Notas de Imprensa

25 de Março de 2013

Comité de Política Monetária

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM) reuniu-se no dia 25 de Março de 2013, na sua décima oitava sessão ordinária. Com vista à tomada de medidas de política monetária que concorram para a estabilidade de preços na economia nacional, foi analisada a evolução da inflação, do produto interno bruto, das contas fiscais e monetárias, bem como a informação recente sobre a conjuntura económica internacional e regional.

I. DESENVOLVIMENTOS RECENTES DAS ECONOMIAS INTERNACIONAL E REGIONAL

Os desenvolvimentos recentes da economia mundial desde a última sessão do Comité de Política Monetária indicam ligeiros sinais de melhoria nos Estados Unidos da América , porém nas restantes economias o processo de recuperação segue lento. Neste sentido, mantem-se a previsão publicada pelo FMI em Janeiro que aponta para uma taxa de crescimento do PIB mundial de 3,5% em 2013 acima dos 3,2% registados em 2012.

O grupo das economias avançadas deverá registar um crescimento de 1,4% em 2013, mais 0,1 pontos percentuais relativamente ao ano de 2012, uma vez que é esperada uma menor contracção na Zona Euro. Para os Estados Unidos da América  e o Japão projecta-se que o crescimento em 2013 será inferior ao verificado em 2012.

A economia dos Estados Unidos da América, de acordo com o relatório do FMI, poderá crescer 2,0%, (menos 0,3 pontos percentuais relativamente a 2012). Apesar das projecções apontarem para uma taxa de crescimento inferior, em Fevereiro verificou-se redução da taxa de desemprego e um aumento da produção industrial em algumas regiões do país.Todavia as indefinições relativamente as questões orçamentais ameaçam a recuperação da economia americana. No mês Fevereiro, a inflação foi de 2,0%, representando um aumento de 0,40 pontos percentuais relativamente ao mês anterior. 

Para a economia da Zona Euro, o Fundo Monetário Internacional, prevê-se uma contracção em 2013 de 0,2%, que representa uma perspectiva de melhoria para a região que no ano anterior observou uma contracção de 0,4%. No mês de Fevereiro, o Banco Central Europeu (BCE) manteve as medidas de política monetária acomodatícia que vem implementando desde o ano passado, o que possibilitou a melhoria de alguns indicadores, como a manutenção da taxa de desemprego na Alemanha e a desaceleração da taxa de inflação para 1,8% em Fevereiro. Porém, a situação política na Itália e a revisão em baixa das perspectivas de crescimento por parte do BCE demonstram que persistem os sinais de fragilidade da economia na região.

Do lado das economias emergentes, continuam ser a executadas políticas fiscais e monetárias, com vista a impulsionar a recuperação da actividade económica. Na China, projecta-se que o produto interno bruto acelere para 8,2% em 2013, contra 7,8% em 2012. Contudo, em Fevereiro, os indicadores mostram uma desaceleração da actividade económica, com destaque para o mercado imobiliário, bem como um aumento da taxa de inflação por força do aumento pressão da procura. A taxa de inflação da China atingiu os 3,2% no mês de Fevereiro, um aumento de1,2 pontos percentuais comparativamente ao mês de Janeiro.

No Brasil, o produto interno bruto deverá crescer 3,5% em 2013, uma estimativa superior face aos  1,0% verificados em 2012. O crescimento da economia brasileira será apoiado pela política fiscal, consubstanciada no aumento dos gastos públicos e estímulos para o fomento do consumo privado. A inflação que tem vindo a aumentar desde o mês de Julho do ano passado, situou-se em 6,3% em Fevereiro de 2013.

Nas economias da SADC, as previsões recentes indicam que a economia sul-africana terá um crescimento real de 2,5% em 2012, e de 3% em 2013. No que concerne à inflação, em Fevereiro, nota-se uma desaceleração nas Ilhas Maurícias, Namíbia, Tanzânia e Zâmbia. A informação disponível indica uma inflação de 7,5% para o Botswana, 3,6% para as Ilhas Maurícias, 1,43% para Moçambique, 6,2% para Namíbia, 6,2% para as Seychelles, 10,4% para a Tanzânia, 6,9% para a Zâmbia e 2,98% para o Zimbabwe.

O preço do petróleo brent no mercado internacional, principal produto de exportação de Angola, e maior contribuinte na sua balança de pagamentos seguiu em alta durante o mês de Fevereiro, tendo a sua média situando-se no patamar de USD 116,07 por barril.

II. DESENVOLVIMENTOS RECENTES DA ECONOMIA NACIONAL 

Actividade Económica

As estimativas do Executivo angolano apontam para uma perspectiva de crescimento real do Produto Interno Bruto na ordem de 7,1% em 2013, face aos 7,4% observados em 2012. Na base desta desaceleração está o menor crescimento do sector não petrolífero, cuja projecção indica uma taxa de 7,3%, inferior aos 9,1% ocorridos em 2012. O sector petrolífero poderá expandir-se em 6,6%, face aos 4,3% em 2012. 

A produção petrolífera durante o mês de Fevereiro de 2013 foi de 44,54 milhões de barris, uma diminuição comparativamente aos 52,76 milhões de barris produzidos em de Janeiro de 2013. No que respeita ao preço, este sofreu um ligeiro aumento passando de 111,66 USD/barril para 114,10 USD/ barril.

No sector diamantífero, registou-se uma diminuição da produção para 652,20 mil quilates depois de no mês de Janeiro se ter registado uma produção de 714,48 mil quilates. Relativamente ao preço do quilate, a posição no final do mês de Fevereiro era de 181,14 USD, superior àquele verificado no mês de Janeiro (USD 120,64).

A produção de cimento , reduziu durante o mês de Fevereiro para 103 mil toneladas, inferior em 10,90 toneladas comparativamente ao mês de Janeiro.

Os dados da Empresa Nacional de Electricidade (ENE) apontam para uma diminuição da distribuição de energia eléctrica no território nacional durante o mês de Fevereiro, tendo registado uma média diária de 538,88 Mgw, inferior em cerca de 6,45 Mgw quando comparado ao mês de Janeiro.

Por último, dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), indicam que no IV trimestre de 2012,  o Indicador de Clima Económico aumentou em relação ao trimestre anterior e ao período homólogo, o que representa uma melhoria das expectativas dos empresários  sobre a evolução da economia no curto prazo. No que respeita o Índice de Produção Industrial, registou-se estabilidade no IV trimestre face ao trimestre anterior, contudo uma tendência de crescimento em relação ao trimestre homólogo do ano de 2011 na ordem dos 1,7%.


Inflação

Em Fevereiro, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação variou em 0,82%, após uma variação de 0,61% em Janeiro. A Classe 01 – “Alimentação e Bebidas não Alcoólicas”, foi a que registou maior variação de 
preços, com 1,06%, sendo também a que mais contribuiu, com 0,48 pontos percentuais ou 58,81% da inflação do mês.

A inflação acumulada do ano, foi de 1,44%, um cenário menos favorável, quando comparado aos 1,42% observados no mesmo período de 2012. Os produtos da cesta básica que mais variaram foram a Farinha de trigo (3,48%), o Feijão castanho (1,54%) e a Fuba de milho (1,43%).


Contas Monetárias 


No sector monetário, dados preliminares de Fevereiro de 2013 indicam uma contracção mensal dos depósitos do sistema bancário, de 0,67%. As taxas de juro dos títulos públicos mantiveram-se estáveis em todas as maturidades. A LUIBOR seguiu estável e o crédito à economia cresceu 0,54%, no mês de Fevereiro. 

No mês em análise, o stock de reservas internacionais brutas situou-se em USD 34.407,44 milhões, representando uma expansão de 2,97% em termos relativos e de USD 991,72 milhões em termos absolutos. 

No mercado cambial primário, a taxa média de câmbio de referência do Kwanza face ao Dólar dos EUA fixou-se em 95,962 Kwanzas em finais de Fevereiro de 2013, tendo se depreciado em apenas 0,023%.


III. EVOLUÇÃO A PRAZO DO CONTEXTO ECONÓMICO EXTERNO E INTERNO

No cenário internacional, mantêm-se as estimativas de crescimento publicadas pelo Fundo Monetário Internacional durante o mês de Janeiro. A revisão em baixa das perspectivas de crescimento e a desaceleração da inflação na Zona Euro, a desaceleração da taxa de desemprego nos Estados Unidos da América e a aceleração da inflação de algumas das emergentes, caracterizam o mês de Fevereiro do de 2013. 

No contexto interno, o Orçamento Geral do Estado para 2013 foi recentemente aprovado na íntegra sem qualquer alteração relativamente a proposta apresentada, que prevê um défice fiscal. A política monetária, no próximo exercício deverá ser conduzida de forma a 
acomodar a execução do orçamento, mantendo sempre a perspectiva e o objectivo da estabilidade dos preços.


III. DECISÕES DO COMITÉ DE POLÍTICA MONETÁRIA


Tendo presente a análise efectuada aos indicadores macroeconómicos, que inclui a evolução recente e as perspectivas para as economias angolana, dos países da região da SADC e internacional, o Comité decidiu manter a Taxa Básica de Juro - Taxa BNA – em 10% ao ano, a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 11,25% ao ano e a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 1,25% ao ano.


A próxima reunião do Comité de Política Monetária terá lugar no dia 29 de Abril de 2013.


Luanda, 25 de Março de 2013