Notas de Imprensa

25 de Fevereiro de 2013

Comité de Política Monetária

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM) reuniu-se no dia 25 de Fevereiro de 2013, na sua décima sétima sessão ordinária. Com vista à tomada de medidas de política monetária que concorram para a estabilidade de preços na economia nacional, foi analisada a evolução da inflação, do produto interno bruto, das contas fiscais e monetárias, bem como a informação recente sobre a conjuntura económica internacional e regional.

I. DESENVOLVIMENTOS RECENTES DAS ECONOMIAS INTERNACIONAL E REGIONAL

Os desenvolvimentos recentes da economia mundial desde a última sessão do Comité de Política Monetária indicam comportamentos diferentes por parte dos maiores blocos económicos mundiais. Os dados publicados pelo FMI em Janeiro apontam para um revisão em baixa do PIB mundial de 2012 e 2013, devendo situar-se em 3,2% e 3,5% respectivamente.


O grupo das economias avançadas deverá registar um crescimento de 1,3% em 2012,e de 1,4% em 2013 inferior quando comparado às projecções feitas no mês de Outubro do ano passado. A redução dos índices de produção industrial e de comércio são a principal causa da redução da actividade económica mundial.


A economia dos Estados Unidos da América, de acordo com o relatório do FMI, poderá ter registado um crescimento de 2,3% em 2012 e 2% em 2013, inferior relativamente às projecções feitas no relatório publicado no mês de Outubro. O crescimento da economia norte-americana foi fortemente influenciado por um aumento nos investimentos em stocks, consumo de bens duráveis e aumento da despesa no sector da defesa por parte do Governo Federal. No mês Janeiro, a inflação foi de 1,6%, representando uma redução de 0,10 pontos percentuais relativamente ao mês anterior.


A economia da Zona Euro seguiu contracionista em 2012 e a estimativa de contracção do ano é de 0,4%, que representa uma revisão em baixa que o Fundo Monetário Internacional projectava em Outubro. Algumas medidas de política monetária ajudaram a atenuar a crise, sobretudo no que respeita a provisão de liquidez ao sistema financeiro, porém a mesma ainda apresenta sinais de fragilidade. Para 2013, projecta-se uma contracção de 0,2%. A inflação da Zona Euro para o mês de Janeiro até ao momento não foi oficialmente divulgada, mas prevê-se que mesma se situe em 2%.


Do lado das economias emergentes, a execução de políticas fiscais e monetárias têm contribuído para a recuperação da actividade económica. Na China, os últimos indicadores mostram uma recuperação da actividade económica, apesar de o produto interno bruto ter desacelerado para 7,8% em 2012, contudo projecta-se em 2013 que a taxa de crescimento se eleve para 8,2%. A contribuir para a manutenção das elevadas taxas de crescimento da economia chinesa estão a procura interna, principalmente da componente do consumo e da formação bruta de capital fixo. A taxa de inflação da China atingiu os 2% no mês de Janeiro, uma redução comparativamente ao mês de Dezembro.


No Brasil, o produto interno bruto deverá ter crescido 1% em 2012, uma estimativa inferior relativamente à publicada no mês de Outubro e para 2013, projecta uma taxa de crescimento de 3,5%. O crescimento da economia brasileira continuará a ser apoiado nas exportações e no consumo privado. A inflação tem vindo a aumentar desde o mês de Julho do ano passado, situando-se em 6,2% em Janeiro de 2013.


Nas economias da SADC, as previsões recentes indicam que a economia sul-africana terá um crescimento real de 2,5% em 2012, e de 3% em 2013. No que concerne à inflação, nota-se uma desaceleração na maior parte dos países da região no mês de Janeiro. Informação disponível indica uma inflação de 7,5% para o Botswana, 3,7% para as Ilhas Maurícias, 1,06% para Moçambique, 6,6% para Namíbia, 5,9% para as Seychelles, 10,9% para a Tanzânia, 7,0% para a Zâmbia e 2,51% para o Zimbabwe.


O preço do petróleo brent no mercado internacional, principal produto de exportação de Angola, e maior contribuinte na sua balança de pagamentos seguiu em alta durante o mês de Janeiro, mantendo-se em média num patamar de USD 114,50 por barril.


II. DESENVOLVIMENTOS RECENTES DA ECONOMIA NACIONAL


Actividade Económica


As estimativas mais recentes do Executivo angolano apontam para uma perspectiva de crescimento real do produto interno bruto na ordem de 7,4%, com o sector petrolífero a expandir-se em 4,3% e o sector não-petrolífero em 9,1%.


Estima-se que a expansão da actividade económica não-petrolífera, no ano que agora termina, seja impulsionada pelo crescimento dos sectores da agricultura, energia, construção, comércio e indústria transformadora.


A produção petrolífera durante o mês de Janeiro de 2013 foi de 52,76 milhões de barris comparativamente aos 52,80 milhões de barris produzidos em média de Janeiro a Dezembro de 2012.


No sector diamantífero, registou-se uma diminuição da produção para 714,48 mil quilates depois de no mês de Dezembro se ter atingido uma produção de 826,94 mil quilates. Relativamente ao preço do quilate, a posição no final do mês de Janeiro era de 120,64 USD, superior àquele verificado no mês de Dezembro (USD 116,24).


A produção de cimento , reduziu os níveis de produção durante o mês de Janeiro para 113 mil toneladas, inferior em 3,28 toneladas comparativamente ao mês de Novembro.


Por último, dados da Empresa Nacional de Electricidade (ENE) apontam para um aumento da distribuição de energia eléctrica no território nacional durante o mês de Dezembro, tendo registado uma média diária de 424,79 Mgw, superior em cerca de 100,27 Mgw quando comparado ao mês de Novembro.


Para 2013, espera-se que a economia cresça 7,1%.


Inflação

Em Janeiro, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação variou em 0,61%, após uma variação de 0,99% em Dezembro. A Classe 01 – “Alimentação e Bebidas não Alcoólicas”, foi a que registou maior variação de preços, com 0,75%, sendo também a que mais contribuiu, com 0, 34 pontos percentuais ou 55,83% da inflação do mês.


A inflação acumulada do ano, foi de 0,61%, um cenário positivo, quando comparado aos 0,73% observados no mesmo período de 2012. Os produtos da cesta básica que mais variaram foram o Sabão (1,20%), o Feijão castanho (1,19%) e a Fuba de bombó (1,11%).


O comportamento da inflação ao longo do mês de Janeiro reflectiu a sazonalidade típica do período.


Contas Monetárias


No sector monetário, dados preliminares de Janeiro de 2013 indicam uma contracção mensal dos depósitos do sistema bancário, de 2,0%. As taxas de juro dos títulos públicos registaram diminuição ligeira na maturidade de 182 dias, acontecendo o mesmo com os BT de 364 e 182 dias, excepto os de 91 dias. A LUIBOR seguiu estável e o crédito à economia diminuiu 2,62%, no mês de Janeiro.


No mês em análise, o stock de reservas internacionais brutas situou-se em USD 33.415,72 milhões, representando uma expansão de 1,24% em termos relativos e de USD 410,61 milhões em termos absolutos.


No mercado cambial primário, a taxa média de câmbio de referência do Kwanza face ao Dólar dos EUA fixou-se em 95,940 Kwanzas em finais de Janeiro de 2013, tendo se depreciado em apenas 0,119%.


III. EVOLUÇÃO A PRAZO DO CONTEXTO ECONÓMICO EXTERNO E INTERNO


No cenário internacional, as estimativas de crescimento publicadas pelo Fundo Monetário Internacional durante Janeiro em curso apontam para um nível de actividade económica são inferiores às do mês de Outubro de 2012. A desaceleração da despesa fiscal nos Estados Unidos da América, o processo lento de transmissão de uma política monetária mais flexível na Zona Euro, a desaceleração da inflação nas economias avançadas para a economia real caracterizam o início do exercício de 2013.


No contexto interno, o Orçamento Geral do Estado para 2013 foi recentemente aprovado na íntegra sem qualquer alteração relativamente a proposta apresentada, que prevê um défice fiscal. A política monetária, no próximo exercício deverá ser conduzida de forma a acomodar a execução do orçamento, mantendo sempre a perspectiva e o objectivo da estabilidade dos preços.


IV.     DECISÕES DO COMITÉ DE POLÍTICA MONETÁRIA


Tendo presente a análise efectuada aos indicadores macroeconómicos, que inclui a evolução recente e as perspectivas para as economias angolana, dos países da região da SADC e internacional, o Comité decidiu manter a Taxa Básica de Juro - Taxa BNA – em 10% ao ano, a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 11,25% ao ano e a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 1,25% ao ano.


A próxima reunião do Comité de Política Monetária terá lugar no dia 25 de Março de 2013.


Luanda, 25 de Fevereiro de 2013