Notas de Imprensa

3 de Janeiro de 2013

Comité de Política Monetária

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM) reuniu-se no dia 28 de Dezembro, na sua décima quinta sessão ordinária. Com vista à tomada de medidas de política monetária que concorram para a estabilidade de preços na economia nacional, foi analisada a evolução da inflação, do produto interno bruto, das contas fiscais e monetárias, bem como a informação recente sobre a conjuntura económica internacional e regional.

I. DESENVOLVIMENTOS RECENTES DAS ECONOMIAS INTERNACIONAL E REGIONAL

Os desenvolvimentos recentes da economia mundial desde a última sessão do Comité de Política Monetária, indicam comportamentos diferentes por parte dos maiores blocos económicos mundiais. A economia mundial continua a crescer a um ritmo lento, com as mais recentes projecções a situarem-se abaixo das que foram efectuadas  no início do ano. No conjunto de países que fazem parte da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), na maioria economias avançadas, o produto interno bruto cresceu a uma taxa de 0,2% no terceiro trimestre, tendo sido igual ao crescimento registado no segundo trimestre e abaixo dos 0,4% do primeiro trimestre do ano. Os efeitos da crise europeia traduzem-se na incerteza dos mercados e na confiança dos agentes económicos. Os níveis de inflação encontram-se altos desde a metade do ano, em consequência das políticas monetárias menos restritivas adoptadas pelos Bancos Centrais.

No caso dos Estados Unidos da América, o produto interno bruto anual aumentou no terceiro trimestre de 2012 para 3,1% comparativamente aos 1,3% registados no segundo trimestre do mesmo ano. Este crescimento foi influenciado por um aumento nos investimentos em inventário, consumo de bens duráveis e aumento da despesa no sector da defesa por parte do Governo Federal. No mês de Outubro, a inflação norte-americana situou-se  em 2,2%, representando um aumento de 0,2 pontos percentuais relativamente ao mês anterior. O custo dos combustíveis e dos alimentos têm contribuído para o aumento da inflação na maior economia do mundo.

Depois de contrair 0,2% no segundo trimestre de 2012, a economia da Zona Euro voltou a registar um crescimento real negativo de 0,1% no terceiro trimestre. . O aumento da taxa de desemprego faz-se sentir ao nível do rendimento disponível e tem contribuído para uma diminuição do consumo privado. Os baixos níveis de confiança por parte dos investidores tem levado a uma menor utilização da capacidade instalada, tendência que deverá permanecer no curto  prazo dadas as tendências decrescentes dos níveis da procura. A inflação da Zona Euro, no mês de Novembro, foi de 2,2%, representando uma redução de 0,3 pontos percentuais quando comparado ao mês de Outubro. A pressão sobre os preços tem-se mantido moderada devido aos níveis decrescentes de actividade económica.

Do lado das economias emergentes, há sinais de recuperação económica, possível pela adopção de políticas de estímulo por parte dos seus governos. Na China, os últimos indicadores mostram uma recuperação da actividade económica, apesar de o produto interno bruto ter desacelerado para 7,4% no terceiro trimestre de 2012 (7,6% no segundo trimestre). A contribuir para as elevadas taxas de crescimento da economia chinesa estão a procura interna, principalmente da componente do consumo e da formação bruta de capital fixo. Os níveis de inflação na China continuaram a decrescer, tendo atingido 1,7% no mês de Outubro.

No Brasil, o produto interno bruto aumentou no terceiro trimestre para 0,6%, superior aos 0,2% registados no segundo trimestre. . Este crescimento foi possível devido à boa prestação das exportações e do consumo privado. No terceiro trimestre de 2012, a inflação foi de 5,2%, comparativamente aos 5% registados no segundo trimestre. O Banco Central do Brasil tem reduzido a taxa directora da política monetária ao longo do ano. .

Nas economias da SADC, previsões recentes indicam que a economia sul-africana terá um crescimento real de 2,5% no terceiro trimestre, após o  registo  de 3% no período anterior. No que concerne à inflação, nota-se uma desaceleração na maior parte dos países da região. Informação disponível indica uma inflação de 7,4% para o Botswana, 4,0% para as Ilhas Maurícias, 1,4% para Moçambique, 7,6% para Namíbia, 6,2% para as Seychelles, 12,1% para a Tanzânia, 6,9% para a Zâmbia e 3,0% para o Zimbabwe.

O preço do petróleo brent no mercado internacional, principal produto de exportação de Angola, e maior contribuinte na sua balança de pagamentos seguiu em alta durante o mês de Novembro, mantendo-se em média num patamar de USD 109,53 por barril.

II. DESENVOLVIMENTOS DA ECONOMIA ANGOLANA

Actividade Económica

As estimativas mais recentes do Executivo angolano apontam para um crescimento real do produto interno bruto na ordem de7,4%, com o sector petrolífero a expandir-se em 4,3% e o sector não-petrolífero em 9,1%. 

Estima-se que a expansão da actividade económica não-petrolífera, no ano que agora termina, seja impulsionada pelo crescimento dos sectores da agricultura, energia, construção, comércio e indústria transformadora. 

A produção petrolífera durante o mês de Novembro de 2012 foi de 53,47 milhões de barris comparativamente aos 52,92 milhões de barris produzidos em média de Janeiro a Outubro. 

No sector diamantífero, registou-se um aumento da produção para 683,21 mil quilates depois de no mês de Outubro se ter atingido uma produção de 620,26 mil quilates. Relativamente ao preço do quilate, a posição no final do mês de Novembro era de 182,5 USD, superior àquele verificado no mês de Outubro (USD 133,43).

A produção de cimento , reduziu os níveis de produção durante o mês de Novembro para 125 mil toneladas, inferior em 7,09 toneladas comparativamente ao mês de Outubro. .

Por último, dados da Empresa Nacional de Electricidade (ENE) apontam para um aumento da distribuição de energia eléctrica no território nacional durante o mês de Novembro, tendo registado uma média diária de 324,54 Mgw, superior em cerca de 7,64Mgw quando comparado ao mês anterior.

Inflação

Em Novembro, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação variou em 0,93%, após uma variação de 0,91% em Outubro. A Classe 04 – “Habitação, Água, Electricidade, Gás e Combustível”, foi a que registou maior variação de preços, com 1,66%, sendo que a Classe 01 – “Alimentação e Bebidas Não-Alcoólicas” a que mais contribuiu, com 0, 43 pontos percentuais ou 45,84% da inflação do mês.

A inflação acumulada do ano até ao mês de Novembro era de 7,96%, inferior à registada no mesmo período de 2011 (9,48%). No que respeita à inflação homóloga, esta situou-se em 9,83%, um cenário positivo, quando comparado aos 11,28% observados no mesmo período de 2011.Os produtos da cesta básica que mais variaram foram a carne seca (2,54%), a fuba de milho (1,62%) e o óleo de palma (1,40%).

O comportamento da inflação ao longo do ano reflecte o conjunto de medidas de política económica do executivo angolano que visam a criação de um ambiente macroeconómico capaz de abrandar o impacto dos choques externos garantindo o crescimento sustentável e equilibrado da economia .

Contas Monetárias 

No sector monetário, dados preliminares de Novembro de 2012 indicam uma expansão mensal dos depósitos do sistema bancário, de 3,9% e uma expansão acumulada anual de 7,5%. A taxa de juro dos títulos públicos registou diminuições ligeiras em todas as maturidades, excepto a de 364 dias. A LUIBOR seguiu estável e o crédito à economia cresceu 2,64 %, no mês de Novembro. 

No mês em análise, o stock de  reservas internacionais brutas situou-se em USD 33.231,94 milhões, representando uma expansão de 1,00%. Regista-se um aumento das reservas internacionais brutas de 17,04% em termos relativos e de USD 4.838,84 milhões em termos absolutos durante o ano de 2012 

No mercado cambial primário, a taxa média de câmbio de referência do Kwanza face ao Dólar dos EUA fixou-se em 95,712 Kwanzas em finais de Novembro de 2012, tendo se depreciado em apenas 0,253%.

III. EVOLUÇÃO A PRAZO DO CONTEXTO ECONÓMICO EXTERNO E INTERNO

No cenário internacional, os próximos meses serão marcados pelo desfecho das negociações entre democratas e republicanos, à volta da política fiscal dos Estados Unidos da América, no curto-prazo. A instituição bem sucedida de um órgão supervisor da actividade bancária único em toda a Zona Euro, como condição para a injecção de liquidez em determinadas instituições financeiras, será um marco importante e determinante para que se restabeleça o financiamento à economia.

No contexto interno, aguarda-se pela aprovação do Orçamento Geral do Estado para 2013, que prevê um défice fiscal. A política monetária, no próximo exercício deverá ser conduzida de forma a acomodar a execução do orçamento, mantendo sempre a perspectiva e o objectivo da estabilidade dos preços. 

III. DECISÕES DO COMITÉ DE POLÍTICA MONETÁRIA

Tendo presente a análise efectuada aos indicadores macroeconómicos, que inclui a evolução recente e as perspectivas para a economia nacional e internacional;

O Comité de Política Monetária do BNA decidiu, por unanimidade,manter a Taxa Básica de Juro - Taxa BNA - em 10,25% ao ano, bem como as taxas de juro das Facilidades Permanentes de Cedência e Absorção de Liquidez em 11,50% e 1,50%, respectivamente;

A próxima reunião do Comité de Política Monetária terá lugar no dia 25 de Janeiro de 2013.