Notas de Imprensa

28 de Maio de 2013

Comité de Política Monetária

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM) reuniu-se no dia 28 de Maio de 2013, na sua vigésima sessão ordinária. Com vista à tomada de medidas de política monetária que concorram para a estabilidade de preços na economia nacional, foi analisada a evolução da inflação, do produto interno bruto, das contas fiscais e monetárias, bem como a informação recente sobre a conjuntura económica internacional e regional.


I.    DESENVOLVIMENTOS RECENTES DAS ECONOMIAS INTERNACIONAL E REGIONAL


Os desenvolvimentos recentes da economia mundial desde a última sessão do Comité de Política Monetária indicam ligeiros sinais de melhoria nos Estados Unidos da América, contrariamente às restantes economias, porém, o comércio mundial continua a registar uma desaceleração. Os principais acontecimentos que influenciaram o comportamento da economia mundial e dos mercados, foram a divulgação de indicadores positivos sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos da América, a alteração da taxa de juro de referência da Zona Euro e o no Brasil e a flexibilização da política monetária por parte do Banco Central do Japão. Relativamente a previsão publicada pelo FMI em Abril, mantém-se a taxa de crescimento do PIB mundial para 2013, em 3,3% ante os 3,2% registados em 2012.

O grupo das economias avançadas deverá registar, à semelhança do ano de 2012, um crescimento de 1,2% em 2013, com os Estados Unidos e Japão a crescerem 1,9% e 1,6% respectivamente e a Zona Euro a contrair em 0,3%.

Relativamente ao desempenho da economia dos Estados Unidos da América, poderá destacar-se a redução da taxa de desemprego de 7,6% para 7,5% em Abril, assim como a recuperação da confiança dos consumidores e investidores na economia. Diante deste cenário, a Reserva Federal dos EUA está a equacionar a interrupção das operações de injecção de liquidez no sistema financeiro. No mês de Abril, a inflação foi de 1,1%, representando uma redução de 0,4 pontos percentuais relativamente ao mês anterior.

Na Zona Euro, persistem os desafios relativamente ao crescimento económico. A divulgação, em Abril, de uma taxa de desemprego de 12,03%, além da queda do indicador que mede a produção industrial comprovam a desaceleração da actividade económica nessa região.

A inflação da Zona Euro, no mês de Abril, foi de 1,2%, inferior em 0,5 pontos percentuais quando comparada ao mês anterior. O comportamento dos indicadores económicos e a necessidade de financiar a actividade económica levou a que o Banco Central Europeu, reduzisse a sua taxa de referência para 0,5% na sua última reunião realizada no início do mês de Maio.

No Japão, o Banco Central reafirmou o seu compromisso em combater a deflação estabelecendo uma meta de inflação de 2% e o aumento do programa de compra de títulos visando o aumento da base monetária.

Do lado das economias emergentes, o FMI prevê uma desaceleração para 5,3% em 2013, sendo este superior a 5,10% referentes ao ano de 2012. Apesar do crescimento destas economias continuar a apresentar sinais de robustez, as pressões inflacionistas continuam evidentes. Face ao cenário inflacionista, em Abril, o Comité de Política Monetária do Banco Central do Brasil aumentou a taxa Selic para 7,5%, tendo a taxa de inflação no final do mês acelerado para 6,5%, após situar-se em 6,6% em Março de 2013.

O crescimento da economia chinesa continuou a apresentar sinais de desaceleração, levando à revisão em baixa do PIB de 2013, por parte das autoridades do país; porém o Banco Central afirma que não alterará o curso da política monetária. A taxa de inflação da China acelerou para 2,4% no mês de Abril, após situar-se em 2,1% em Março de 2013.

No que concerne à inflação, nota-se uma desaceleração na maior parte dos países da região. Informação disponível indica uma inflação de 5,9% para a África do Sul, 7,2% para o Botswana, 3,6% para as Ilhas Maurícias, 4,79% para Moçambique, 6,10% para Namíbia, 7,10% para as Seychelles, 9,4% para a Tanzânia, 6,50% para a Zâmbia e 2,49% para o Zimbabwe.

O preço do petróleo (Brent) no mercado internacional, principal produto de exportação de Angola, e maior contribuinte na sua balança de pagamentos reduziram durante o mês de Abril, situando-se em média num patamar de USD 103,43por barril. 

II. DESENVOLVIMENTOS RECENTES DA ECONOMIA NACIONAL

Actividade Económica

As estimativas do Executivo angolano apontam para uma perspectiva de crescimento real do Produto Interno Bruto na ordem de 7,1% em 2013, face aos 7,4% observados em 2012.

A produção petrolífera durante o mês de Abril de 2013 foi de 48,08 milhões de barris, uma diminuição comparativamente aos 55,61 milhões de barris produzidos no mês anterior. No que respeita ao preço, este continuou a tendência decrescente registada desde Fevereiro, passando de 106,81 USD/barril em Março para 100,59 USD/ barril em Abril.

No sector diamantífero, registou-se igualmente uma diminuição da produção para 600,22 mil quilates em Abril comparativamente aos 667,31 mil quilates produzidos no mês de Março. Relativamente ao preço do quilate, a posição no final do mês de Abril foi de 158,34 USD, superior ao verificado no mês de Março (USD 123,94).

Inflação

Em Abril, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação variou em 0,60%, após uma variação de 0,66% em Março. A Classe 07 – “Transportes”, foi a que registou maior variação de preços, com 0,97%, sendo a Classe 01 – “Alimentação e Bebidas Não-Alcoólicas a que mais contribuiu para a inflação do mês com 0,32 pontos percentuais ou 53,87%.

A inflação acumulada do ano foi de 2,72%, uma redução quando comparado aos 2,74% observados no mesmo período de 2012. Ainda de acordo com os índices do INE, os produtos da cesta básica que mais variaram foram a Fuba de Bombó (1,13%), a Fuba de Milho (1,09%) e o Arroz Corrente (0,76%).

Contas Monetárias

No sector monetário, dados preliminares de Abril de 2013 indicam uma expansão mensal dos depósitos do sistema bancário, de 0,56%. As taxas de juro dos títulos públicos mantiveram-se estáveis em todas as maturidades. A LUIBOR seguiu estável e o crédito à economia cresceu 0,18%, no mês de Abril.

No mês em análise, o stock de reservas internacionais brutas situou-se em USD 35.390,69 milhões, representando uma expansão de 2,21% em termos relativos e de USD 763,83 milhões em termos absolutos.

No mercado cambial primário, a taxa média de câmbio de referência do Kwanza face ao Dólar dos EUA fixou-se em 96,045 Kwanzas em finais de Abril de 2013, tendo se depreciado em apenas 0,064%.

III. EVOLUÇÃO A PRAZO DO CONTEXTO ECONÓMICO EXTERNO E INTERNO

No cenário internacional, apesar da contínua desaceleração do comércio mundial, sobretudo da China, da persistência da crise na Zona Euro e do risco inflacionista em alguns países do bloco dos BRIC’S, espera-se que com optimismo em relação às economias norte-americanas e japonesa, o processo de recuperação da actividade económica mundial ganhe uma nova dinâmica.
 
No contexto interno, o Orçamento Geral do Estado para 2013 foi aprovado na íntegra em Fevereiro, sem qualquer alteração relativamente a proposta apresentada, que prevê um défice fiscal. A política monetária, no próximo exercício deverá ser conduzida de forma a acomodar a execução do orçamento, mantendo sempre a perspectiva e o objectivo da estabilidade dos preços.


III.     DECISÕES DO COMITÉ DE POLÍTICA MONETÁRIA


Tendo presente a análise efectuada aos indicadores macroeconómicos, que inclui a evolução recente e as perspectivas para as economias angolana, dos países da região da SADC e internacional, o Comité decidiu manter a Taxa Básica de Juro - Taxa BNA – em 10% ao ano, a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 11,25% ao ano e a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 1% ao ano.

A próxima reunião do Comité de Política Monetária terá lugar no dia 28 de Junho de 2013.