Notas de Imprensa

30 de Agosto de 2013

Comité de Política Monetária

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM/BNA) reuniu-se no dia 30 de Agosto de 2013, na sua vigésima terceira sessão ordinária. Com vista à tomada de medidas de política monetária que concorram para a estabilidade de preços na economia nacional, foi analisada a evolução da inflação, do produto interno bruto, das contas fiscais e monetárias, bem como a informação recente sobre a conjuntura económica internacional e regional. 

I. DESENVOLVIMENTOS RECENTES DAS ECONOMIAS: INTERNACIONAL E REGIONAL

Os desenvolvimentos recentes da economia mundial desde a última sessão do Comité de Política Monetária, indicam que as economias desenvolvidas começaram a dar sinais de recuperação económica, embora estes sejam ainda modestos. Os principais acontecimentos que marcaram o mês em análise foram: (i) o crescimento positivo da Zona Euro e dos Estados Unidos da América (EUA) no segundo trimestre de 2013; (ii) manutenção dos estímulos por parte da FED; (iii) aumento da produção industrial na China; (iv) vitória, com uma maioria sólida, do partido da coligação no poder (Partido Democrático Liberal) nas eleições parlamentares no Japão, acabando com as incertezas em torno de alguma instabilidade política que se fazia sentir. 

No que toca às perspectivas do crescimento mundial, mantêm-se as previsões do FMI para 2013 (3,1%), menos 0,2 pontos percentuais (p.p.), relativamente às projecções de Abril. Para as economias avançadas, há a perspectiva de um crescimento de 1,2% em 2013, enquanto para as economias de mercado emergentes e em desenvolvimento prevê-se um crescimento de 5,0%. 

Relativamente ao desempenho da economia dos EUA, destaca-se a alteração da base de cálculo das Contas Nacionais que conduziu a uma revisão em alta da taxa de crescimento da economia em 2012 para 2,8% (correspondendo a mais de 0,6 p.p. em relação à estimativa anterior) e o crescimento do PIB de 1,7% no II Trimestre de 2013, valor superior aos 1,1% registados no trimestre anterior. No mês de Julho, foi igualmente divulgada a redução da taxa de desemprego que se situou em 7,4% (contra os 7,6% em Junho), porém a inflação situou-se em 2%, representando uma aceleração de 0,2 p.p. relativamente ao mês anterior. 

Na Zona Euro, os indicadores do sector real revelaram que o PIB no II Trimestre de 2013 foi de 0,3%, comparado com os três primeiros meses do ano (o PIB tinha registado uma queda de 0,3%). Portugal foi o país que apresentou a maior subida no PIB do I Trimestre de 2013 (1,1%). 

Na Zona Euro as atenções estiveram voltadas para Espanha, Itália (onde registaram-se uma redução do desemprego em Junho quando comparado com o mês de Maio) e para a Grécia (onde está a ser debatida a aprovação de um novo pacote de ajuda). No que respeita à inflação da Zona Euro, no mês de Julho, esta situou-se em 1,6%, valor igual ao verificado no mês anterior. Em Julho e no início de Agosto, o BCE decidiu manter as taxas de juro de referência e a política monetária acomodatícia. Pela primeira vez, o Presidente do BCE (Mário Draghi), deixou claro o compromisso de manter as taxas de juro em níveis reduzidos por um período prolongado.

No Japão, os resultados das eleições para o Parlamento japonês garantiram uma maioria sólida ao partido da coligação no poder (Partido Democrático Liberal), possibilitando ao Primeiro-Ministro Abe completar o mandato, acabando com as incertezas em torno de alguma instabilidade política. O crescimento real do PIB, no II Trimestre de 2013, foi de 2,6%, 1,2 pontos percentuais abaixo do valor do I Trimestre que tinha encerrado nos 3,8% (valor revisto em relação à estimativa inicial de 4,1%), devido às incertezas sobre a disposição do Governo japonês em estabelecer o aumento do imposto sobre as vendas para sustentar o seu plano fiscal. Em Julho, segundo dados da Bloomberg a inflação de Tóquio para o sétimo mês do ano foi de 0,4%, sendo esta variação positiva, a primeira vez em 14 meses.

Relativamente às economias emergentes, a revisão em baixa das previsões de crescimento económico afectou os países membros do bloco BRIC, reflectindo uma desaceleração da procura, dos preços das commodities mais baixos, das incertezas quanto à estabilidade financeira, das políticas monetárias menos acomodatícias e de outras vulnerabilidades.

Na China, considerada a segunda maior economia do mundo, observou-se um crescimento da produção industrial em 9,7% em Julho, valor superior à estimativa dos economistas (9%) e ao registado em Junho (8,9%). Contudo, o desempenho da economia chinesa durante o ano em curso, tem vindo a preocupar os mercados, levando o governo chinês a comprometer-se com a realização de reformas estruturais para estabilizar o crescimento económico. No mês de Julho, a inflação da China foi de 2,7%, valor semelhante ao mês anterior. 

Relativamente às restantes três economias do bloco, destaca-se a redução do Purchasing Managers Index (PMI) do HSBC da Rússia em Julho face ao mês de Junho; a redução das previsões para o crescimento económico brasileiro este ano, dos anteriores 3,5% para os 3,0% no mês de Junho (sendo o crescimento penalizado pelas recentes manifestações sociais) e o fraco crescimento do PIB da Índia entre 2012 e 2013 (5,0%), que apresenta um mínimo histórico dos últimos dez anos, preocupando o governo indiano, que tem como objectivo aumentar a produção industrial para o equivalente a 25% do PIB em 2022 (contra o actual valor de 16% do PIB).

Relativamente à taxa de inflação para Julho, observou-se uma desaceleração no Brasil e na Rússia, em 0,4 p.p. comparativamente com o mês anterior, situando-se nos 6,3% e 6,5%, respectivamente.

Mantêm-se a previsão de crescimento económico da região da SADC, onde se destacam as taxas de crescimento do PIB das economias de Moçambique (8,4%), República Democrática do Congo (7,9%), Tanzânia (7,2%), Angola (7,1%) e Zâmbia (7%), por serem as que estão em linha com a meta da região (7%).

A inflação da economia regional registou uma desaceleração na maior parte dos países da região subsariana, com excepção da Zâmbia, Maurícias e África do Sul. A informação disponível indica uma inflação de 6,3% para a África do Sul, 5,7% para o Botswana, 3,6% para as Ilhas Maurícias, 4,6% para Moçambique, 5,8% para Namíbia, 3,3% para as Seychelles, 7,5% para a Tanzânia, 7,3% para a Zâmbia e 1,3% para o Zimbabwe.

O preço do petróleo (Brent) no mercado internacional, principal produto que serve de referência para as exportações da matéria-prima angolana e o que maior peso tem na balança de pagamentos nacional, aumentou durante o mês de Julho, situando-se em termos médios nos 107,43 dólares/por barril.

II. DESENVOLVIMENTOS RECENTES DA ECONOMIA NACIONAL 

Actividade Económica

As estimativas do Executivo angolano apontam para uma perspectiva de crescimento real do Produto Interno Bruto na ordem de 7,1% em 2013, face aos 7,4% observados em 2012, com ênfase para o contínuo crescimento da economia não-petrolífera.

Inflação

Em Julho, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação variou em 0,52%, após uma variação de 0,63% em Junho. A Classe 05 - “Mobiliário, Equipamento Doméstico e Manutenção” foi a que registou maior variação de preços, com 0,85%, sendo a Classe 01 – “Alimentação e Bebidas Não-Alcoólicas” a que mais contribuiu para a inflação do mês com 0,30 pontos percentuais ou 56,53%.

A inflação acumulada dos setes primeiros meses do ano é de 4,81%, um aumento quando comparado com os 4,80% observados no mesmo período de 2012. Ainda de acordo com os índices do INE, os produtos da cesta básica que mais variaram foram a Fuba de Bombó (1,11%), a Fuba de Milho (0,83%) e a Carne Seca de Vaca (0,83%).

Contas Monetárias

No sector monetário, dados preliminares de Julho de 2013 indicam uma contracção mensal dos depósitos do sistema bancário, de 0,49%. As taxas de juro dos títulos públicos registaram uma diminuição na generalidade das maturidades. A LUIBOR baixou em todos os prazos e o crédito à economia cresceu 0,44%, no mês de Julho. 

No mês em análise, o stock de reservas internacionais brutas situou-se em USD 35.657,55 milhões, representando um aumento de 2,69% em termos relativos e de USD 934,16 milhões em termos absolutos, quando comparado ao mês imediatamente precedente.

No mercado cambial primário, a taxa média de câmbio de referência do Kwanza face ao Dólar dos EUA fixou-se em 95,950 Kwanzas em finais de Julho de 2013, tendo-se apreciado em 0,391%.

III. EVOLUÇÃO A PRAZO DO CONTEXTO ECONÓMICO EXTERNO E INTERNO

No contexto internacional, os diversos ritmos de crescimento das principais economias mundiais representam um desafio para as autoridades monetárias, pelo que nos próximos meses é esperado um período mais agitado, com a realização de eleições alemãs em Setembro, a apresentação dos Orçamentos de Estado para 2014 por parte de alguns países da área do euro considerados relevantes, além das expectativas em torno da próxima reunião da FED que se realizará Setembro.
 
No contexto interno, deverá assistir-se a um incremento na execução fiscal durante o terceiro trimestre do ano, conforme previsto na Programação Financeira do Tesouro, com especial ênfase para a execução das despesas de capital.

III.  DECISÕES DO COMITÉ DE POLÍTICA MONETÁRIA


Tendo presente a análise efectuada aos indicadores macroeconómicos, que inclui a evolução recente e as perspectivas para as economias angolana, da região SADC e internacional, o Comité de Política Monetária decidiu reduzir: 
  • A Taxa Básica de Juro - Taxa BNA - de 10% para 9,75% ao ano;
  • A Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez de 11,25% para 11% ao ano; 
  • A Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez de 1% para 0,75% ao ano.
O Comité de Política Monetária do BNA recomenda que os agentes económicos tenham a LUIBOR, como taxa de juro de referência na contratação de crédito bancário. 

A próxima reunião do Comité de Política Monetária terá lugar no dia 30 de Setembro de 2013.

Luanda, 30 de Agosto de 2013