Notas de Imprensa

26 de Novembro de 2012

Comité de Política Monetária

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM) reuniu, aos 26 Novembro, na sua décima quarta sessão ordinária. Com vista à tomada de medidas de política monetária que concorram para a estabilidade de preços na economia nacional, foi analisada a evolução da inflação, do produto interno bruto e das contas fiscais e monetárias, bem como informação recente sobre a conjuntura económica internacional e regional. A análise foi feita com base em informação referente ao mês de Outubro de 2012.

I. DESENVOLVIMENTOS RECENTES DAS ECONOMIAS INTERNACIONAL E REGIONAL

Os desenvolvimentos recentes da economia mundial apontam para uma estabilização do dos mercados financeiros e do crescimento económico. Dois factores principais influenciaram o comportamento da economia mundial e dos mercados durante as últimas semanas, nomeadamente, a publicação de indicadores de actividade económica acima das expectativas nos Estados Unidos da América e a adopção de políticas monetárias expansionistas por parte de alguns bancos centrais, incluindo o Banco Central Europeu. A recuperação do sector imobiliário e o aumento do consumo privado nos Estados Unidos da América contribuíram para a estabilidade dos mercados financeiros.

Por outro lado, mantém-se a situação de incerteza na Zona Euro, no tocante ao processo de ajustamento das finanças públicas de algumas economias tais como a Grécia, Portugal e Espanha. A sinalização, por parte do Banco Central Europeu, de um compromisso para a aquisição de títulos com consequente injecção de liquidez levou à diminuição das expectativas de risco por parte dos investidores. Em resultado disso, os prémios de risco cobrados sobre as obrigações soberanas diminuíram durante as últimas semanas.

Do lado das economias emergentes, há sinais de recuperação na economia brasileira, reflectida nos indicadores de vendas a retalho, produção industrial e confiança dos agentes económicos. A economia indiana está a beneficiar de um crescimento do investimento no sector empresarial por via dos mercados financeiros, como consequência da comunicação de reformas por parte do Governo, que contribuirá para o aumento do Investimento Directo Estrangeiro e dos subsídios a sectores-chave da economia. 

O crescimento da economia chinesa estabilizou-se, derivado de uma procura externa decrescente por parte quer dos Estados Unidos da América como da Zona Euro. Finalmente, e pela mesma razão – procura externa decrescente – o crescimento da economia russa tem diminuído desde o segundo trimestre deste ano. 

Em face do exposto, mantêm-se as previsões do Fundo Monetário Internacional, publicadas em Outubro de 2012, de um crescimento de 3,30% em 2012, menos 0,2 pontos percentuais que as projecções publicadas no mês de Julho do ano corrente. No que concerne às economias desenvolvidas, o mesmo relatório prevê uma contracção da Zona Euro de 0,4% em 2012 e um crescimento da economia norte-americana na ordem de 2,2%, impulsionado por novos estímulos, comunicados recentemente pela Reserva Federal. Adicionalmente, informação de Agosto de 2012 mostra um crescimento do Índice de Preços ao Produtor na Zona Euro, de 2,2% (superior aos 1,1% registados em Julho).

Nas economias emergentes, destaca-se a desaceleração da economia chinesa, que no terceiro trimestre, cresceu, em termos reais, 7,4%, comparativamente aos 7,6% registados no final do segundo trimestre. O FMI prevê que a economia chinesa cresça cerca de 7,8% em 2012, menos 0,2 pontos percentuais comparativamente às projecções de Julho. Nota-se alguma pressão sobre os preços nas economias emergentes. No Brasil, por exemplo, o Índice de Preços ao Produtor aumentou de 9% em Agosto para 9,2% em Setembro do ano corrente.

Nas economias da SADC, previsões recentes indicam que a economia sul-africana terá um crescimento real de 2,5% no terceiro trimestre de 2012, após ter registado 3% no período anterior. No que concerne à inflação, nota-se uma desaceleração na maior parte dos países da região. Informação disponível indica uma inflação de 7,1% para o Botswana, 4,4% para as Ilhas Maurícias, 1,5% para Moçambique, 7,1% para Namíbia, 7,6% para as Seychelles, 12,8% para a Tanzânia, 6,8% para a Zâmbia e 3,4% para o Zimbabwe.

O preço do petróleo no mercado internacional, principal produto de exportação de Angola, e maior contribuinte na sua balança de pagamentos seguiu em alta durante o mês de Outubro, mantendo-se em média num patamar de USD 108 por barril.  

II. DESENVOLVIMENTOS DA ECONOMIA ANGOLANA

Actividade Económica

As estimativas mais recentes do Executivo angolano apontam para um crescimento real do produto interno bruto na ordem de 8,8%, com o sector petrolífero a expandir-se em 8,5% e o sector não-petrolífero em 9%. 

Estima-se  que a expansão da actividade económica não-petrolífera ao longo do ano seja impulsionada pelo crescimento dos sectores da agricultura, construção, comércio e indústria transformadora. 

A produção petrolífera durante o mês de Outubro de 2012 foi de 47,29 milhões de barris comparativamente aos 51,89 milhões de barris produzidos em média de Janeiro a Setembro de 2012.

No sector diamantífero, registou-se uma diminuição da produção para 620 mil quilates depois de no mês de Setembro se ter atingido uma produção de 738 mil quilates. Relativamente ao preço do quilate, a posição no final do mês de Outubro era de USD 133,43, inferior àquele verificado no mês de Setembro (USD 134,03).

A produção de cimento , apesar da sua volatilidade ao longo do ano, durante o mês de Outubro foi de 132,45 mil toneladas, inferior em 10,23 toneladas à produção obtida no mês de Setembro de 2012.

Por último, dados da Empresa Nacional de Electricidade (ENE) apontam para uma diminuição da distribuição de energia eléctrica no território nacional durante o mês de Outubro, tendo registado uma média diária de 316 Mgw, inferior em cerca de 49,31 Mgw quando comparado ao mês anterior.

Inflação

Em Outubro de 2012, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação variou em 0,91%, após uma variação de 0,55% em Setembro. A Classe 04 – “Habitação, Água, Electricidade, Gás e Combustível”, foi a que registou maior variação de preços, com 2,51%, sendo que a Classe 01 – “Alimentação e Bebidas Não-Alcoólicas” a que mais contribuiu, com 0,37 pontos percentuais ou 40,27% da inflação do mês. 

A inflação acumulada do ano até ao mês de Setembro era de 6,97%, inferior à registada no mesmo período de 2011 (8,54%). No que respeita à inflação homóloga, esta desacelerou para 9,76%, um cenário positivo, quando comparado aos 11,44% observados no mesmo período de 2011.Os produtos da cesta básica que mais variaram foram a fuba de milho, a fuba de bombó  e a carne seca..

O comportamento da inflação ao longo do ano reflecte o conjunto de medidas de política económica do executivo angolano que visam a criação de um ambiente macroeconómico capaz de abrandar o impacto dos choques externos garantindo o crescimento sustentável e equilibrado da economia angolana.

Contas Monetárias 

No sector monetário, dados preliminares de Outubro de 2012 indicam uma contracção mensal dos depósitos do sistema bancário, de 3,1% e uma expansão acumulada anual de 3,4%. A taxa de juro dos títulos públicos registou aumentos ligeiros em todas as maturidades. A LUIBOR seguiu estável e o crédito à economia cresceu 1,94 %, no mês de Outubro, e 19,45% desde o início do ano. 

No mês em análise, o stock das reservas internacionais brutas situou-se em USD 32.901,59 milhões, representando uma expansão de 1,36%. Regista-se um aumento das reservas internacionais brutas de 15,88% em termos relativos e de USD 4.508,49 milhões em termos absolutos durante o ano de 2012 

No mercado cambial primário, a taxa média de câmbio de referência do Kwanza face ao Dólar dos EUA fixou-se em 95,470 Kwanzas em finais de Outubro de 2012, tendo se depreciado em apenas 0,053%.

III. EVOLUÇÃO A PRAZO DO CONTEXTO ECONÓMICO EXTERNO E INTERNO

No cenário internacional, os próximos meses serão marcados pelo desfecho das negociações entre democratas e republicanos, à volta da política fiscal dos Estados Unidos da América no curto-prazo. A negociação e tomada de decisões firmes quanto a um novo pacote de reformas para a economia grega, bem como as expectativas sobre a necessidade ou não de um resgate para a economia espanhola, são eventos que definirão o comportamento dos mercados quer no final deste ano como no início do próximo.

No contexto interno, aproximando-se a quadra natalícia, merecerá um maior acompanhamento a execução fiscal e monetária devido ao efeito sazonal, caracterizado por uma maior execução fiscal (pagamento do décimo-terceiro mês e subsídios de Natal) e uma maior procura por bens e serviços por parte das famílias. Apesar da normal pressão sobre os preços, a taxa de inflação deverá manter-se dentro dos objectivos estabelecidos pelo Executivo angolano.

IV. DECISÕES DO COMITÉ DE POLÍTICA MONETÁRIA

Tendo presente a análise efectuada aos indicadores macroeconómicos, que inclui a evolução recente e as perspectivas para a economia nacional e internacional;

O Comité de Política Monetária do BNA decidiu, por unanimidade, manter a Taxa Básica de Juro - Taxa BNA - em 10,25% ao ano, bem como as taxas de juro da Facilidade Permanente de Cedência e Absorção de Liquidez em 11,50% e 1,50%, respectivamente;

A próxima reunião do Comité de Política Monetária terá lugar no dia 28 de Dezembro de 2012.