou-se uma redução nos preços do Repolho, da Cenoura e da Couve, bem como uma manutenção dos preços da Pimenta, do Feijão, da Massa tomate, do Óleo de soja, do Pão, do Arroz, do Bacalhau e do Quiabo, o que poderá ter contribuído para o abrandamento da inflação mensal.

Em termos de variação,  destaca-se a Classe 12 - “Bens e Serviços Diversos” que registou maior variação de preços, com 1,05%.

A inflação acumulada dos oitos primeiros meses do ano é de 5,38%, uma diminuição quando comparado com os 5,42% observados no mesmo período de 2012. Ainda de acordo com os índices do INE, os produtos da cesta básica que mais variaram foram a Carne Seca de Vaca (2,63%), o Sal (0,49%), e o Açúcar Branco (0,45%).

Contas Monetárias

No sector monetário, dados relativos a Agosto de 2013 mostram que a Base Monetária em moeda nacional, registou um saldo de Kz 661.702,70 milhões. Este saldo correspondeu a um aumento mensal de Kz 4.065,10 milhões (0,62%), reflectido num aumento nas notas e moedas em circulação de cerca de Kz 12.857,23 milhões (4,17%), contra uma contracção nas reservas bancárias de Kz 8.792,13 milhões (2,52%). Em termos acumulados e homólogos, a Base Monetária em moeda nacional contraiu em Kz 65.533,65 milhões (9,01%) e Kz 1.433,93 milhões (0,21%), respectivamente.

Dados das contas monetárias de Agosto indicam uma expansão dos depósitos totais do sistema bancário em cerca de Kz 12.263,04 milhões (0,33%), do crédito à economia em Kz 13.853,00 milhões (0,50%) e do crédito do sector privado em Kz 8.602,54 milhões (0,32%), fixando-se em Kz 2.662.194,00 milhões. O crescimento do crédito ao sector privado corresponde a uma variação acumulada de 3,88% e homóloga de 14,19%. Enquanto isso, o agregado mais amplo de moeda, o agregado (M3), composto pelas notas e moedas em circulação, pelos depósitos à ordem e a Prazo e pelos outros instrumentos financeiros, aumentou, no mês de Agosto, em Kz 42.919,03 milhões (1,06%), para Kz 4.093.924,52 milhões, o que traduz uma variação anual de 5,62%.

No Mercado Monetário, as taxas de juros médias ponderadas da subscrição dos Bilhetes do Tesouro com as maturidades de 91 dias, 182 dias e 364 dias diminuíram em 52 pontos base (pb), 26 pb e 124 pb, para 2,58%, 3,34% e 4,06%, respectivamente. A taxa LUIBOR Overnight, por sua vez, diminuiu 43 pb, para 5,51%.

No mês em análise, o stock de reservas internacionais brutas situou-se em USD 35.437,95 milhões, representando uma diminuição de 0,62% em termos relativos e de USD 219,60 milhões em termos absolutos, quando comparado ao mês imediatamente precedente.

No mês de Agosto, o mercado cambial transaccionou um total de USD 2.542 milhões, dos quais USD 1.265 milhões provenientes do mercado primário (BNA) e o restante do mercado secundário.

A taxa de câmbio média de referência do Kwanza em relação ao Dólar americano situou-se em 95,91 Kwanzas no final do mês de Agosto, representando uma apreciação de 0,04% comparativamente ao mês anterior;

III.  DECISÕES DO COMITÉ DE POLÍTICA MONETÁRIA

Tendo presente a análise efectuada aos indicadores macroeconómicos, que inclui a evolução recente e as perspectivas para as economias angolana, internacional e regional, o Comité de Política Monetária decidiu manter:
  • A Taxa Básica de Juro - Taxa BNA - em 9,75% ao ano;
  • A Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 11% ao ano;
  • A Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 0,75% ao ano.
O Comité de Política Monetária do BNA mantém a recomendação que os agentes económicos tenham a LUIBOR, como taxa de juro de referência na contratação de crédito bancário.

A próxima reunião do Comité de Política Monetária terá lugar no dia 28 de Outubro de 2013.